“A FAVORITA” PECA NO PORTUGUÊS Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Carlos Rogério Lima da Mota, em 08-09-2008 15:44
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Dia desses, durante a novela "A Favorita", de autoria de João Emanuel Carneiro e transmitida às 21h pela Rede Globo de Televisão, Zé Bob, personagem vivido por Carmo Dalla Vecchia, ao perceber a gravidade do atropelamento de Maíra, sua companheira de profissão, perguntou a um médico que passava:

_Maíra está bem? Corre risco de vida?

Ao ouvir tal questionamento, deparei-me com o seguinte dilema: "como alguém que está à beira da morte pode correr o perigo de VIVER"? O correto não seria risco de MORRER? Se ela estava entregue à dor, obviamente a situação logo nos induziria a pensar na morte da personagem de Juliana Paes.

Apesar de pronunciar "... Corre risco de vida?", Zé Bob queria mesmo era saber se Maíra corria perigo, neste caso, de morte. Então, segundo a norma gramatical da Língua Portuguesa, o correto seria:

_Maíra está bem? Corre risco de morte?

Sei que você deve estar se perguntando: "João Emanuel Carneiro erraria dessa forma? Este cara deve estar louco!".

Acalme-se, o autor não errou, apenas seguiu os conselhos da CGP - Central Globo de Produção, área responsável pelo setor de criação do Projac, e usou o português habitual, afinal, novela é produto de entretenimento, centrada em personagens com características próprias, e para ser consumida por todas as camadas sociais, tem de se valer da linguagem coloquial - a falada pelo povo. Assim, nada mais compreensível que a respectiva personagem, apesar de carregar o título de jornalista e conhecer a fundo a gramática padrão, dissesse como diz a massa "...risco de vida?".

Já a CGJ - Central Globo de Jornalismo, da mesma emissora, gestora dos telejornais, orienta o oposto. Ainda que vendidos a uma grande massa como a novela, os noticiosos utilizam-se da língua padrão, haja vista o jornalismo apoiar-se na realidade dos fatos, na coerência da narrativa, na validação dos acontecimentos, em que a linguagem deve ser objetiva, sem qualquer dubiedade lingüística que dê margem à dupla interpretação. Veja um exemplo:

"_Criança encontrada no lixo por secretária é levada ao hospital. Segundo a equipe médica, o bebê não corre risco de morte" - anuncia William Bonner, o editor-chefe e apresentador do Jornal Nacional, na abertura da edição da última sexta-feira, 05 de setembro de 2008.

Assim, ao se comunicar, opte também pelo correto e diga: "risco de morte". Parece pouco, mas em uma entrevista para emprego, isso pode lhe valer o posto almejado.


Publicado em : Colunas, Afiando a Língua por Carlos Mota
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Comentários (2)
Postado em Gilberto, em 16-09-2008 12:26, , Membro Registado
Devo discordar do colega. Minha análise, embora sumária, foi postada como artigo, pois o espaço aqui é bem curto: aqui apenas coloco que "risco de vida" e "risco de morte" são duas coisas distintas. A Maíra atropelada está em risco de vida (quem analisa é um amigo,como leigo teme que ela corre risco de morrer), vai ao hospital e será examinada e avaliado o risco que ela corre (risco de morte). Uma pessoa adoece e se julga em risco de vida, vai à emergência onde fica sabendo que não corre risco de morte, mas não se pode dizer que não corra risco de vida: afinal, está doente!
 
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Postado em guenia, em 10-09-2008 22:58, , Membro Registado
Carlos gostei muito do seu artigo. 
Abraço
 
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