| Valsa Interrompida |
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Ela chegou marcando presença com seu perfil invulgar e uma sutil irreverência no olhar e no andar. Atravessou o salão com determinação, alheia a todos, provocando emoções nos corações.
A valsa cessou, o vozerio parou, o champanhe borbulhou quando ela entrou sem olhar sequer para toda aquela gente que parecia descrente do que via desfilar à sua frente. Venceu os últimos metros aproximando-se de um senhor a quem sofregamente enlaçou e beijou com todo ardor, demonstrando afeição, causando enorme decepção a todos os jovens presentes no salão O seu pai? Provavelmente sim, devido a desigualdade da idade, mas o beijo que deu em seus lábios deixou uma outra patente realidade. Quem seria afinal o senhor idoso que recebera o dadivoso, porém indecoroso beijo? Talvez fosse seu admirador, ou quem sabe tão somente um protetor abastado? E a valsa continuava parada, sem uma explicação plausível, aparentemente aguardando uma solução que justificasse aquela estranha situação, onde todos perplexos aguardavam uma definição para tamanha confusão. E a curiosidade imperava e até suplantava a valsa interrompida. E do mesmo jeito que ela havia chegado, com um provocante rebolado iniciou a sua saída atravessando o salão novamente de forma atrevida. E a cada passo que dava o povo todo murmurava e a admirava, ainda sem saber quem seria aquele estranho e belo ser que tivera a ousadia de penetrar no ambiente sem se revelar totalmente. E após sua ida, ficou o ar impregnado com um suave perfume, provocando um imenso queixume naqueles que a viram desaparecer na obscuridade, sem deixar uma tênue pista de quem seria na realidade.
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