De lupanares e disfunções Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Itamaury Teles de Oliveira, em 06-09-2008 02:06
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O assunto virilidade masculina está e sempre esteve na ordem-do-dia, fazendo parte das prosas, nos mais variados locais.
Antes da era dos viagras, levitras, cialis e outros menos citados remédios indicados para as disfunções eréteis, para manterem "a luzinha do painel acendendo" - como dizia o meu saudoso amigo Zé Amorim - os homens trocavam receitas caseiras de chás, infusões e emplastos miraculosos, que nem sempre costumavam ser eficazes no tratamento da impotência sexual.
No Norte de Minas, onde temos a abundância do pequi, em duas safras anuais, dizem que o caboclo, depois de uma certa idade, só fraquejará no ato se não tiver estocado o "viagra do sertão". Mas, se o congelou às dúzias, para o consumo em doses homeopáticas, não fará feio na alcova, mesmo na entressafra.
O fato é que poucos admitem ter falhado na hora agá, e muitos são os que juram, de pés juntos, não terem ficado apenas na primeira. Só não explicitam que "a primeira" pode ter sido uma "tentativa" e não as "vias de fato".
Por aqui, ficou famosa aquela história de um lupanar que contratou especialista em marketing, para incrementar a freqüência dos fregueses. E, na base do prosaico apelo publicitário do "dê duas e pague uma", viu aparecer fila de dobrar quarteirão, repleta de senhores de idade avançada, que ali compareciam apenas para manterem as aparências de que ainda estavam com a "estrovenga" em bom estado de conservação e uso. Não se sabe ao certo se usavam integralmente a cortesia oferecida pela casa, mas isso são "outros quinhentos".
Já numa cidade do Vale do Jequitinhonha, outra história aconteceu para ratificar a preocupação de alguns senhores com o desempenho sexual. Um certo coronel, chefe político local, já andava meio perrengue, alquebrado pelo peso da idade, mas não queria entregar os pontos. Para manter a fama de garanhão, exigia ser sempre o primeiro a fazer a corte às "donzelas" que chegassem ao cabaré de Dona Xica. Em troca, remunerava regiamente, tanto a dona do bordel, como a novel mulher dita de vida fácil. Consta que numa dessas investidas, solicitou à novata que lhe fizesse sexo oral. Ela obedeceu, mesmo notando que o velho nem excitado estava. E nem ficaria, pois permaneceu naquela peleja infrutífera por quase duas horas e, cansada, capitulou:
- Num güento mais não, Coronel. Vô pará...
Aí é que, do alto de sua empáfia, o Coronel sorriu vaidoso:
- Broxô, nêga?
E continuou a manter sua fama de bom de cama...
Agora, sincero mesmo foi um velho pescador que vivia em Januária, às margens do rio São Francisco. Estava ele ali, firme com sua varinha de bambu, quando chega um jovem cabeludo, com sua tralha de pescador. Assentando-se ao lado do velho, o rapaz logo puxou conversa.
- Bom dia, senhor. Sou de Belo Horizonte e vim pescar um pouco no São Francisco. Posso ficar aqui ao seu lado, pra gente prosear um pouco?
- Pode, meu fio. Fique a vontade.
- Como é o nome do senhor?
- Me chamo Antônio, mas sou conhecido por Tonho.
- O meu é Marcelo, "seu" Tonho. Quantos anos o senhor tem?
- Oitenta e um ano, meu fio.
E assim o dia transcorreu sossegado, numa pasmaceira de dar gosto, com conversas entrecortadas, entre um cigarrinho de palha e outro, para afugentar os borrachudos, que incomodavam. À tardinha, depois de molhar muita isca e de colocar raros peixes no samburá, Marcelo volta com o papo:
- "Seu" Tonho, ficamos o dia inteiro aqui proseando e isso me dá direito de fazer uma pergunta indiscreta pro senhor. Posso fazer?
- Pode, meu fio, pode.
- Nessa sua idade, o senhor ainda tá tirando quantas? - referindo-se à intensidade de relações sexuais.
E "seu" Tonho, rindo da pergunta, respondeu sem rodeios:
- Ah, meu fio, a bem da verdade, eu num tô nem pondo, quanto mais tirano...


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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