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MUDANÇAS JÁ NO FUTEBOL Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Ronald M.Calôr, em 06-10-2008 09:45
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Atualmente, estamos vendo que certezas de vinte, trinta, cinqüenta anos ou mais, estão sendo reformuladas sobre muitas coisas anunciadas como modernidade. Hoje condenadas por sua aplicação, por não terem conhecimento suficiente das conseqüências dos tais avanços científicos e tecnológicos. Estamos no presente pagando por estes desconhecimentos. Foram teorias colocadas em prática, e agora estão lutando e trabalhando para reverter os maus resultados, e os prejuízos têm sido maiores que os lucros que obtiveram. Vejam como era chique fumar nos anos cinqüenta, sabemos agora o resultado - desculpem.

A forma dos anunciados progressos no futebol, focando só os retornos financeiros, desviando de sua naturalidade não permitem vermos lances originais. Abrindo nova janela indicando novos rumos, em todos os seguimentos da sociedade ,se exige que sejam levados em todas as atividades em primeiro lugar, os aspectos e as características do ser humano, sugerindo exercícios físicos moderados,melhorar nos conhecimentos e procurar melhorar na sua vida espiritual - cada um com o seu cada um. Este conjunto de sugestões entrosa o homem com sua natureza, com a natureza que precisa para viver. Esses conceitos das mudanças efetuadas de fora para dentro do jogo de futebol, estão expostos em abordagens anteriores e em suas conseqüências, principalmente no desinteresse dos torcedores em virtude das artificialidades.

Transformações que descaracterizam a filosófia do jogo de futebol já não vêm motivando tanto, as populações aumentram em muitos milhões de pessoas e o público só vem diminuindo. Consultando as estatísticas sobre as copas de 1966 até a última, a média de gols vem diminuindo, traçando uma linha divisória nesta data com várias modificações que ficaram totalmente implantadas na Copa seguinte - no México. Como os números não mentem jamais, cito a Copa de 1990, onde muitos jogos foram truncados, várias prorrogações dos jogos, chatas de se ver, monótonas e dava sono. Foi a única vez que o artilheiro não foi um atacante. Depois que passaram a espalhar o tal futebol força, passamos a ouvir que os fundamentos do futebol seriam aprimorar os chutes para aproveitar as batidas de faltas e escanteios - isto é antijogo.

Os clubes e as seleções passaram tanto a valorizar essas jogadas, que os torcedores vêm se acostumando a comemorar quando é marcada uma falta ou escanteio à ser batido em seu favor. A falta de espaço e muito jogadores na defesa, têm sido os motivos de muitas faltas e escanteios acontecerem numa partida, e realmente têm resultado em muitos gols e decidido títulos. Os gols de bola rolando, de que tanto falamos, as jogadas de efeito e os jogadores podendo demonstrar suas habilidades, vêm diminuindo, inclusive por receio de receberem faltas violentas. Isto é bem notório, principalmente em jogadores que já tiveram contusões que motivaram cirurgias delicadas, tudo em função da falta de espaço.

Desde o início de sua formatação o número de jogadores é exatamente igual, já se passaram cento e quarenta e cinco anos, acrescento, relembremos como eram as condições físicas destes jogadores, basta ler como foi a Copa de 1930 Juntando também a maior quantidade de informações que temos depois de 1950., muitas verdades do passado, que eram tidas como definitivas, caíram no descrédito.

O oposto ocorre com uma idéia que momentaneamente é considerada absurda, e com o passar do tempo foi confirmada e aceita como real, racional e correta. Temos muitas passagens destes fatos na história da humanidade.

O ser humano, em várias situações em que tenha imaginado ou sonhado com uma criação, invento ou uma teoria, pondo em pratica sua idéia, dando asa a sua imaginação alcançou vôos que inicialmente pareciam impossíveis. Expressar um pensamento com liberdade é o combustível para alçar esses vôos, alcançando o objeto de seu sonho.

Pensamos nas condições explanadas e argumentadas nas partes anteriores, focando sempre as dificuldades do jogador de futebol em exibir toda sua capacidade, habilidade de executar lances de beleza e plástica no visual.

Por muito tempo vinha amadurecendo uma experiência que almejava colocar em prática, até que num passado recente a oportunidade apareceu, e por curiosidade resolvi tirar do papel para dentro do campo de jogo. Procurei ajuda com dois amigos que gostam do futebol e são do meu relacionamento pessoal e mostrei para eles qual eram as idéias e como realizá-las. Descrevi a parte inicial do plano, e como os dois são daquelas pessoas que orientam times de futebol equivalente a terceira divisão-RJ, são como os técnicos dos profissionais, e cada um deles, durante a experiência continuaria orientando seus times da forma individual como normalmente fazem, eu não daria palpite hora nenhuma. Só iria anotar tudo que viesse a acontecer durante os jogos, e o meu contato seria antes das partidas. Outro detalhe, estes times são adversários ferrenhos.
Como o planejado, tudo foi feito de forma descritiva, e aqui vamos apresentando essa experiência conforme foi o desenrolar desses jogos.

Conseguimos o Estádio com arquibancadas de dois mil lugares e inclusive com refletores. A minha proposta era a realização de uma série de10 (dez) partidas de futebol entre os times deles, em duas etapas; uma com 3 (três) jogos disputados da forma tradicional e outra com 7 (sete) jogos com as 6(SEIS) modificações , antes desta etapa eu passaria quais seriam as modificações. - Justifiquei que estava fazendo um trabalho sobre futebol e precisaria fazer algumas estudos, podemos chamar de laboratório.

Por escrito, cada um deles levou a proposta para seus respectivos grupos analisarem, em poucos dias estava com as respostas deles - aceitaram colaborar sem problemas e daí para frente receberiam dos responsáveis pelos seus times os detalhes restantes.

Após dar umas arrumadas nas dificuldades, era importante tomar outro procedimento, consegui com um compadre - de verdade - que tinha feito o curso para árbitros para arranjar três colegas, explicando mais ou menos que seriam 10 jogos, com algumas modificações em partes das regras e que eles teriam conhecimento antes dos sete últimos jogos. Pediram um cachê de razoável para suave. Fui conhecê-los e dei alguns detalhes dos jogos e que depois, com os responsáveis e os jogadores, seriam passados todos os procedimentos que experimentaríamos.

Transcorria o mês de abril e marcamos os jogos para ás 10hs da manhã nos domingos, e seriam consecutivos. Esses times da experiência existem. Lembro, para as explicações que verão mais à frente, que na primeira etapa da experiência com os três jogos, e na segunda etapa com os sete jogos, foram praticamente usados todos os mesmos jogadores em cada um dos times, para efeito de podermos comparar os jogos, e na minha relação completa tem até o comportamento de cada um, até para ver quem se entrosava com a nova forma proposta de se jogar e evoluir dentro de campo.

Partindo do princípio da proporcionalidade usado na matemática, e na física
estabelece que a velocidade, o tempo e o espaço não fogem desta regra, e tantas outras coisas que existem neste mundo são proporcionais a uma outra coisa. Através desta regra podemos calcular e comparar vários tipos de medidas. Estendo o assunto da experiência que se for testada entre profissionais da 1ªdivisão, a situação de jogos será igual pela proporção de suas preparações e condições iguais de competição.

Poderia ter feito experiência com três ou quatro times diferentes, mas para manter o princípio de comparar coisas exatamente iguais, não poderia quantificar de outra forma
ou fórmula. Observou-se claramente e principalmente depois de estarem totalmente adaptados, que nos três últimos jogos os jogadores dominavam e desenvolviam o jogo mais soltos em campo e que no conjunto de todo o time, era mais tocada a bola e as jogadas com passes mais longos.

Outro fator que me fez optar em fazer esta experiência e durante toda a seqüência
deste escrito me bato em citar a falta de espaço para se praticar o futebol com arte,
foi levar sempre em consideração o fato de que os jogadores, desde quando iniciaram o jogo de futebol com onze jogadores para cada lado, eram amadores e não tinham
nem um pouco de preparação para praticar este esporte, tanto que, somente se tornou esporte Olímpico, quase sessenta anos após suas primeiras regras serem regulamentadas e colocadas sob o controle de uma LIGA de futebol. E hoje , insisto, já se passaram quase 145 anos, com o diferencial que são profissionais, com superpreparação física.

Nesta experiência fundamentei minha vontade em querer ver na prática a forma de pensar sobre o tema - falta de espaços para o jogador poder se movimentar.
*** Faça seu comentário nos textos como torcedor(a) - Livro publicado 02/2006


Publicado em : Livros, Trechos de Livros
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