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Escrito por Tania Paupitz, em 26-09-2008 10:40
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Encontrava-me dia destes dentro de uma farmácia, quando acabei presenciando, a discussão entre duas mulheres. Uma delas havia parado o seu carro de modo irregular no estacionamento da farmácia, ocupando ao, mesmo tempo, duas vagas. Quando a dona do carro foi sair, percebendo que alguém a trancava, solicitou gentilmente que o (a) responsável, tirasse o carro o que acabou gerando toda a confusão.

Repentinamente, chegou à outra mulher, aparentando uns 30 anos, bastante transtornada, nervosa, criticando a fulana, por haver ocupado a vaga de dois carros. Aquela que havia solicitado, com educação, para tirarem o carro que a trancava e, que aparentemente parecia mais calma e equilibrada, tomada de surpresa, acabou entrando na energia negativa de toda a situação, gerando dessa forma, um enorme bate-boca, chamando atenção de todos que por lá transitavam.

Observando esta cena, pude perceber duas coisas importantes: primeiro, imaginei-me no lugar da pessoa que estava totalmente desequilibrada, constatando o quanto seria para mim, constrangedor e desagradável, estar naquele tipo de situação. Depois, meus pensamentos levaram-me a concluir, o quanto às pessoas, hoje, estão se irritando e se agredindo, por qualquer bobagem. Fiquei questionando o fato de estarmos cada vez mais, susceptíveis à exposição de situações delicada e, ao mesmo tempo, ridículas, devido, sobretudo, a esse descontrole emocional que, algumas vezes, somos acometidos. " Viajei" por um momento, na hipótese de que se aquela mulher soubesse que estaria sendo filmada e pudesse ter a oportunidade de se ver na cena que se desenrolava, com certeza, ficaria extremamente envergonhada, de sua atitude infantil e agressiva.

Na realidade vivemos todos, diariamente, sob uma grande situação de estresse. Seja, no trânsito, no trabalho, na escola e, principalmente, no convívio familiar, aonde não faltam motivos, para nos depararmos com situações de ansiedade, preocupação e, medo. A cada momento, podemos perceber o aumento assustador, do número de pessoas depressivas, ansiosas, vivendo sob uma grande tensão emocional, muitas vezes, liderada por calmantes e antidepressivos, de todos os gêneros. Isso vem nos mostrar, o quanto às pessoas se encontram de um modo geral, insatisfeitas consigo mesmas, em busca de algo ou alguma coisa, que a grande maioria nem sabe o que é. Talvez, as pessoas mais conscientes de si ou, mais presentes de seu mundo interior, não sintam esse vazio de forma tão evidente.

Do livro "Dores da Alma", de Francisco do Espírito Santo Neto, extraímos o seguinte comentário, a respeito desses estados de espírito, do qual somos, constantemente, acometidos: " Somente quando reconhecemos nossas "traves" - dispositivos interiores que limitam nossa marcha evolutiva - é que poderemos ver com lucidez que, realmente, são elas as verdadeiras fontes de infelicidade, que nos distanciam da paz e da harmonia que tanto buscamos".





È importante encontrarmos um meio de liberamos a carga de energia negativa que, constantemente, estamos acumulando, devido, ao estresse do dia-a-dia. . Quando nos irritamos e, acabamos agredindo outra pessoa, estamos de certa forma, lidando com um tipo de pressão interna, que visa, sobretudo, chamar nossa atenção, para as verdadeiras emoções e necessidades que, na maioria das vezes, não queremos enxergar.

É comum nos depararmos com cenas do tipo: " Entramos no elevador de um condomínio e, caso, venhamos a cumprimentar as pessoas que lá se encontram com um "bom dia" ou um "boa tarde", acabamos chamando atenção de todos que, nos olham admirados, como se o normal, fosse não ser educado. "A sensação que se tem, são olhares que se distanciam, evocando um "estar-se sozinho", ou simplesmente, " não quero conversa". São poucas as pessoas que hoje, ainda conseguem expressar, um sentimento de afeto e cordialidade por outro ser humano, principalmente, quando não o conhecem.
A impaciência domina o dia-a-dia, da maioria, das pessoas que estão esquecendo o verdadeiro significado da palavra - respeito mútuo. A pergunta que surge é:
- Estaria o ser humano perdendo a sua naturalidade, a alegria e a espontaneidade? Estaríamos fadados ao controle do Ego, que hoje predomina em nossa sociedade?

Quando somos dominados pelo Ego nossa vida vibra numa total falta de consciência com o todo, com nossa unidade intrínseca e com os outros. Isso acaba gerando sofrimento e uma grande ilusão, pois, sob seu domínio, o ego só consegue se satisfazer por vias tortuosas, ou seja, a neurose e a doença. Quanto mais rápidos somos em ligar rótulos verbais ou mentais a coisas, pessoas ou situações mais superficiais (identificação com a forma=ego) e sem vida, nossa realidade se torna. Todo grande ego está sempre lutando por uma forma de sobrevivência, nem que para isso tenha que passar por cima do outro, prejudicando-o. É ai que comumente encontramos um padrão de comportamento egoísta, sinalizado pelo habito compulsivo de estarmos sempre encontrando defeitos nas pessoas e nos queixando delas.

Quando uma pessoa atinge determinado grau de consciência ela dá um passo importante para a saúde do seu corpo e automaticamente acaba transmitindo mais paz e serenidade para as pessoas com as quais convive. O autoconhecimento é a chave para o sucesso em todos os níveis da nossa vida, pois ele desencadeia atitudes positivas o tempo todo. Tudo o que recebe atenção cresce na proporção em que aumenta o nosso nível de preocupação e estresse.

Há um pensador indiano ( Krishanamurti) que traduz bem a inutilidade de se lutar contra um padrão de pensamento negativo; ele diz: " A simples consciência de minha estupidez me livra dela. Ao dizer "Eu sou idiota" você estará se mostrando observador; não será mais um idiota. Mas se resiste ao que de fato é, então sua estupidez persiste. Neste mundo racional, a gloria é ser muito inteligente, muito esperto, muito complexo, muito erudito, mas a erudição não tem nada a ver com a inteligência. Para vermos as coisas como elas são, para entendermos o que realmente somos sem nenhum conflito precisamos da estupenda simplicidade da inteligência". Na presença da atenção serena, sentimentos como raiva, medo, ansiedade, intolerância ou depressão desaparecem como um passe de mágica.

Concluindo penso que, a cada dia, temos a oportunidade de aprender uns com os outros embora , como "meros expectadores" de determinadas situações , podemos aproveitar para nos focalizarmos no sentido positivo da questão, tirando lições e aprendizados importantes para nossa vida. Percebo que , pessoas correm apressadas, ansiosas, em busca desse algo ou alguma coisa, desconhecendo que no fundo, estão em busca de si mesmas ou, quem sabe; dessa serenidade interior que esquecemos de cultivar,através do dia-a-dia. Uma simples meditação, um ato de amor ou entrega, uma prece, um sorriso, um pensamento de "gratidão" pela vida; caminhar livremente pelo campo ou na praia, ler um bom livro, estar com os amigos, são pequenos gestos que fazem a "diferença".


Publicado em : Relacionamento, Pensamentos
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