| PARA VIVER |
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Para viver eu preciso De um cantinho, de um bom vinho, De um bom trato, de um bom prato, De um riso, de um sorriso, de um carinho, De um abraço, de um afeto, Dos meus filhos por perto. Para viver eu preciso Do contato, do impacto, do espanto, Do riso espontâneo solto e alegre, do pranto, Do amigo magnânimo, da ilusão, do sonho, do encanto, Da ida da volta, do reencontro. Para viver eu preciso Que você se dissolva por um tempo, Dê um tempo e me solte, Que você vá embora, mas não se revolte, Porque para viver eu preciso, É fundamental que você volte. Para viver eu preciso Ler todos os dias um poema de Vinícius, Lembrar de cristo e suas palavras sagradas, Reavaliar todos os meus princípios, Chegar sem medo à beira dos precipícios Ver e sentir o perigo, Mas não bater, em retirada, Readquirir forças e encarar os novos desafios. Para viver eu preciso Entrar, olhar e sentir o ambiente dos hospícios, E depois olhar para o meu próprio umbigo E consciente dizer que eu também tenho culpa, Que eu poderia ajudar mais e ser mais amigo, E não tentar encontrar, como sempre faço uma desculpa. Para viver eu preciso De tempo, de paz e inspiração, Desligar-me, pensar e escrever, Sonhar e me envolver, Ouvir e entender o que diz o meu coração. Conservar o meu estado de paz, Procurar estar sempre em alto astral, Estar sempre disposto e disponível, Evitar o que não me apraz Querer mais, o possível e o impossível. Para viver eu preciso Reavaliar os meus conceitos, Reconhecer os meus defeitos, Estar ciente das minhas obrigações e direitos, Pesar os prós e os contra, Agir sempre com bom senso, Evitar ser, simplesmente por ser, do contra. Para viver eu preciso Conhecer gente nova; novos lugares, Sonhar, tentar, ousar, arriscar, Envolver-me e correr o risco de amar, Viajar e respirar novos ares. Para viver eu preciso Destravar as portas, abrir as janelas, Deixar a luz entrar naturalmente, E dormir tranqüilamente Como se a natureza fosse a própria sentinela. Para viver eu preciso Fazer versos e criar frases bonitas, E dizer palavras que ainda não foram ditas. Percorrer caminhos ainda não percorridos E descobrir tantos outros ainda não descobertos. Para viver eu preciso Estar em paz com a minha consciência E também com quem eu amo, Ser amado e estar amando, Mas o tempo todo, não de vez em quando, E de vez em quando fazer um reclamo Mas sem perder a paciência. Para viver eu preciso Saber se entre nós ainda existe a mesma atração Se ainda batem no mesmo compasso o meu e o teu coração. Preciso saber que alguém sentiu a emoção que eu senti Quando leu um poema de amor que para você eu escrevi, E mudou, sobre o amor, a sua visão. Para viver eu preciso ser preciso Em tudo o que penso, falo e escrevo, E entender que assim sendo Você vai gostar do que estás lendo E então eu não me prescrevo.
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