| ESPÍRITO DE NATAL |
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PERSONAGENS: NÚCLEO DA FAMÍLIA RICA
NÚCLEO FAMÍLIA POBRE
OUTROS PERSONAGENS
DINÂMICA DA PEÇA Um repórter e um cinegrafista abrem o evento, fazendo uma reportagem questionando sobre qual é o verdadeiro sentido do natal. Faz um preâmbulo e dirige-se à platéia instigando sobre o assunto. O repórter dá uma pausa e aponta para o palco (onde estão em cena duas famílias: uma rica e uma pobre). Ele questiona sobre os problemas que há nas duas famílias. As cenas se revezam de acordo com o comando do repórter que alterna e faz parar a cena: A voz de comando é " Stop " para a família rica e" PARE" para a família pobre. O repórter faz um "fechamento no final: Não importa de que classe sejamos, todos nós temos problemas: ricos, pobres, pretos, brancos, etc. Toda a peça está sob o comando do repórter que em determinada parte da peça se envolve como se estivesse fazendo a reportagem do evento. NARRAÇÃO INICIAL O Tempo de Natal acelera a vida nas ruas e aquece o comércio. O glamour das peças publicitárias e o brilho nas decorações transformam o ambiente ao nosso redor, misturando-se com desejos de paz, harmonia e felicidade. Mesmo sabendo que nenhuma mercadoria anunciada, e até mesmo os votos de Feliz Natal realizam de fato o que prometem, somos envolvidos por um espetáculo contagiante. Por outro lado, o vazio existencial e a busca do sentido da vida seguem nos desafiando. A humanidade anseia pela felicidade, verdade, fraternidade e paz: um anseio universal somente alcançado à luz da revelação do Cristo. Mas para a nossa reflexão fica a pergunta: Qual o verdadeiro sentido do natal para as nossas vidas? PARTE 1 - NÚCLEO RICO (César e Rique entram na sala discutindo...) CÉSAR > Viu o que você fez Rique, metendo-se à besta pra ajudar aquele favelado? Viu...você pensa que é o salvador do mundo? RIQUE > pai...me diz o que fiz de errado...eu só queria ajudar aquele desamparado e indefeso. CÉSAR > Você... sempre com essa onda de jornalista das causas perdidas...tinha que flagrar aquele infeliz apanhando dos policiais e filmar tudo no celular...e ainda por cima denunciar aos órgãos de direitos humanos internacionais...o que você ganhou com isso? RIQUE> pai...eu só faço o que o meu coração manda. Não me arrependo de nada...eu fiz justiça e vou continuar fazendo. CÉSAR> É...agora vive perseguido ..quem vai tirá-lo dessa enrascada? RIQUE> Sabe pai...você é muito diferente de mim...só pensa em dinheiro...chego a pensar até que você não é meu pai... CÉSAR > Agora vou ter de contratar um segurança particular pra você...tudo isso por causa da sua incompetência... RIQUE > a vida não é só dinheiro não pai...pare um pouco...respire ...viva mais a vida...foi por uma causa justa que fiz essa denúncia...ninguém tem direito de maltratar seu semelhante...do jeito que aqueles policiais fizeram foi uma tremenda injustiça. (Nesse instante entram na sala a Tia Carol e Helena) CAROL .> Mas que confusão é essa gente...será que não mereço uma recepção calorosa? RIQUE > Tia Carol...você por aqui, que bom...(abraça-a)...desculpa tia, eu não lembrar do dia da sua chegada! CAROL > Resolvi antecipar a viagem para aproveitar mais o Natal com vocês. CÉSAR > Que natal, se esse teu sobrinho só me traz encrencas. É capar de ele trazer um bando de favelados para a nossa ceia de natal. (César sai de cena). RIQUE > Tia Carol, meu pai é um cara que só pensa em dinheiro. Ele não sabe nem o que é natal. Pra falar a verdade eu também não sei o que é Natal, veja só, como é que eu vou entender esse mundo tão injusto. Essa bandidagem, miséria, corrupção, furacão, terremoto, tsunami. Se Deus tudo sabe porque não faz nada pra melhorar isso? HELENA> Eu já te falei meu filho, a gente não pode mudar os desígnios do nosso Pai Maior, temos de rezar bastante, Ele sabe o que é melhor pra todos nós. RIQUE > Mãe, que Deus é esse que deixa acontecer todas essas mazelas e não faz nada...que Deus Todo Poderoso é esse que deixou meu irmãozinho Allan morrer, um cara tão legal, tão religioso, nunca fez mal a ninguém, recuso-me a acreditar em Deus, prefiro ser ateu mesmo. HELENA >> Filho você está blasfemando contra Deus. RIQUE> Cadê as suas rezas mãe, mudaram alguma coisa, trouxe o Alan de volta? CAROL> Calma gente, as coisas não se resolvem desse jeito...Rique...eu era muito revoltada....quando tinha a sua idade, claro, sofri muito na vida, mas aprendi uma grande lição...o tempo nos ensina a ter paciência e resignação. RIQUE > Mas tia, me diz se eu não tenho razão? CAROL > Rique, nos precisamos fazer a nossa parte,mas também temos de vigiar e orar para que Deus nos fortaleça em nossa caminhada. RIQUE > Eu preciso muito da sua ajuda tia. CAROL > Olha rapaz....eu to chegando de viagem, to cansada...mas amanhâ....vou ao Hospital Psiquiátrico e gostaria de contar com você...topa? RIQUE > quem está internado lá...alguém da nossa família? CAROL > ei...você esqueceu que sou Psiquiatra? Mas não vou como médica. Lá existem muitos irmãos a espera de uma palavra amiga. RIQUE > Será um prazer acompanhá-la tia, tenho muito que aprender com você. (O REPÓRTER FAZ A PRIMEIRA INTERFERÊNCIA E CHAMA O PÚBLICO A APRECIAR A CENA DA OUTRA FAMÍLIA) PARTE 2 - NÚCLEO POBRE (Uma TV ligada...um comercial de um Micro sistem) RAFA > Mãe, mãe...vem ver o sonzaço que eu quero, é esse mãe! D.LAURA > Tá bom Rafael, já to cansada de ver essa propaganda. Vô ver se o dinheiro do Décimo Terceiro Salário sobra , talvez inda tenha saldo no meu cartão de crédito. ROSE > É né...pro Rafa a senhora compra qualquer coisa, só porque ele é o queridinho da mamãe...agora...eu que ralo duro zelando essa casa o dia inteiro, enquanto a senhora fica na Barraca da Feira e o Rafa só na Televisão e arengando comigo! RAFA > Mãe ...a senhora sabia que a Rose tava se perfumando toda no mercantil, usando os perfumes alheios ? ROSE > Rafa você é um come e dorme. (a Rose parte pra cima do Rafa e começa uma briga...e D.Lauro os separa) D.LAURA .> Vocês querem me enlouquecer de vez...Parem com isso. Olhem o tanto de contas pra pagar, só o meu dinheiro e da sua irmã Juliana num dá pra pagar tudo. RAFA > Eu num quero nem saber, a senhora dá um jeito, eu quero meu som. Quem mandou a senhora expulsar meu pai de casa! Ah...eu quero dinheiro pra jogar na Lan House agora. (Entra em casa a July) JULY > Gente, que confusão é essa ... lá da esquina dava pra ouvir a gritaria de vocês...o que está havendo mamãe? (Rafa e July falam ao mesmo tempo) RAFA > foi ela que começou. ROSE > Foi ele que começou. (D. Laura começa a chorar) D. LAURA > parem, parem...por favor (ela corre para July e a abraça)...eu num to mais agüentando minha filha (trêmula) o que eu faço (July também chora)...olha o tanto de conta pra gente pagar e esses dois inda ficam torrando minha paciência. JULY > calma, calma mamãe, a gente vai conseguir pagar essas dívidas, eu junto o meu décimo terceiro com o da senhora e .... (Rafa interfere) RAFA > mas num esqueça do meu som, viu July! JULY > Você e a Rose têm que conseguir um emprego para nos ajudar a pagar essas despesas...nem que seja um bico em um mercadinho. RAFA > Mas quem mandou a mãe expulsar o pai de casa? JULY > Rafael você já está bastante crescidinho pra saber os motivos que fizeram a minha mãe não querer que o papai morasse mais aqui...não torre mais a nossa paciência. (Rose provoca o Rafa e os dois saem brigando) D. LAURA > July ...eu tô sentindo umas perturbações...já faz tempo que isso ta acontecendo comigo....acho que to enlouquecendo...me ajude minha filha, me ajude. (elas saem abraçadas e limpando as lágrimas) (O REPÓRTER INTERFERE E FAZ UM COMPARATIVO SOBRE OS PROBLEMAS DAS DUAS FAMILIAS) (O REPÓRTER DIZ QUE VAI COBRIR UM REPORTAGEM NO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO) PARTE III - VISITA AO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO (A PLATÉIA TEM DE ESTAR EM FORMA DE TEATRO DE ARENA - MEIA LUA) (VÁRIOS PACIENTES COM SITUAÇÕES DIFERENTES ENRIQUECEM O CENÁRIO....SÃO FIGURANTES REPRESENTANDO E ENVOLVENDO O PÚBLICO COM SEUS PROBLEMAS...PASSAR A VISÃO DE UM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO) CENA > as pessoas pedem cigarro...outra conversa só...outra fixa o olhar em alguém e diz : eu te conheço? (O Rique e a Tia Carol estão no Hospital...lá também estão a D.LAURA E A JULY) (Rique fica um pouco assustado, se esquiva um pouco com medo dos pacientes, mas aos poucos vai se evolvendo e dando assistência necessária, se prontificando a ajudar...segue os conselhos da Tia Carol). ( TIA CAROL SE APROXIMA DE D.LAURA E JULY E DÁ VÁRIOS CONSELHOS) D.LAURA >(dirigindo-se a Tia Carol) Dona, aqui a gente encontra muita gente boa, mas é tudo misturado, as pessoas melhores com as doentes, ai tem hora que eu me sinto ainda mais perturbada. CAROL >Procure as áreas verdes , os jardins, aqui tem muito espaço, dê longas respiradas, vá à sala de vídeo, lá tem filmes belíssimos, tudo depende de como a senhora direciona os seus atos e pensamentos e ocupa o seu tempo livre. D. LAURA > mas os meus filhos, eles precisam de mim, como eles estão JULIANA? Cadê a Rosemeire e o Rafael que não vêm me ver? JULY > Mamãe, fique calma, eles estão bem, logo logo virão lhe ver. Descanse, tome os remédios na hora certa, obedeça aos médicos, tenha fé que tudo se resolve. (CAROL CHAMA RIQUE E FAZEM A LEITURA DE UM PEQUENO TRECHO DO EVANGELHO, COMENTAM E FAZEM UMA PRECE NO FINAL) CAROL> (dirige-se a D.Laura e entrega o Evangelho) Esse evangelho é pra senhora, abra-o e leia sempre que estiver precisando de um conselho . Tome seus medicamentos direitinho e verá como em breve a senhora estará aqui, não como paciente, mas ajudando outros a se recuperarem também. (TODOS SE DESPEDEM) PARTE FINAL ( a caravana) (Na véspera de Natal a Tia Carol leva o Rique para participar da Caravana da Fraternidade) (A July está na rua a procura do seu irmão Rafa que fugiu de casa já faz alguns dias) (N palco uma família de pedintes: uma senhora com um filho no braço e mais uma menina e um menino, enquanto eles pedem esmola, as pessoas desfilam com suas sacolas de natal e fazem comentários sobre a ceia de natal de logo mais a noite) (o repórter faz uma narração sobre o fato< enquanto a cena se desenrola) (CAROL E RIQUE ESTÃO INDO COM SACOLAS PARA SE ENCONTRAR NA PRAÇA E PARTICIPAR DA CARAVANA, QUANDO ENCONTRAM JULY E A IRMÃ ROSE,DESESPERADAS À PROCURA DO IRMÃO) CAROL > Ei...você é a July como vai sua mãe? JULY > (preocupada) Ainda está no hospital, já melhorou bastante...mas estou preocupada com O RAFA, ele fugiu de casa já faz uma semana e não me deu notícias. Estou indo passar a noite com a mamãe, mas não sei o que fazer agora, o que dizer a ela? ROSE > Acho que o Rafa tá é drogado por ai, desde que a mamãe saiu de casa, ele se meteu com uns amigos barra pesada. (RIQUE CORRE EM DIREÇÃO ÀS TRÊS) RIQUE> Gente, me ajude, tem um garoto drogado ali, quase morrendo...vamos levá-lo a um hospital....(July e Rose correm em direção ao garoto) JULY > É o meu irmão Rafa....Rafael o que você está fazendo aqui meu irmão? Fale comigo Rafa! RAFA > Me ajude July, senão eu faço uma besteira, eu vou me matar se você não me der mais dinheiro, quero mais drogas, me ajude July! (ELES SAEM ABRAÇADOS, RIQUE E CAROL OS AJUDAM ATÉ AO HOSPITAL). ( RIQUE E CAROL VÃO Á PRAÇA PARTICIPAR DA CARAVANA E DISTRIBUEM PRESENTES, ROUPAS E ALIMENTOS, AS CRIAÇAS CORREM EM DIREÇÃO A ELES). (CAROL CHAMA RIQUE AO LADO E COMENTA SOBRE A CARAVANA DA FRATERNIDADE) CAROL > Sabe Rique, a Caravana da Fraternidade é realizada aqui na praça sempre na véspera de Natal das 18 as 21 hs, ou seja, a gente participa e ainda dá tempo de retornar aos nossos lares e realizar a ceia com os nossos familiares. Essa distribuição de roupas, brinquedos e alimentos é apenas uma forma de amenizar o sofrimento dos nossos irmãos menos favorecidos que ficam abandonados nas ruas do centro da cidade. Enquanto em nossas casas estamos desfilando roupas novas , ceando em mesas fartas e nos confraternizando em nome do nascimento de Jesus, nossos irmãos estão nas ruas à espera de um pequeno lenitivo para amenizar o sofrimento. RIQUE > Tia Carol, muito obrigado por me fazer ver a vida por outros ângulos. Agora eu sei que as injustiças são causadas pela ambição e orgulhos dos homens, só com amor no coração conseguiremos crescer e ajudar as pessoas que precisam mais que nós. CAROL >O Mestre Jesus se manifesta para cada um de nós através dos nossos irmãos desamparados, acontece que na maioria das vezes nós não o enxergamos por causa do orgulho e egoísmo impregnados em nosso coração. Basta que mudemos o foco e aprendamos o Amor em Cristo que nosso caminho se ilumina e assim damos um pequeno passo rumo à evolução Moral. NARRAÇÃO FINAL O Natal remete-nos a Cristo. Procuremos não percebê-lo tão somente como um ícone religioso. Tentemos vê-lo como um reformador social, um pensador, um grande humanista. Encampemos suas idéias. Sua mensagem é clara e simples: " Ama teu próximo e promova a igualdade entre os homens ". Façamos do Natal uma atitude permanente e não uma festa com hora e dia marcados. Que o verdadeiro espírito natalino brilhe em nós, reformulando-nos, fazendo-nos a raiz mais profunda de nossa humanidade para que possamos ver o nosso semelhante s partir da nossa própria imagem. FELIZ NATAL
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