Nenhum dado científico é verdadeiro Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Gilberto Rabelo Profeta, em 16-09-2008 23:06
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Vivemos atualmente o mito das Ciências. Não quero ser chato e falar sobre isto com cientificismo. É preciso debulhar em linguagem simples, o que, se conseguido, ainda fica meio complicado.

As ciências trabalham com dados, o que já demonstra a sua natureza. Um dado tem seis lados, e, usualmente, traz à mente um algarismo de um a seis em cada face. Mas a natureza do dado comporta muito mais, e em cada face pode haver uma figura diferente e não algarismos. Peraí!, dirão. Os dados trazem números. É o primeiro engano. Os dados trazem algarismos que se tornam números quando o dado retorna ao estado de inércia após ter sido lançado. Um algarismo se torna um número de acordo com o passageiro ao lado, à sua esquerda, ou à sua direita. É por isto que se fala, um zero à esquerda... não vale nada. Êpa! Já se fala bobagem! Um zero à esquerda tem valor, sim, em dependência da sua posição no número. Um zero à esquerda do primeiro algarismo não tem valor! É o que se pensa, pois ainda depende do sistema numeral em que se escreve o número. Há outros sistemas de numeração e lá não se fala algarismos, mas dígitos. No sistema binário 1 é diferente de 0001, têm o mesmo valor, mas são diferentes, pois o segundo número já está escrito em código binário BCD 8421, cujo valor é facilitar a compreensão do sistema binário no sistema decimal. E tem mais 0001 pode estar escrito em sistema octal (base 8) ou hexadecimal (base 16). A coisa parece complicada, mas não é, apenas não nos preocupamos em nos acostumar com elas. Tudo depende da base em que o número está escrito. Todo mundo na compreensão imediata, diz que 34 + 23 = 57, e pensa que o número de elementos do conjunto contado seja 57. O sentido está com o emissor, e se o emissor não disser que sistema numérico usou, a resposta fica impossível. É apenas um chute, "eu acho que é", mas quem dá o resultado insiste que está correto. No sistema de base 5, 34 + 23 = 62, e há somente 32 elementos somados, considerando-se a soma no sistema de base 10.

Os dados científicos são apresentados em números no sistema decimal. Parece simples, mas na natureza nada é simples, tudo se transforma. Os dados científicos são transformados por outro sistema de compreensão da realidade, a estatística. Esta parte é de difícil compreensão e tem muita gente por aí, com diploma e doutorado que se confunde, e publica resultados "científicos" como se verdades fossem. As ciências não trabalham com verdades, apenas com hipóteses. Antigamente pensava-se que uma hipótese comprovada se transformava em verdade. Mas a experiência foi repetida tantas vezes e deu sempre o mesmo resultado, então é verdade! (Verificabilidade da hipótese) É ingenuidade, como ingênuo é supor que, tendo-se jogado o dado três vezes e conseguido o número 3 em cada jogada, ao se jogar a quarta vez, o dado nos mostrará o número 3. O jogo de dados é simples. Se jogar uma vez deu três, é acaso; na segunda jogada, deu 3, é sorte; na terceira jogada, deu 3, pode ser sorte ou o dado pode estar viciado; se na quarta jogada, der 3 de novo, a hipótese de que o dado esteja viciado fica bastante fortalecida. Contudo, um dado é jogado 100 vezes e dá a cada vez o número 3, com certeza, é um dado viciado? Nem sempre, o dado pode ser honesto e estar incluso em um sistema que está viciado. Este simples exemplo demonstra o raciocínio exigido por uma mente científica: não existirá uma verdade científica, pois se ela for demonstrada mil vezes e der mil vezes o mesmo resultado, é possível que a experiência esteja viciada, pois isto só é possível em um sistema fechado. A natureza é um sistema aberto, tudo se transforma continuamente, de modo lento ou rápido, mas a natureza é devir. Todo aquele que se arvora de cientista deveria saber disto, pois faz pesquisas justamente para apressar - e direcionar - as transformações da natureza. Procura-se controlar este defeito das experiências científicas dizendo "nas condições necessárias para que", ou seja, realizando uma experiência em um sistema fechado de condições necessárias para que o resultado se dê. Isto em si já introduz um vermezinho nos intestinos de muitos cientistas e muitos aloprados divulgam como "científicos" dados por ele manipulados, arrumando as condições necessárias para obter o resultado desejado.

Há outra dificuldade com os dados científicos. Quantas faces tem um dado científico? Depende do que se pesquisa. As ciências que lidam com objetos concretos dizem o resultado com um desvio padrão: fazendo-se reagir 1mg da substância A com 2 mg da substância B, obtém-se 3 mg da sustância C, pela lei de conservação de massas, mais ou menos x, pela, digamos, "lei do desperdício ou acréscimo". O numero x é tanto menor quanto maior a acurácia com que a experiência foi realizada. Em uma experiência porca, x = 0,1, por exemplo, enquanto em uma experiência realizada adequadamente, x = 0,001. A estatística é bem facinha. Quando as experiências lidam com dados menos concretos, como em medicina, em psicologia, as coisas ficam mais complicadas. Podemos simplificar dizendo que, em uma experiência deste tipo, procura-se uma diferença e que esta diferença tem que ser significativa, e indica-se a significância com a letra p. O que o dado destas pesquisas informa é que há uma diferença significativa, que terá valor apenas se p estiver em determinados limites pré-estabelecidos. Exemplificando: a hipótese Y foi testada em 100 pacientes, mostrou-se positiva em 77 e negativa em 23. Esta diferença é significativa? Sim, p = 0,001 ou não, p = 0,01 Isto não significa que "a experiência não mostrou que o que ocorre na natureza seja Y", apenas que a diferença da ocorrência de Y é significativa em comparação com a sua não ocorrência, mas, cuidado! Y e não-Y ocorrem na natureza apesar de toda pesquisa que se faça! Apenas se pode afirmar que Y ocorre mais frequentemente que não-Y, e de forma consistente.

Há outro dificultante na compreensão de dados científicos: o instrumento que se usa para ler a realidade que está em ocorrência no experimento que se faz. Recentemente publicou-se que as ciências comprovaram que os cérebros dos homossexuais são iguais aos cérebros de gênero biológico oposto ao seu, medindo-se por alterações vistas em um exame chamado ressonância magnética. Este exame mostra o cérebro, mas como a experiência foi realizada não o mostra, mostra apenas alterações no seu funcionamento. Mas... não se precisa de experiência cara para se saber que o cérebro de um homossexual funciona como o cérebro do sexo que adota! É preciso ler a noticia assim: mostrou-se, pela ressonância magnética, que o cérebro de um homossexual funciona (Y) como o do cérebro do sexo que adota em x%, não funciona (não-Y) em y%, e o índice de significância da diferença foi p = z Aí se pode analisar o valor do dado científico: se z = 0,1 ou 0,01 a diferença não pode ser levada em conta, mas pode ser levada em conta se z = 0,001. E quando aplicar o dado "científico" na vida prática e usar a ressonância magnética com este fim, deve-se saber que "existem homossexuais cujo cérebro não funciona como o do sexo biológico que adota", pois a experiência, apesar de a Flauta de Hamelin ter anunciado que "foram encontradas provas científicas" de que funciona!

É preciso saber disto para se receber notícias de experiências científicas. Quando as lemos em artigos científicos estas muitas faces do dado científico estão disponíveis, e ainda assim muitos "cientistas" pisam na bola ao usar os dados das pesquisas. Quando a noticia científica vai para o jornalismo, aí as coisas complicam, pois de maneira geral a mídia vende a idéia de que as Ciências lidam com a Verdade. A "verdade" inicial era ser a terra platiforme, pensou-se, depois, que era redonda, o que está na boca do povo, mas prova-se que tem a forma de pêra (pronto! Aí está a comprovação do que acima se diz: forma de pêra! Como pode ser se cada pêra tem uma forma?) Provou-se que a porcelana era isolante elétrica, não conduz a eletricidade; hoje se sabe que ela é supercondutora, conduz até demais.

Isto Artaud (1896-1948) intuiu antes de 1946, antes de Karl Popper ter iniciado a ensinar novos parâmetros para o método científico. Artaud traz que "é preciso duvidar até destruir as evidências" e Popper ensina que "só é científica aquela teoria que possa ser refutável", ou seja, mostrada ser falsa, quando se pensava que o critério deveria ser a sua verificabilidade, da evidência ou da teoria.

A existência de bruxas já foi bastante evidente, sustentado por um corpo teórico (Malleus Malleficarum): lembram-se o quanto de ser humano foi queimado em fogueira?


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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Comentários (1)
Postado em maria_moraes, em 18-09-2008 18:52, , Membro Registado
Concordo plenamente com o enunciado e até que alguém prove o contrário, nada é definitivo. 
Gostei muito e desculpe a brincadeira. 
Maria
 
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