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| ESA #26 - Reviravoltas e desaprovações. |
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Segunda-feira Renato entrou em choque, quando chegou na sala e viu André e Guta se agarrando. A sala estava vazia e os dois se beijavam sem pudores, abraçando-se.
- O que vocês estão fazendo! - assustou-se, largando sua mochila em sua cadeira. André e Guta soltaram-se imediatamente com o anúncio de Renato. Encararam o amigo que estava mais pálido que giz. - Vocês tão malucos?! - Calma Renato, não é nada disso que você tá pensando! - André avisou. - Como não? Eu entro aqui e vejo você se agarrando com a Guta! O que a Joyce vai pensar?! - O que eu vou pensar do quê? - Joyce chegou na sala, de salto agulha. Renato quase morreu do coração porque agora não sabia o que ia dizer. - De ver eu e o André se beijando. - Guta contou entre uma risada. - Ah eu ia achar fofinho! - Joyce soltou a mochila de Erick na cadeira dele. - Romântico e tudo mais, o André a Guta formam um casal muito fofo. - Você tá brincando, né? - Renato riu, mais calmo porque Joyce não percebeu nada e já se sentava em sua cadeira. - Boa piada...! - Não tá sabendo, Rê? - Joyce indagou com um sorriso que só ela sabia dar., com os lábios grossos de batom cor-de-cereja. - O André e a Guta estão namorando! - O quê?! - Renato depois dessa sentou-se na sua cadeira. - Desde quando? - Ah, já tem um tempinho que estamos juntos. Mas a Joyce não sabia. - Guta quem falou, com um sorriso feliz no rosto, sentando-se também. - Mas não se preocupa! - André continuou, sentando-se em sua cadeira com um tom de deboche. - A Joyce também está namorando. - Como assim? - Renato não compreendeu. - Com quem? - Com o Erick. - Joyce confessou. Renato achou que ainda estava delirando por causa da ressaca do dia anterior. Sentiu dor de cabeça e confusão, nitidamente desnorteado com as informações bombásticas que recebera naquela manhã. Será que era verdade? Ou uma brincadeira de mau-gosto? - O Adalberto é um verdadeiro desastre! - Cecília gritou dentro da sala do jornal - Eu não agüento mais esse cara! Ele só tira fotos horríveis! - Eu avisei, eu avisei! - Mariluce falou com seus cabelos curtinhos e castanhos, ajeitando o uniforme. - Mas agora não tem mais jeito, vai ter que ser uma foto dele! Precisamos imprimir isso hoje, Cecília, o jornal já vai sair atrasado e só vão entregar no fim da aula...! - Não acredito... - Sofia reclamou, chateada. Sentia-se culpada porque forçou Cecília a expulsar Erick da equipe. Agora estavam encurraladas e sem uma boa foto para a matéria de Cecília que mais uma vez estampava a capa. - Eu prefiro que vá sem foto! - Cecília disse, cruzando os braços. - Mas é a matéria da capa, Cecy, não tem condições. Além do mais, não tenho outra foto para colocar! - Mariluce avisou. - Vai ter que ser essa mesmo! - Não, essa não! - Cecília se contrapôs. Nesse momento alguém bateu na porta do jornal. - Deve ser o imbecil! Cecília andou até a porta e assim que abriu, despejou a bronca: - Você é mesmo um imbecil, faz tudo errado! Não serve pra nada! Era só uma foto, uma mísera foto! Seu sem-talento! Sem-cérebro! Sem-cultura! Inútil! - Calma eu só vim buscar meu pen-drive. - e foi quando Cecília notou que não era Adalberto e sim Erick, que a olhava espantado. - Desculpe, Erick! - E o puxou para dentro da sala do jornal. - Você precisa me salvar! Por favor! Eu preciso da sua ajuda urgente! - Oi Erick! - Mariluce sorriu para ele. - Ouviu um chamado de Deus? - Chamado de Deus? Tá doida? - ele não entendeu nada e foi empurrado por Cecília até a mesa onde as fotos de Adalberto estavam expostas, tão borradas que mais parecia um quadro impressionista do que uma foto ilustrativa. Sofia sentiu-se péssima quando viu Erick. Ele estava estranhamente diferente, de jeans preto e coturnos, com um bracelete de couro no braço. Os cabelos estavam recém-cortados, mais repicados e com a franja comprida. Havia trocado os piercings de argola prateada por ferradura de titânio preto. Ele estava bem sexy naquela manhã e Sofia se sentiu uma gelatina de morango fora da geladeira, prestes a derreter e virar suco. - A foto do Adalberto é uma droga, como sempre. - Cecília explicou fazendo drama. - E eu preciso de uma foto urgente para a capa do jornal, você precisa me ajudar!! - Mas foto do quê? - Uma foto qualquer de qualquer coisa, desde que não seja aquele lixo do Adalberto. - Cecília quem respondeu, os cabelos ruivos soltos e cheio de cachos, como a Shirley Temple. - Precisa de uma foto de uma caixa de bombom, ou de um bombom apenas, chocolate, sabe? - Mariluce falou, com os dois cotovelos na mesa, segurando a cabeça. - É pra matéria dos "10 melhores lugares para se esquecer um idiota", que é você por sinal. - debochou. Sofia cobriu o rosto com duas mãos, não acreditando que Mariluce tinha tido coragem de dizer aquilo! Estava sentada de frente para o lap top da irmã, com a capa do jornal aberta. - Deve ter alguma coisa usável no meu pen-drive, tá ali na gaveta. - Erick respondeu e aproximou-se de Mariluce para ver o teste de impressão, curioso com a matéria. - Qual o primeiro lugar? - Ensaio da banda dos amigos. - Mariluce leu. - Que raio de lugar é esse?! - Onde seus amigos estejam e você possa se divertir, basta ler o resto para entender o espírito! - Cecília resmungou, enquanto correu até a gaveta atrás do pen-drive. Encontrou e logo ligou em seu computador. - Você vai ter foto do quê, Erick? - e virou-se para sua irmã - Ajuda! Rápido! - Cecília ficava engraçada quando estava nervosa, balançando os braços e abanando o rosto, como se estivesse com calor. - Calma, Cecy! - Sofia estava sentada no computador mexendo na Arte, esperando que o pen drive fosse um reconhecido como disco. Os cabelos cor-de-rosa soltos e lisos. Usava uma saia jeans e botas vermelhas de couro. - Será que dá pra ir mais depressa?! Eu preciso dessa foto! - Deixa de ser dramática, Cecília! - Erick reclamou. - Agora em cima da hora o que você vai achar aí é foto de um sorvete e olhe lá...! Não sou um arquivo ambulante de coisas fotografadas! - Chega perto... - Mariluce estava se divertindo com os colegas. Como toda jornalista, adorava um furo de reportagem e uma boa fofoca! - Serve, serve! Vai ter que servir. - Cecília correu as miniaturas exibidas das fotos até que achou uma seqüência de fotos feitas de um sundae de chocolate e ia até quando o sorvete estava derretido. - Pra que você tirou uma foto de um sorvete derretido, Erick? - Sei lá... - Eca, você é nojento! - Não reclama, Cecília, não reclama! - Mariluce interferiu. - Tá boa? - Até uma foto ruim do Erick é melhor que uma de Adalberto! - Cecília estava mais calma e mais contente também. - Coloca essa, Sô! - Tá bem. - concordou, sem se mexer, sentada mais dura que uma pedra em sua cadeira. Finalizou a arte e colocou um CD no gravador. - Agora é só esperar queimar. - Erick você me salvou! - Cecília o abraçou. - Obrigada! Obrigada! - De nada... - Erick afastou-se dela de imediato, revirando os olhos impaciente. - Mas não se acostuma. - Vou demitir o Adalberto de novo! - Cecília suspirou. - É incrível como ele é um imbecil e não faz nada direito! - Ótimo, vou voar para a sala de impressão e vejo vocês depois da aula! - Mariluce ficou em pé e pegou o CD com a arte nova do jornal que Sofia acabou de queimar. - Seja bem-vindo de volta, Erick. - e saiu após uma piscadela. - Isso! - Cecília deu pulos de alegria, depois encarou Erick. Agora que o seu problema estava resolvido, podia tomar conta dos problemas dos outros. - Ué, O que você fez no seu cabelo? E esses negócios na sua boca? - Reparou que ele estava diferente. - Posso ir? - Erick perguntou esquivando-se das perguntas inconvenientes de Cecília. - Não posso perder aula. - Pode ir sim, vai logo. - Cecília o dispensou, empinando o nariz. - Meu pen-drive, por favor. - pediu para Sofia, que retirou o aparelho do computador imediatamente e entregou para ele, toda desajeitada. Erick deixou a sala com pressa. Assim que a porta se fechou, Cecília deu um tapa no ombro de Sofia: - Meu cê tá louca? Não parou de olhar pra ele um minuto! - reclamou. - Só faltou suspirar toda apaixonada! - Foi uma visita inesperada, o que você queria?! - Sofia irritou-se e ficou de pé, desligando o computador. - Não precisa se preocupar, não estou apaixonada e nem vou suspirar! - Não foi o que pareceu... mas também, o que ele queria com aquela calça?! Nunca vi o Erick com um jeans daqueles...! - É... - Sofia também não. Assim que o professor de história entrou na sala o celular de Sofia vibrou dentro do seu bolso anunciando uma mensagem de texto. Ela pegou com cuidado o aparelho e viu que a mensagem era de Renato. Seu coração disparou. Mas que ousadia! Ele sabia que ela estava com Cecília. Abriu a mensagem para ler: "Preciso te ver no intervalo. Coisas malucas estão acontecendo!" Respondeu imediatamente: "Estarei na biblioteca. O que aconteceu?" E logo em seguida uma mensagem chegou: "André+Guta/Joyce+Erick" e era isso que tinha na mensagem. Sofia não entendeu, teve que se demorar um pouco com o visor do celular diante de seus olhos. - Não acredito! - soltou no meio da sala quando entendeu o que estava acontecendo. A sala inteira virou-se para ela. - Desculpe. - e guardou o celular imediatamente ficando roxa de vergonha. Cecília a encarou com ares de interrogação. Sofia escreveu em seu caderno a mesma coisa que recebeu na mensagem e mostrou para sua irmã. Cecy arregalou os olhos surpresa. A aula continuou em sua normalidade depois disso, e o colégio Montenegro pegou fogo com a nova fofoca! Na hora do intervalo, Sofia correu para a biblioteca. Renato já estava esperando por ela. Abraçaram-se e trocaram um rápido beijo. - Nossa que martírio esperar até o intervalo! - ele falou, suspirando apaixonado por Sofia. - Ei, o que foi aquela mensagem? Tá todo mundo comentando pela escola... é verdade? - Eu fiquei pasmo quando entrei na sala e peguei o André e a Guta se amassando... pelo que vi na sala, é bem sério. - Renato contou, Sofia arregalou seus olhos incrédula. - Não fiquei fazendo muitas perguntas por que o Erick é mau-humorado demais pra responder. Mas a Guta me contou meio por cima... - O que ela disse? - Disse que ela e o André estavam ficando desde antes daquela festa do Joaquim. - Nossa! - a notícia era um choque. - E como elas continuam amigas depois disso tudo?! - Nem sei! - Renato deu de ombros. - Só não entendi o que rolou esse fim de semana. Na sexta o André e a Joyce eram namorados... você viu no cinema! Na segunda o André namora a Guta e a Joyce namora o Erick! - A Joyce e o Erick... - Sofia torceu o nariz. Isso explicava porque ele estava tão diferente de manhã. - Tô fora dessa confusão, viu... - Cê que pensa! - Renato fofocou, com um riso nervoso. - Lembra que o Erick te disse que ficou com uma menina no hotel? - Lembro. - não ia esquecer nunca. - Essa menina era a Joyce! - Como é que é?! - Sofia até afastou-se do abraço de Renato nessa hora. - Mas que garota cara de pau! Ela ainda me disse que eu devia desculpar o otário, depois de tudo! - estava com raiva de Joyce agora também. - Ah, nem liga pra isso! - Renato voltou a abraçá-la. - Estou decepcionado com esse pessoal! - É verdade. - Sofia concordou. - Estou passada com essa história. Ah, cuidado com as mensagens que você me manda no celular, Rê, a Cecy senta do meu lado... - E qual o problema se ela souber? Acho que no meio de toda essa história ela nem vai dar atenção. - Renato falou um pouco chateado porque Sofia tinha pedido para eles manterem em segredo que haviam ficado no domingo. - Ah, Rê... a Cecília nunca lidou bem com meus namorados, ficantes, etc... melhor evitar esse tipo de atrito, vai.... até sabermos onde isso vai dar. - Eu estou gostando de você, Sofia, de verdade. Sofia o beijou com intensidade, para cortar logo aquele assunto. Sentia-se horrível. Bastou ver Erick de novo para ficar balançada por ele... e estava ali se agarrando com Renato, o garoto por quem Cecília nutria uma grande admiração. Sentia-se horrível. Estava fazendo duas coisas horríveis: enganando Cecília e enganando Renato. Tudo isso para esquecer Erick o mais rápido possível. - Quem esse povo pensa que é pra falar essas coisas?! - Joyce reclamou irritada assim que viu o espelho da escola. Alguém tinha escrito "Joyce é uma puta" e "Guta é uma vadia" com batom. - Que brincadeira de mau gosto! - virou para as meninas que estavam no banheiro. - Quem foi que escreveu isso? Pode dizer que eu vou vir fazer limpar isso aqui com a língua! - Calma Joyce, não importa! - Guta tentou apaziguar e puxou Joyce pelo braço. - Vamos embora daqui, não liga pra essas idiotas. - Invejosas! - Joyce sentenciou para as meninas que estavam ali, antes de sair. - São um bando de invejosas! Guta reparou que todos os alunos da escola olhavam para elas quando elas passavam e sentiu-se péssima. Por que ninguém podia ficar contente com o que havia acontecido? Não era nada ruim que ela estivesse com André e Joyce com Erick! Problema de quem não entendesse e ponto final. Joyce e Guta correram em cima de seus saltos e só pararam quando chegaram em Erick e André, na quadra. André estava jogando basquete sozinho pela primeira vez na vida, porque Erick não jogava basquete e preferia ficar lendo o jornal com a matéria de Cecília. Renato não estava com eles. - Olá! - Guta anunciou que chegaram. - O que foi? - Erick perguntou quando colocou os olhos em Joyce, que estava com uma cara horrível. - Não foi nada! - Guta respondeu primeiro. - Escreveram uma bobagem no espelho do banheiro. Ofenderam a gente! Escrito com batom vermelho! Bando de gente que não tem o que fazer! - Joyce contou irritada sentando-se ao lado de Erick. - As pessoas são todas umas falsas e invejosas! - Nem liga... - Erick largou o jornal para beijar Joyce no meio do pátio. André não gostou da história e simplesmente procurou se distrair tentando acertar a cesta. Como Erick conseguia? Não se importava com nada e nem com ninguém! Estavam escrevendo ofensas no banheiro para suas namoradas e ele dizia "nem liga" de um jeito todo desleixado, como se fosse fácil! Era óbvio que Erick não ia cuidar de Joyce da forma como ela merecia! Ele não ia saber dar valor para Joyce e a pobre menina ia acabar só sofrendo! Bateu a bola com força no chão, demonstrando toda sua revolta. A bola de basquete subiu bem alto. Viu que os dois ainda estavam se beijando. Argh, que ódio! A bola caiu bem em cima do jornal que Guta estava lendo. - Ai! - ela levou um susto, e virou-se para André, que a olhava com cara de espanto. - Não aprendeu a jogar não? - ela debochou. - Desculpe. - respondeu. André não compreendia o que estava sentindo, era claro que gostava de Guta... mas também gostava de Joyce e era por isso que não tinha terminado com ela antes. Mas e agora de que adiantava?! Tinha perdido sua namorada para Erick e ficado com o prêmio consolação: Guta. - A Sofia está mesmo se esforçando, você já leu a matéria? - Guta despercebida, segurou a bola de André. - Não... - e sentou-se do lado de Guta. - O que tem aí? - A matéria é um Top 10, de lugares para se esquecer o ex-namorado. - Guta disse. - Tem uns lugares legais. - Legais por quê? Já quer me esquecer é? - André resmungou, enciumado. Foi no intervalo da ultima aula que Cecília e Joyce se encontraram no banheiro feminino do corredor do segundo colegial. Seria uma grande coincidência se elas não fizessem isso sempre, para conversar. Cecília estava irritada, com os braços cruzados, enquanto olhava Joyce retocar a maquiagem no espelho, onde havia um borrão de batom, causado por Joyce, que tentara limpar as ofensas escritas. - Tá feliz, Joyce? Agora de garota popular sua reputação virou de traidora! E de traída! Meu deus, está todo mundo dizendo coisas horrível de você! O Erick é o irmão do André! Como que você larga meia dúzia por seis?! Joyce deu de ombros. - E a Sofia? Você sabe que ela tá super brava com você? Joyce fechou a sua máscara para cílios e virou-se para Cecília, que tinha nos olhos uma expressão de reprovação igual a de todos os outros alunos do colégio. - Você acha o quê? Que eu planejei tudo isso? - deu a patada digna de uma onça. - Eu tenho mais o que fazer. Não é culpa minha que a Guta e o André se gostam, me admiro com minha burrice em não ter percebido antes! E quer saber? Se não tivesse rolado nada com o Erick, capaz de eu não saber de nada do que rolou, e continuar lá fazendo papel de otária! - Você roubou o namorado da Sofia, Joyce! Ela é sua amiga! - Primeiro que eu não roubei ninguém de ninguém. - Joyce pegou o batom. Era mais uma patada. - Que eu me lembre a Sofia terminou com o Erick, e foi irredutível mesmo com todos os esforços de todo mundo pra que eles voltassem. - E por que você acha que eles não voltaram? Porque você estava dando em cima dele! - Você me surpreende, Cecy! Vivia fazendo de tudo pra separar os dois! - Eu não gosto do Erick! Ele não presta! E escute o que eu estou dizendo, ele vai trair você também! - e depois disso, Cecília saiu do banheiro deixando Joyce e sua maquiagem para trás. Estava decidido: não ia apoiar que a deusa do colégio se envolvesse com a escória! Não ia! Joyce suspirou e guardou o batom. Isso era irritante: como as pessoas achavam que podiam decidir por ela o que ela devia ou não devia fazer. Encarou-se no espelho, ensaiando um sorriso amarelo. - É, você traiu a Sofia, mas e daí? A Guta traiu você e você não saiu atirando pedras pra todos os lados. - uma voz fina falou atrás dela. Joyce virou-se para encarar uma garota de cabelos tingidos de ruivo, lisos e escorridos como os da Avril Lavigne. - Eu me chamo Janaína, muito prazer. - Ah... - Joyce não sabia o que dizer, porque Janaína era como aquelas meninas que sabiam seu nome e tudo da sua vida, mas ela nem conhecia e normalmente, ignorava pela escola. - Você é de que sala? - Da sua. - Janaína riu. - Acho ridículo como as pessoas se metem na sua vida e de seus colegas, mas também, eles se metem na vida de todo mundo, não é? - Não na sua. - Eu não desfilo de Dolce & Gabanna pela escola. - Janaína riu de novo, nervosamente. Esse sorriso inseguro era uma das coisas que Joyce mais detestava nas pessoas. - É, acho que preciso de roupas novas. Quem sabe se eu usar Gucci, falam menos, né? - e a patada de onça veio de novo. - Desculpe, não quis me intrometer. - Janaína abriu a torneira. - Mas se quer saber, eu acho que você e o Erick apesar de não terem nada em comum, formam um casal lindo. Aliás, já estava mais do que na hora de você largar aquele otário do André... ele te tratava muito mal. - Não é todo mundo que partilha da sua opinião. - Não queria me intrometer. - Janaína lavou as mãos. - Só estava tentando ajudar, tentando te animar. - Não precisa se preocupar, daqui a uma semana já vão ter esquecido completamente desse assunto e vão inventar uma nova fofoca para se preocupar. - Joyce estendeu para Janaína um brilho labial. - Passa um pouco, essa cor combina com você! Se preferir pode escrever a sua opinião no espelho, já que isso virou moda. E assim, saiu do banheiro também, voltando para sua sala. Janaína se encarou no espelho com o batom líquido nas mãos. Passou um pouco nos lábios e depois, expressou sua opinião no espelho do banheiro. "Eu apoio Joyce+Erick". Deixou o batom por ali para quem mais quisesse escrever, sentindo-se segura de desfilar pelos corredores com os lábios pintados. Sofia chegou a sua casa e largou seus livros na cama. Cecília passou por ela e correu primeiro para o banheiro tomar banho. Trancou a porta e ligou o chuveiro. Sofia encarou-se no espelho de sua penteadeira. Não adiantava nada, concluiu. Ela continuava a mesma por dentro: a mesma sonsa que ainda suspirava por Erick. O colégio Montenegro virou um vespeiro de fofocas, que correram as paredes, corredores e bocas de todos os alunos. Todos comentavam que Erick havia trocado Sofia por Joyce e que André estava desfilando ao lado de Guta, melhor amiga de Joyce. A confusão parecia um roteiro avançado e confuso de um filme de comédia, porque era mesmo uma palhaçada. O banheiro feminino do segundo colegial ganhou um quadro mágico no espelho, onde de batom ofendiam Joyce e Guta, merecidamente. Mas logo no final da aula já tinha gente escrevendo que apoiava os novos casais e Sofia achou que logo iam começar a ofendê-la também. Ainda bem que ninguém sabia de que ela e Renato estavam se vendo. Cecília ainda ficou o tempo todo tecendo comentários impertinentes, sobre como Sofia deveria estar se sentindo, uma vez que Joyce estava ficando "com as sobras". O problema era que Sofia quem se sentia "com as sobras", ou pior, sem elas. Durante a reunião com Mariluce, teve certeza que ainda estava apaixonada por Erick. Ficava reparando como ele mordiscava, de forma avassaladora, os novos piercings, incomodado com eles... e como ele de vez em quando mexia com a cabeça de um lado para o outro de forma boba, ajeitando a franja nova que teimava em cair em cima de seus olhos. E pensar que justo agora que Sofia perdera o medo de ser quem realmente era, ele nem reparava mais...! Chegou um ponto em que Sofia achava que ele ia começar a confundi-la com Cecília independente dos cabelos cor-de-rosa que agora possuía. Suspirou chateada. Tivera momentos bons com Erick, divertira-se bastante ao longo daquelas semanas que passaram juntos. E agora estava extremamente chateada que haviam terminado. Ela quem tinha terminado e arrependia-se! Como isso era possível? Como que Erick conseguia se apaixonar por outra garota tão rapidamente? E por que ela era incapaz de realizar o mesmo feito? Arrependia-se amargamente de ter se deixado levar pelo momento e de beijar Renato no domingo! Se pudesse voltar atrás, voltaria para um ponto onde ela e Erick estivessem felizes, rindo de qualquer coisa... um ponto onde Joyce não existisse! Maldita Joyce... Maldito Erick! Tantas meninas para ele se envolver, ele tinha que ir justo para uma com quem era impossível competir! Fechou os olhos e desejou com todas as suas forças que aquele mês voasse o mais depressa possível!
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