| Meu relógio |
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Tic, tac, tic, tac, esse é o barulho que meu velho relógio produz, Na meia luz que ilumina meu quarto, Onde guardo em qualquer canto, Seu retrato com um sorriso brando. Mas que sorriso lindo você reservou para mim neste momento! Quanto tempo se passou quantas horas já se foram, E nós envelhecemos e nem mais parecemos com nossos retratos de antes, Que pecado jogar tanta coisa fora. Será possível transportar nossas memórias para dois mais jovens? E nossos pensamentos, para onde vão? Queria poder guardá-los numa caixinha, E uma vez ao dia, desamarrá-la para fugir da solidão. Que pecado jogar tanta coisa fora. Terá sido em vão todos esses anos, Para depois de tudo partir um após o outro, sem despedidas? Depois de tantas agruras e felicidades, Acabei ficando aqui, Escutando dia a dia o meu velho relógio, E na parede a fotografia sem melancolia, Projetando num futuro agora, minha agonia, De estar sentado no silêncio e guardando no peito, Um calvário de horas. Que pecado jogar tanta coisa fora.
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