| Portas para o além |
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Jumm tinha lá seus 7 anos quando foi abandonado em frente à um orfanato. A imagem dos pais sumiu em pouco tempo. Conseguia lembrar do beijo da sua mãe na testa e do pai o abraçando com lágrima nos olhos.
Era um garoto inteligente para sua idade, já havia calculado as chances dos pais voltarem e sabia que eram muito poucas ou nenhuma. Usava uma corrente quando dona Kabí o encontrou sentado ao lado de uma pequena mala na frente do orfanato. - Você irá morar aqui agora. Qual o seu nome? - Eu não tenho nome. - o garoto falou. Não queria ser chamado pelo nome dado por pais que estariam ausente dali em diante. - Que tal Cadu? - Tá. - ele respondeu. Qualquer coisa seria melhor que Jumm, o nome que não queria ouvir nunca mais. Seus pais haviam escolhido o nome e o abandonaram. Não queria nenhum elo de ligação agora. Dona Kabí deu um sorriso e o levou para dentro. - Existem inúmeras regras aqui Cadu, você logo aprende. Mas a que você realmente deve respeitar se quiser ficar aqui é de nunca entrar na porta de listra no porão. É claro que Jumm não queria ficar ali, mas onde acharia um teto para dormir e comer? Ali seria seu ponto de refúgio. Poderia um dia ir embora se quisesse, fugir pra sempre. - O que há com essa porta? Porque não posso entrar? - Atrás dela há um perigo inimaginável. Alguns que a atravessaram acharam uma aventura cruzá-la, mas nunca puderam voltar morar aqui. - Quem são eles? - Você logo saberá! Seus novos amigos lhe contarão. Jumm andou pela casa. Não parecia um orfanato. Usou a estratégia de ver aquele lugar como uma casa e de tratar todos como uma família. Ficou sabendo em pouco tempo quem eram os que atravessaram a porta de listra. Mas nunca soube o que havia atrás da porta. Dois anos se passaram e a porta agora vinha aos sonhos de Jumm. Eram sonhos bons, uma voz doce chamava por ele: - Jumm, Jumm. Entre aqui. O garoto acordava suando frio. Que voz era aquela e porque chamava pelo seu nome antigo? Tinha que dar um basta na curiosidade. A porta não era algo comum. Porque foi proibido de passar por ela? Já sabia que os que atravessaram a porta tinham antes ido ao quarto de Kabí. Foi pensando nisso que então caiu a ficha. A chave da porta de listra estava no quarto de Kabí. Esperou que anoitecesse e foi ao quarto dela. Ela gostava de dormir tarde e geralmente ficava na rua andando entre as árvores. Sem fazer barulho entrou no quarto e sem que precisasse procurar, correu até a única gaveta na estante ao lado da porta. Dentro dela só havia uma chave. Pegou-a e correu ao porão. Viu a porta de listra e quando se aproximou ela ficou iluminada por dentro e todo o porão se iluminou. Girou a chave na fechadura e a porta de abriu sozinha para dentro. Não havia chão ali dentro, que parecia ser feito de nuvens. Jumm sentiu o corpo entrar mesmo que estivesse parado em frente a porta. Entrou como em pensamento ali dentro, e viu duas pessoas. Enquanto isso a porta se fechou um pouco. Eram seus pais. Estava triste, lembrou-se de ser abandonado naquele orfanato. Mesmo assim abraçou-os e aquele elo forte fez a porta se fechar quase por completo. Seus pais quase o puxaram para dentro. - Não Cadu. - gritou Kabí correndo para pegá-lo. Cadu estava caído no chão desmaiado em frente a porta que estava quase se fechando. Kabi escancarou a porta e entrou apenas com a alma. Puxou Jumm que parecia feliz no colo dos pais e o levou de volta para seu corpo. Fechou a porta e a chaveou. Jumm acordou. - Por que você me tirou dos meus pais? - Eles estão no céu Cadu. Essa é uma porta que leva ao mundo que eles estão agora. Seus pais os deixaram aqui em frente enquanto a alma deles ainda não tinha passado por completo para o Céu, então foram para lá. E agora vivem muito bem. Ainda não era seu tempo de ir para lá. Por isso o proibi de passar pela porta listrada. - E se eu quiser ir viver com meus pais? - Eu não posso permitir. - Por que você tem uma porta que leva ao Céu aqui? - Porque sou eu que levo às pessoas para atravessarem essa porta. - E por que você deixa a chave num lugar fácil de ser achado? - Porque permito somente a alguns passarem pela porta e receberem respostas que estavam procurando. Se a porta se fechasse sua alma se separaria do seu corpo para sempre. Jumm foi para seu quarto. Sabia que Kabí controlava a passagem das pessoas para lá. Logo acharia um jeito de passar pela porta e viver com os pais, nada mais ali importava, sabia agora porque havia sido abandonado, os pais haviam feito a passagem para o Céu. Tudo parecia muito estranho. Kabí entrou no quarto com a mala de Jumm. - Eu havia lhe avisado. Você não poderia passar pela porta de Listra. Agora terá que ir embora. - Mas para onde eu vou? Kabi lhe entregou um cartão com o nome de um outro orfanato. - Você já sabe demais! Poderá encontrar mais respostas nesse lugar. E para o seu próprio bem nunca entre pela porta dos olhos. Jumm arregalou os seus olhos. Logo teria mais respostas... Continua.
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