E antes que me apontem dedos divinos dizendo que está errado, adianto: nada é errado enquanto está sendo feito e, em não se sabendo o que está sendo feito, nem mesmo é possível dizer que está sendo feito de forma errada. Estranha o leitor a frase que titula este texto e fico sem saber o motivo. Está muito difícil falar nossa língua pátria quando professores a ensinam com argumentos estranhos e pegajosos. Ar-condicionado com hífen quando é o aparelho para diferenciar de ar condicionado... Como se existisse alguém que pudesse fazer este tipo de confusão. Não são precisos tracinhos para diferenciar coisas que sejam diferentes entre si. Assim, o título está certo, pois sua cabeça desmiolada é que pensou estar eu querendo dizer criação de alface, quando alface não se cria, cria-se galinha, por exemplo, mas não se cria arroz. Como? Ah! Seus ouvidos se feriram não foi com "criação", foi com "do alface"? Sim, tentando continuar minha fala, é preciso o receptor ter paciência e se inteirar de tudo sem ficar interrompendo o emissor. Sei muito bem que o reino alfaçal adota o matriarcado e que o alface é morto no nascedouro, restando uma população de alfaces, cada um ostentando orgulhosamente seu título, a alface. Não sei, contudo, se isto não se deva ao fato de que alface não fala, e, assim, não emite opinião sobre si, mesmo que faça opções sexuais divergentes da original. Se alface tem sexo? É claro se não ninguém ficaria dizendo que é feminina. E nada podemos criticar se algum alfaceiro montar em bancas separadas os alfaces e as alfaces, cada um vende seu alface como quer. E neste momento é seu alface mesmo, pois conscientemente tirei algumas palavras da frase "vende seu pé de alface", é que minha lerolerice me pede tirá-las para lhes dar outro uso, o que acabei de fazer, e, seguindo a regra hifenal do ar-condicionado, haverá alguém a confundir ser de alface o pé do alfaceiro. Mas é isto mesmo que se tenta demonstrar, que nada está errado sempre, e que ficar lendo ou escutando com interrupções para dizer que está certo ou que está errado é pior que ficar tentando compreender um texto consultando dicionário. Deste modo, reinicio meu conto. Consta que quando Deus criou o homem não estava muito preocupado com artigos femininos, assim, quando Deus criou o alface também não o estava. Outro dia, uma mulher conseguiu seu momento de glória na televisão sem ter cometido crime. É atualmente aparecer na TV mais ou menos sinônimo de ter feito besteira, ou pior, delatores alcunhados de informantes terem pensado que uma besteira tenha sido feita. Ora, continuo insistindo, está ficando muito difícil se exprimir em nossa língua. Desculpe-me, quero educadamente pedir que não me interrompa com questiúnculas, é exprimir sim, e não expressar, pode ser expressar mas não o é, pelo simples fato de que eu - o dono desta fala - não quis usar expressar e usei exprimir... Exprimi-lo por que quilo, expressá-lo-ia se quisesse, mas não o filo. Quê? Faltou o hífen? Como é difícil escrever e falar com tanta interrupção! Já gastei quatrocentas palavras e não consegui dar um recado simples. Fi-lo seria se não fosse filo, que tirei emprestado ao verbo filar. O que significa? Pô, caríssimo, vá ao dicionário e se informe, pelo menos enquanto se ocupa de procurar sentido no pai dos burros, terei tempo de dizer uma coisinha corriqueira. Quando Deus criou o alface e o deixou no paraíso não se preocupou nos inicialmentes que precisasse o alface de uma fêmea. Depois é que a fez, tirando um pedaço do alface, por certo não foi costela, mas poderia ter sido se nomearmos "costela" aquela nervura central em em cada folha de alface e Deus a houvesse usado para criar a alface. A Glória esteve na televisão - quando se aparece na televisão sem nada ter feito na saída não se tem nome, mas acho que todo mundo tem direito a um nome e assim a chamo. O nome foi dito, mas como não se pensou ter ela cometido crime, não foi repetido, nem colocado em garrafais piscantes. A mulher que teve seu momento de glória na televisão mostrou como a criação do alface é uma coisa bíblica, mostrou uma serpente tentando fazer a cabeça da alfaça, aliás o pé da alface. Putz, cara, tenho de lhe dizer que a serpente não era pedicure? Não, não está errado, embora o dicionário registre pedicuro, registra também manicure, assim tem-se que engolir pedicure, é mais palatável como diria um professor de português.
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