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ESA #28 - Um recital, várias frustrações! Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Mariana Mello, em 10-09-2008 19:21
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O professor de terno preto e com o microfone na mão anunciou:

- E agora um duo de Violinos! Aplausos para Sofia Ferreira e Isabella Yumi Furuhara!!

Renato sentiu seu coração palpitar imediatamente, como um tambor no meio da guerra! Segurava um buquê de rosas colombianas vermelhas e precisou fazer malabarismo para conseguir aplaudir enquanto Sofia e Isabella entravam no palco com um vestido prateado e maquiadas como duas artistas!

O auditório do teatro estava lotado, eram muitos parentes e amigos que prestigiavam os jovens que estavam se apresentando. O Conservatório Ludwick Van Hallen era tradicional e atendia numa região de classe alta, portanto era de se esperar que a apresentação fosse cheia de requinte e ostentações. A decoração era toda feita de cetim branco e margaridas.

O palco era bem equipado com uma acústica invejável, digna de apresentar os alunos do conservatório. Havia jogo de luz e figurinos, a apresentação seguia um só tema, naquele ano o tema era: As quatro estações do ano. Renato ficou surpreso como havia musicas inspiradas em uma coisa tão boba e tão cotidiana... Sofia estava apresentando-se na parte do Inverno e seu tema era a chuva.

Mas Renato não estava conseguindo prestar atenção na apresentação no geral. Suas mãos estavam suando de tanto nervosismo! Ficara o dia todo ensaiando um discurso para dizer à Sofia como gostava dela e como estava sendo importante para ele todos esses telefonemas e palavras de carinho que trocavam. Tinha medo de se atrapalhar todo na hora de falar com ela e não conseguir... além disso as rosas caríssimas que comprara com seu pai não podiam murchar e deveriam estar impecáveis no momento.

Pretendia acabar ali, naquela noite, todo aquele clima de segredo que se arrastou ao longo da semana na escola. Será que uma semana era pouco para Sofia? Será que ela não tinha certeza se gostava dele e por isso ficava inventando desculpas? A única coisa de que Renato tinha certeza era de que ele precisava falar com Sofia! Dizer para ela como se sentia e ponto final.

Mas a vontade que Renato tinha de dizer as coisas ultrapassava a figura de Sofia. Renato queria dizer para todo mundo que se sentia verdadeiramente feliz, pela primeira vez em sua vida! Era como se tudo fizesse sentido e até jogar basquete estava mais interessante e mais gostoso. Toda a sua vida ganhou uma nova cor. E essa cor era cor-de-rosa, como os cabelos tingidos de Sofia!

Tudo o que Renato mais queria era ficar com Sofia, de bem com todos, assumidamente, sem ter que esconder nada de ninguém! Acreditava que não havia nada de errado em eles se gostarem. Renato queria que Sofia pensasse assim também! E ela ia... depois que ouvisse todo o discurso que ficou ensaiando horas na frente do espelho, para não errar nada, para parecer seguro de si, para que Sofia não sentisse nenhuma insegurança entre eles. Renato queria ser feliz com Sofia e queria que Sofia fosse feliz com ele.

Seus pensamentos foram cortados de forma imediata, quando Erick pisou no seu pé, empurrado por Joyce e Guta, que pulavam mais que pererecas no brejo, aplaudindo Sofia e Isabella, que deixavam o palco.

- Ai! – Renato reclamou, porque era até covardia Erick pisar de coturno em cima de seu Adidas.

- Foi mal. – foi a única coisa que Erick disse desde a hora que chegara.

Renato tinha certeza que Erick não era de conversar muito com ele, certamente eram diferentes demais para que houvesse algum tipo de proximidade que não forçada, mas ele não estava falando com ninguém.

- A Sofia toca muito, não é? – Renato puxou assunto, mas depois se arrependeu. Falar de Sofia com Erick era algo sem cabimento. Era isso que acontecia quando Renato ficava ansioso demais ou nervoso: ficava sem cabimento!

- É. – Erick respondeu para não ser mal-educado. Estava de ressaca, o som alto só piorava tudo. Passara o dia inteiro com dor de cabeça tendo que agüentar Joyce e seus infindáveis exercícios de matemática, repletos de complicações. Odiava álgebra, mas odiava ainda mais álgebra com dor de cabeça.

- As provas começam daqui a uma semana... não vejo a hora das aulas acabarem, quero férias! Vamos ter treino quase todos os dias, mas é muito melhor do que aquelas aulas chatas. – Renato continuou sua conversa, vendo aquela como uma das poucas oportunidades de dizer algo para Erick... o único problema era que ele não sabia muito bem o que dizer.

- Qualquer coisa é melhor que aula. – será que alguém tinha uma aspirina?

- Você e o pessoal vão depois à festa?

- Sim...

- Puxa que bom. Assim poderemos conversar mais. – Renato sorriu.

- Eu preciso sair daqui. – Erick disse e passou por Renato, atravessando toda a fila do auditório até o corredor, onde saiu pela porta, deixando o barulho para trás.

Erick foi sentar na escada de mármore branco do salão do teatro. Ainda não sabia o que estava fazendo ali e porque não podia estar em casa dormindo. Seria muito melhor em todos os sentidos.

Mais uma vez a porta do salão abriu, Guta também deixou o barulho para trás e sorriu assim que viu Erick.

- Você parece um gótico hoje, todo de preto, nessa escada branca... parece que está em um cemitério!

- Não tem nenhuma caveira aqui, não é um cemitério!

- Você e uma caveira seria poético: “Ser ou não ser!” – brincou, com um sorriso de batom rosado na boca, de vestido lilás sem estampas.

- Desde quando Shakespeare é uma obra gótica, Guta? – riu.

- Não é? Fala de vingança e de morte! Falar de morte não seria algo gótico?

Guta sentou-se do lado dele e mexeu nos pés, que estavam calçados com uma sandália lilás de salto transparente e fino.

- Meus pés estão me matando! O pessoal não senta, fico com vergonha de sentar o tempo todo. Não sei como a Joyce agüenta aqueles saltos dela...

- É...

- Ei, o que você tem? – Guta quis saber, tratando de ajeitar os grampos no cabelo.

- Estou com dor de cabeça. Aqueles sons agudos estavam acabando comigo.

- A Joyce ficou muito brava com você por causa de ontem?

- Na hora eu achei que não, mas hoje ela não me deu sossego... não parei de estudar um minuto, já estava enlouquecendo. Fiquei até feliz de ter que vir pro Recital. Acho que ela fez de vingança!

Guta soltou uma daquelas gargalhadas divertidas:

- Claro que não, Erick! A Joyce é meio neurótica com estudo mesmo, ela estuda todo dia, o tempo todo... acho que só para pra arrumar o cabelo, porque comer ela não come!

- A Joyce come um monte! – Erick comentou. – Mais que eu!

- Eu nunca vi a Joyce mastigar nada!

- Você tá doida... ei, será que esse castigo musical já acabou?

- Espero que sim, eu quero sentar!

- Mas você está sentada! – e quem respondeu foi André, do outro lado do salão. Não viram quando ele saiu pela porta do teatro. – O que vocês estão fazendo aqui?

- Estou com dor no pé. – Guta reclamou. – Queria poder usar tênis o tempo todo!

- Eu uso. – André se aproximou dos dois e logo estendeu a mão para Guta. – Vem, vamos voltar! – Toda vez que via Guta com Erick agora era isso: ficava enciumado e pensando que Guta seria a próxima vítima. Seu coração parecia que ia pular para fora da garganta por sua boca. Era um medo que ele não sabia explicar.

Guta segurou na mão de seu príncipe encantado e ficou em pé:

- Não vem Hamlet? – perguntou antes de descer os três degraus, debochada.

- Depois, Ofélia.

- Vamos, antes que a gente perca o próximo ato. – André puxou Guta, assim que chegaram dentro do Teatro, antes mesmo de andarem até seus lugares, André continuou – Por que ele te chamou de Ofélia?

- Foi uma brincadeira! Eu disse que ele parecia um gótico...

- Sim, mas você chamou ele de Hamlet.

- E o que é que tem?

- Ué, quem eram Hamlet e Ofélia?

- Eu não sei, eu nunca li Hamlet... – Guta deu de ombros e foi na frente até seu lugar. André estava muito implicante com tudo o que ela fazia. Parou do lado de Joyce, que estava conversando com Cecília. – Ei, Joyce! O Erick tá te chamando lá fora.

- Ah... ok! – e dito isso, Joyce deixou o auditório.

Quando chegou ao salão de mármore viu Erick nas escadas que davam acesso ao camarote. Andou devagar em cima de seus scarpins vermelhos e de verniz, que combinavam sedutoramente com seu batom e sua blusinha de seda. Usava uma calça preta de cetim e os cabelos estavam presos com uma presilha de ouro em forma de um laço.

- Erick? Tudo bem? – perguntou assim que chegou ao pé da escada, evitando se sentar achando que o local estava sujo.

- Tudo, só estou com dor de cabeça e meio de saco cheio do recital.

- Desculpe fazer você vir. – fez uma careta chateada.

- Não tem problema. – Joyce pedia desculpa demais, isso às vezes o irritava, especialmente quando estava de mau-humor como naquele momento.

- Se você quiser podemos pular a festa.

- Eu não quero te atrapalhar, Joyce. E nem estudar mais por hoje...

- Bobo, não precisa estudar mais hoje. – sorriu finalmente, com toda beleza que tinha. – Eu vou voltar para o teatro, o espetáculo ainda não acabou e a Cecy disse que no final eles entregam prêmios, parece que a Sofia pode ganhar um, eu queria assistir.

- Ah... tá.

- Não vai voltar lá?

- Não...

- Nos encontramos na saída, pode ser?

- Certo. – Erick não conseguiu responder mais nada. Joyce debruçou-se marcando seus lábios com um beijo de batom antes de voltar para o teatro, deixando-o sozinho.

Suspirou.

O pior de tudo não era ter que estudar horas a fio, estar naquele recital ou ainda lidar com a maldita ressaca. O pior de todo era Joyce: seu perfume de flores, seu sorriso perfeito, sua pele macia, sua voz... tudo isso era como Kriptonita: suas pernas ficavam bambas e perdia o fôlego. Não havia sentido nada parecido com isso antes... era um presságio, certamente, um presságio que anunciava com todas as letras possíveis: Você está encrencado Erick.

No fim do recital Sofia foi abordada por Renato, que entregou a ela o buquê de rosas colombianas vermelhas como rubis:

- São para você. – estendeu com os braços duros, totalmente sem jeito. Os cabelos loiros caindo por cima dos olhos verdes, com um sorriso tímido no rosto.

- Obrigada! – Sofia pegou o buquê e o abraçou, beijando-lhe o rosto.

- Ai Sofia você estava linda! – Guta se aproximou, tirando a atenção de Sofia de Renato.

- Parabéns pelo prêmio! Você é muito talentosa! – Joyce também se aproximou.

- Viva a Sofia! Viva a Sofia! – Cecília bateu palmas, de legging preta por baixo de uma bata lilás e branca, com glitter, de scarpin preto. – Vai trocar esse vestido horrível ou vai assim pra festa?

- Vou trocar! – Sofia riu, segurava o buquê em um braço e o prêmio de vidro em outro. Ganhara o prêmio por seu alto desempenho e desenvoltura, além de ter recebido uma bolsa de estudos para o próximo semestre e com isso, sabia que podia pedir aos pais um instrumento novo e melhor! Estava contente e radiante com tudo, parecia que tudo estava dando certo.

- Mas não tira esses enfeites da cabeça, estão maravilhosos! – Joyce comentou.

- Ah, tá... – depois do comentário, Sofia queria arrancar os enfeites da cabeça e jogar dentro da privada. Que saco que Joyce estava lá, que saco!

- Vamos esperar você lá fora! – Cecília passou o braço com Joyce e com Guta, saindo com as amigas, pronta para a festa! Para Cecília, uma festa era sempre a melhor parte em tudo!

Renato ainda sobrou ali com Sofia, mas notou que ela se ocupou com outras colegas que a abraçavam. Não, aquele não seria o momento que precisava e, portanto, seguiu os amigos que saiam do auditório.

O salão de festas estava movimentado. Além do Buffet de massas digno de uma festa de debutantes, havia uma pista de dança ao som de música eletrônica, muitas luzes de discoteca e até fumaça de gelo seco.

Cecília com um copo de champagne na mão:

- Na boa Joyce, o Erick não tem nada a ver com você. – resmungou, em pé na frente da mesa de docinhos. Estavam degustando os camafeus. – Ainda não entendi o que você tem na cabeça para ficar com esse cara!

- Hm, você acha? – Joyce pareceu não se importar com o comentário, lambeu os dedos, erguendo as sobrancelhas castanhas.

- Ele é uma negação, um zero a esquerda, uma rainha como você tinha que ficar com um rei, alguém a sua altura, que te fizesse brilhar ainda mais!

- Oh. – Joyce não entendeu o que Cecília quis dizer. Sabia que Erick não era uma referência de responsabilidade, mas reconhecia em seu namorado uma série de qualidades.

- Tudo bem que ele ficou um gatinho quando você deu aquele tapinha básico no visual, mas mesmo assim, o cara é um pastel de vento, não tem nada na cabeça. – Cecília continuou difamando Erick, mais pela força do hábito do que por ter algo para reclamar.

- Eu não sei por que você implica tanto com ele, Cecy. – Joyce pegou mais um camafeu.

- Eu só estou dizendo para você terminar com ele antes que se apaixone por esse traste! Ele não vai acrescentar nada para você, ao contrário, pode te puxar para o fundo do poço. – Cecília continuou sem travas na língua. – Você já saiu de um namoro ridículo com o André, pra que trocar seis por meia dúzia? O Erick não é melhor que o André em nada! Acho até que ele é pior, ele é muito dissimulado e arrogante, além de egoísta!

- Acho que você está enganada. – Joyce deu sua opinião.

- Ele é um lixo e você uma princesa, não estou entendendo porque você deu pra querer se envolver! Ficar beijando lata de lixo é dose! Larga o sapo e procura o príncipe! Você merece um príncipe a sua altura!

- Ah é? – Joyce riu. Comeu mais um camafeu. – Posso saber quem é que você recomenda Cecy? O André?

- O Jorginho do terceiro colegial, que está no time de vôlei... ele é um gato, alto, ombros largos... super cheiroso... tem sempre um bom desempenho! Você poderia começar a sair com ele! Tenho certeza que isso faria bem pra sua imagem!

- Minha imagem? – e mais um camafeu.

- Posso publicar uma fofoca no jornal.

- Tá doida? Eu não vou sair com o Jorginho e nem com ninguém. – irritou-se. – Eu estou namorando o Erick e estou achando muito divertido.

- Divertido?

- Sim, ele tem um senso de humor diferente. – Joyce deu um gole em seu champagne.

- Ai Joyce, tá bom. Quando você cansar de brincar de louca e cair em si, terei o maior prazer em ajudar você a ficar com o Jorginho! Até lá, eu vou curtir a festa e rir dessa sua relação ridícula com ares de A Dama e o Vagabundo!

Joyce não queria brigar com Cecília, mas achava que ela estava se intrometendo demais, portanto, quando Cecília virou as costas e se atirou na pista de dança, Joyce engoliu mais um camafeu e decidiu-se: ela não ia seguir a opinião de ninguém e sim a sua própria opinião!

- Sofia, preciso falar com você! – Ênio abordou a garota de vestido azul de seda. – É importante, ninguém pode ouvir!

- O que aconteceu? – Sofia se preocupou, virando-se imediatamente para ele.

- Vem comigo que eu te conto. – Ênio segurou na delicada mão de Sofia e a arrastou para longe da festa, saindo do salão e indo para a varanda. Lá o vento estava frio e a luz era maior do que dentro do salão de festas.

Ênio andou até a ponta da varanda. Ter Sofia o seguindo foi como um quadro surrealista: era um sonho concretizando-se. Bruscamente ele virou-se para ela, os cabelos tingidos de azul e roxo caíam por cima dos olhos. A face corada não do frio, da timidez.

- Sô, preciso falar muito sério com você... tem uma coisa que está me incomodando!

- Tem? – Sofia não compreendeu, preocupou-se imediatamente com seu amigo. – Você sabe que pode me contar tudo, não sabe?

- É, mais ou menos... mas mesmo eu não devendo vou te contar isso! Por que eu não agüento mais guardar isso para mim e você precisa saber da verdade!

- O que houve? – Sofia ficou nervosa, cada vez mais preocupada.

- Sofia... – juntou as duas mãos, segurando as de Sofia entre as suas. Encarou a amiga com firmeza em seus olhos esverdeados. – Eu... – o nervosismo tomou conta de Ênio o fazendo tremer, era agora! Ele ia dizer! – Eu gosto de você. – Disse, finalmente!

- Ah, que fofo! – Sofia o abraçou de forma fraternal. – Eu também gosto muito de você Ênio! Você é meu melhor amigo!

Aquilo foi como um tiro certeiro no coração de Ênio. Sofia abraçada com ele como se fosse sua irmã, beijando seu rosto e ele com o coração palpitando a mil, após uma declaração sincera de sentimentos... ele queria um beijo na boca, não no rosto.

- Obrigado... – perdeu totalmente a coragem de continuar com sua declaração e sentiu-se como o perdedor mais derrotado de todo o universo!

- Vamos voltar lá para a festa? Estou com frio aqui fora! – Sofia sorriu e puxou Ênio de volta. Ênio a acompanhou, mas sua vontade era de se atirar da varanda. Sua noite acabou ali, estragada por sua covardia.

- Você não vai brindar com coca-cola, vai? – Joaquim ergueu as duas sobrancelhas e encarou Erick por cima de seus óculos escuros. Segurava duas taças de champagne.

- Prefere que eu brinde com soda?

- O que aconteceu, esse é um champagne ruim para você? – André reclamou e pegou uma das taças de Joaquim. – Você é muito fresco.

- Eu estou de ressaca!

- Sabe o que dizem: o melhor remédio para a ressaca é mais álcool! – Renato riu, mas ele também estava brindando com coca-cola.

- Vamos brindar logo! – Guta pressionou, com a taça na mão. Estendeu o copo e puxou o brinde.

Todos entornaram suas bebidas como de costume. Para Erick uma festa sem álcool não existia, portanto tentar se divertir de uma forma que não sabia estava sendo um desafio bem sacrificante. Ver seus amigos beberem e se divertirem quando ele não poderia fazer o mesmo era motivo suficiente para deixá-lo de mau-humor, portanto logo depois do brinde se afastou da mesa onde os amigos bebiam e conversavam e tratou de procurar por Joyce, pois sabia que com ela as coisas seriam muito mais divertidas.

Foi encontrar Joyce perto da mesa de doces, com uma expressão chateada, segurando um camafeu de chocolate.

- Por que você está aí sozinha? – perguntou assim que se aproximou. – Tá tudo bem?

- Sim, claro! – Joyce soltou um daqueles sorrisos bonitos, mas totalmente superficiais. Era sinal de que não estava tudo bem. – Eu estava aqui falando com a Cecy, mas ela foi dançar. Se divertindo?

- Pra dizer a verdade não. – era um garoto sincero. – Está um saco e entediante, não conheço quase ninguém e o pessoal tá com uns papos chatos na mesa...

- Oh. – Joyce não ia dizer o que Cecília disse para ela, era claro. – Sei como é. Quer ir embora?

- Eu quero, mas só vou se você quiser ir...

- Pra dizer a verdade eu prefiro sair daqui... já cansei da festa e meus pés estão doendo. – terminou de comer o camafeu e pegou sua bolsa. – Podemos ir para minha casa assistir um DVD, ainda é cedo. – olhou no relógio dourado como seus brincos.

- Então vamos!
Animada, Joyce abraçou o namorado. Não importava o que diziam, ela se sentia bem quando estava com Erick e só isso era suficiente, era tudo o que ela precisava.

Isabella tirou os sapatos e continuou dançando com suas amigas. André sentado na mesa via Guta dançar com ela. Era uma coisa muito linda vê-las dançando juntas e imaginou-se em uma banheira de água quente no meio das duas! Seria poético!

Ênio estava calado, cabisbaixo na mesa ao seu lado, mais mudo do que uma parede. Renato do seu lado suspirava por Sofia, que dançava também, sacudindo os seios redondinhos e o vestido azul.

Joaquim era o único que se atirou no meio das meninas, dançando com Cecília de forma sincronizada. Ele era um garoto meio bagunçado, com um visual largado, mas não negava seu parentesco com Joyce, era igualmente bonito e sedutor. Cecília dançava encantada pelos olhos castanhos de Joaquim e por seu sorriso perfeito.

Joaquim não queria admitir, mas dançar com Cecília fazia parte de seu plano secreto para se aproximar mais dela. Foi um amor a primeira vista que ele procurou não dar importância, mas agora que ela estava freqüentando sempre os ensaios de sua banda, isso estava cada vez mais difícil de lidar... além do mais Cecília era amiga de Joyce, sua irmã e Joaquim não achava esse tipo de coisa saudável.

Cecília era uma garota que não se importava com esse tipo de coisa, mas não olhava Joaquim com esses olhos, na verdade para Cecília qualquer garoto era uma brincadeira, porque ela tinha uma paixão platônica e avassaladora por Renato... quem sabe um dia estaria a altura de ser a escolhida pelo Atleta de Ouro?

Mas para todo mundo, Renato só tinha olhos para o Basquete. E não tirou os olhos de Sofia aquela noite inteira.

- Ai, cansei! – Sofia anunciou, com dores nos pés, indo sentar-se à mesa. Serviu-se de champagne e afundou-se na cadeira ao lado de Renato.

Renato endireitou-se e procurou segurar a mão de Sofia por debaixo da mesa, que coberta com uma toalha branca, era o esconderijo perfeito. Sofia aceitou o toque de Renato e sorriu para o rapaz com graça.

Renato suspirou contidamente, apaixonado. Estava feliz por ter Sofia ao seu lado e sentia-se pronto para dizer seus sentimentos em voz alta! Aproximou-se do ouvido de Sofia enquanto ela dava um largo gole na bebida:

- Sofia, namora comigo? – sussurrou.

Sofia engasgou-se com seu champagne, surpresa por aquela pergunta. Imediatamente largou o copo na mesa e a mão de Renato, levando as duas mãos ao rosto, enquanto tossia. Assim que se acalmou encarou os olhos verdes e intensos de Renato.

- Rê, vamos devagar. – anunciou de forma devastadora para Renato. – Eu ainda não estou pronta para outro relacionamento assim...

- Ah... – Renato chateou-se de imediato, abaixando os olhos. – Tudo bem...

- Podemos continuar e ver no que vai dar...

- Sim, claro. Desculpe, eu não queria te apresar em nada, Sô. Eu só queria que soubesse que você é especial para mim.

Por dentro da toalha da mesa Sofia segurou a mão de Renato novamente, como prova de carinho. Ele ergueu os olhos para fitá-la e encontrou um belo sorriso em eu rosto. Aquele era um sinal reconfortante, de que eles estavam juntos, mas também um sinal de que Sofia ainda não queria assumir o relacionamento que crescia entre eles.

Renato teve certeza, olhando para aquele sorriso, de que valia a pena esperar todos os dias que fosse preciso para estar com Sofia.

O quarto de Joyce estava iluminado apenas pela televisão, onde o DVD corria com o filme sem que ela prestasse atenção.

Joyce estava entretida com Erick, eles se beijavam ininterruptamente enquanto Joyce delicadamente abria o zíper do casaco de seu namorado, despindo-o e seguida.

Com suas mãos delicadas tateou o corpo do garoto por dentro de sua camiseta preta, afundando-se em seu corpo. Erick beijava a boca de Joyce com fervor e Joyce derretia em seus braços, totalmente entregue às sensações provocadas.

Joyce sentiu exatamente o que Guta descrevera: um volume maior entre as pernas de Erick e ao invés de ter vontade de rir, como achou que teria, aquilo a excitou.

Ela puxou a camiseta de Erick e em seguida despiu-se de sua blusinha vermelha, ficando apenas com o sutiã de rendinha branca em seu corpo. Colou sua pele com a de Erick, sentindo todo o calor do momento.

Erick a envolveu em seus braços. Joyce respirou fundo o cheiro de seu namorado sentindo-se confortável mesmo durante a noite fria.

Era uma coisa totalmente nova para Joyce, aquele contato de pele... aquele calor confortável que a fazia se sentir tão bem. Ela e André não haviam ido tão longe... nunca estava pronta, sempre interrompia a situação e quando achou que queria fazer... André quem a brecou, porque já estava com Guta...

Mas agora era diferente, não era mais André que estava com ela e sim Erick... e Erick era uma explosão de borboletas em sua barriga, um arrepio em suas costas que endureciam o bico de seus seios, um perder de consciência e amolecer dos músculos, um nevoeiro de sensações.

Joyce sabia que estava pronta, que queria se entregar, que era o momento de ir adiante... mesmo assim, quando Erick desabotoou seu sutiã, ela travou, segurando com as mãos a peça em seu corpo e a mão de Erick, que já descia a alça do sutiã por seu braço.

- Espera. – ela sussurrou. Afundou a cabeça no ombro do namorado. – Espera... – Erick ergueu-se e a encarou. – Desculpe... – Joyce falou chateada. Estava com medo, não queria ir adiante, não queria ultrapassar aquele ponto! A dúvida tomou conta dela e transpareceu em seu olhar.

- Tudo bem, Joyce. – Erick sorriu de forma compreensiva. Era uma droga quando as namoradas faziam isso e ficou com vontade de matar Joyce por deixá-lo daquele jeito, no vácuo, depois de ter começado. Afastou-se dela e pegou sua camiseta e a blusinha de Joyce. Olhou no relógio da cabeceira da cama de Joyce. – Já está tarde mesmo.

- Oh, claro. – Joyce com vergonha abotoou o seu sutiã e vestiu rapidamente sua roupa. Sentou-se enquanto Erick vestiu o casaco e calçou os coturnos. Joyce se arrependeu de ter interrompido toda a ação. Não queria que Erick fosse embora. – Você precisa ir? Não pode ficar mais? – e o abraçou. – Desculpe não queria te chatear.
- Ei, que isso? – Erick riu para confortá-la. – Eu não vou ficar chateado porque você acha que não é o momento, Joyce. Além do mais, eu não tenho pressa... acho que posso ficar mais meia hora... mas preciso chamar logo o táxi, se eu chegar atrasado já viu... só tenho licença até as duas horas.
- Até a festa não deve demorar muito, posso ir com você até lá esperar o tio Márcio.
- Seria bem melhor do que esperar sozinho. – e ficou assim por decidido.


Publicado em : Livros, Romance
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