Portas para o além Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Fábio Ribeiro dos Santos, em 23-09-2008 17:39
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Jumm tinha lá seus 7 anos quando foi abandonado em frente à um orfanato. A imagem dos pais sumiu em pouco tempo. Conseguia lembrar do beijo da sua mãe na testa e do pai o abraçando com lágrima nos olhos.

Era um garoto inteligente para sua idade, já havia calculado as chances dos pais voltarem e sabia que eram muito poucas ou nenhuma.

Usava uma corrente quando dona Kabí o encontrou sentado ao lado de uma pequena mala na frente do orfanato.

- Você irá morar aqui agora. Qual o seu nome?

- Eu não tenho nome. - o garoto falou. Não queria ser chamado pelo nome dado por pais que estariam ausente dali em diante.

- Que tal Cadu?

- Tá. - ele respondeu. Qualquer coisa seria melhor que Jumm, o nome que não queria ouvir nunca mais. Seus pais haviam escolhido o nome e o abandonaram. Não queria nenhum elo de ligação agora.

Dona Kabí deu um sorriso e o levou para dentro.

- Existem inúmeras regras aqui Cadu, você logo aprende. Mas a que você realmente deve respeitar se quiser ficar aqui é de nunca entrar na porta de listra no porão.

É claro que Jumm não queria ficar ali, mas onde acharia um teto para dormir e comer? Ali seria seu ponto de refúgio. Poderia um dia ir embora se quisesse, fugir pra sempre.

- O que há com essa porta? Porque não posso entrar?

- Atrás dela há um perigo inimaginável. Alguns que a atravessaram acharam uma aventura cruzá-la, mas nunca puderam voltar morar aqui.

- Quem são eles?

- Você logo saberá! Seus novos amigos lhe contarão.

Jumm andou pela casa. Não parecia um orfanato. Usou a estratégia de ver aquele lugar como uma casa e de tratar todos como uma família.

Ficou sabendo em pouco tempo quem eram os que atravessaram a porta de listra. Mas nunca soube o que havia atrás da porta.

Dois anos se passaram e a porta agora vinha aos sonhos de Jumm. Eram sonhos bons, uma voz doce chamava por ele: - Jumm, Jumm. Entre aqui.

O garoto acordava suando frio. Que voz era aquela e porque chamava pelo seu nome antigo?

Tinha que dar um basta na curiosidade. A porta não era algo comum. Porque foi proibido de passar por ela? Já sabia que os que atravessaram a porta tinham antes ido ao quarto de Kabí. Foi pensando nisso que então caiu a ficha. A chave da porta de listra estava no quarto de Kabí.

Esperou que anoitecesse e foi ao quarto dela. Ela gostava de dormir tarde e geralmente ficava na rua andando entre as árvores.

Sem fazer barulho entrou no quarto e sem que precisasse procurar, correu até a única gaveta na estante ao lado da porta. Dentro dela só havia uma chave. Pegou-a e correu ao porão. Viu a porta de listra e quando se aproximou ela ficou iluminada por dentro e todo o porão se iluminou.

Girou a chave na fechadura e a porta de abriu sozinha para dentro.

Não havia chão ali dentro, que parecia ser feito de nuvens. Jumm sentiu o corpo entrar mesmo que estivesse parado em frente a porta. Entrou como em pensamento ali dentro, e viu duas pessoas. Enquanto isso a porta se fechou um pouco. Eram seus pais. Estava triste, lembrou-se de ser abandonado naquele orfanato. Mesmo assim abraçou-os e aquele elo forte fez a porta se fechar quase por completo. Seus pais quase o puxaram para dentro.

- Não Cadu. - gritou Kabí correndo para pegá-lo. Cadu estava caído no chão desmaiado em frente a porta que estava quase se fechando. Kabi escancarou a porta e entrou apenas com a alma. Puxou Jumm que parecia feliz no colo dos pais e o levou de volta para seu corpo. Fechou a porta e a chaveou.

Jumm acordou.

- Por que você me tirou dos meus pais?

- Eles estão no céu Cadu. Essa é uma porta que leva ao mundo que eles estão agora. Seus pais os deixaram aqui em frente enquanto a alma deles ainda não tinha passado por completo para o Céu, então foram para lá. E agora vivem muito bem.

Ainda não era seu tempo de ir para lá. Por isso o proibi de passar pela porta listrada.

- E se eu quiser ir viver com meus pais?

- Eu não posso permitir.

- Por que você tem uma porta que leva ao Céu aqui?

- Porque sou eu que levo às pessoas para atravessarem essa porta.

- E por que você deixa a chave num lugar fácil de ser achado?

- Porque permito somente a alguns passarem pela porta e receberem respostas que estavam procurando. Se a porta se fechasse sua alma se separaria do seu corpo para sempre.

Jumm foi para seu quarto. Sabia que Kabí controlava a passagem das pessoas para lá. Logo acharia um jeito de passar pela porta e viver com os pais, nada mais ali importava, sabia agora porque havia sido abandonado, os pais haviam feito a passagem para o Céu. Tudo parecia muito estranho.

Kabí entrou no quarto com a mala de Jumm.

- Eu havia lhe avisado. Você não poderia passar pela porta de Listra. Agora terá que ir embora.

- Mas para onde eu vou?

Kabi lhe entregou um cartão com o nome de um outro orfanato.

- Você já sabe demais! Poderá encontrar mais respostas nesse lugar. E para o seu próprio bem nunca entre pela porta dos olhos.

Jumm arregalou os seus olhos. Logo teria mais respostas...

Continua.


Publicado em : Literatura Infantil, Contos
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Comentários (1)
Postado em Elel, em 24-09-2008 13:24, , Membro Registado
Gostei, leitura fácil, que prende ao primeiro contato fazendo de cada frase um atrativo para a seguinte, interessando o leitor que quer chegar a conhecer o final...Parabens!
 
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