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resenha critica do que é religião Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por renato valoto andrade, em 31-08-2008 16:19
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Nos tempos antigos todos eram educados para ver e ouvir as coisas do mundo religioso, e a conversa cotidiana confirmavam por meio de relatos de milagres, aparições, visões, experiências místicas, divinas e demoníacas, que este era um universo encantado, onde se esconde e se revela um poder espiritual. Mas com o avanço da tecnologia quebrou-se o encanto. A religião não desapareceu de forma alguma. Uma pessoa sem religião era uma anomalia.
A religião não se liquida com a abstinência dos atos sacramentais e a ausência dos lugares sagrados e desejo sexual não se eliminam com os votos de castidade.
É necessário reconhecer a religião como presença invisível, sutil, disfarçada, que se constitui num dos fios com que se tece o acontecer do nosso cotidiano, ela está mais próxima da nossa experiência pessoal do que desejamos admitir.
Através de centenas de milhares de anos os animais conseguiram sobreviver por meio da adaptação física. O animal faz com que a natureza se adapte ao seu corpo. Vemos as maravilhas da natureza onde os animais já nascem com sabedoria para sua sobrevivência sem freqüentar escola e sem ninguém para ensiná-los. Cada corpo produz sempre a mesma coisa já o homem diferentemente do animal tem o seu corpo, não é o corpo que o faz e sim ele que faz seu corpo.
Os homens se recusam a ser aquilo que o passado lhes propunha, tornaram-se inventores de mundos.
É necessário reconhecer que toda nossa vida cotidiana se baseia numa permanente negação dos impulsos sexuais, os gostos alimentares, a sensibilidade olfativa, o ritmo biológico deixou de ser expressões naturais do corpo transformadas de entidade da natureza em criação da cultura.
Os homens parecem ser constitucional desadaptados ao mundo, o homem é um ser racional, ser de pensamento, ser de desejo. Desejo pertence aos seres que se sentem privados, que não encontram prazer naquilo que o espaço e o tempo presente lhes oferecem. Sonhos são aglomerados de absurdos, que não devemos prestar atenção. Sendo o desejo sintoma de privação, a cultura cria exatamente o objeto desejado na busca de um mundo que possa ser amado. Por isso a cultura não é garantia de que o desejo foi alcançado, mas é externalização do desejo em meio à sua ausência. Enquanto o desejo não se realiza resta-nos cantá-lo, celebra-lo.
Coisas e gestos se tornam religiosos quando os homens os batizam como tais. A religião nasce com o poder que os homens têm de dar nomes às coisa.
Para a religião, não importa os fatos e as presenças que os sentidos podem agarrar, e sem os objetivos que a fantasia e a imaginação podem construir.
A religião tem o poder, o amor e a dignidade do imaginário. A sobrevivência depende de coisas e atividades práticas, materiais, como ferramentas, armas, comidas e trabalho. Religião é ilusão dentro de uma ótica espiritual.
No mundo dos homens há as coisas que significam outras e as coisas que são elas mesmas. Uma aliança significa casamento; uma cédula significa um valor. Mas uma afirmação pode ser mentira.
As religiões se estabelecem pelas atitudes dos homens perante coisas, espaços, tempos, enquanto o mundo profano é um círculo de atitudes utilitárias. No mundo utilitário não existe coisa alguma permanente, tudo é passageiro, nada, nem ninguém tem valor, é assim que funciona a economia, o que não é útil é abandonado. O homem é uma criatura carente de força, ele não é o centro do mundo, nem dono do seu nariz.
O sagrado é o centro do mundo, é a garantia da harmonia, círculo de poder. A riqueza se constrói por meio da lógica do lucro, que não conhece a compaixão.
A religião é um ponto de apoio daquelas pessoas que sofrem e sonham, é uma felicidade ilusória do povo, que deve ser abolida como condição de sua verdadeira felicidade.
A religião são os sonhos dos que estão acordados, é a voz do desejo.
Os homens comuns caminham por ilusões e equívocos que não os deixa ver a verdade, não por má fé, mas por incapacidade.
Religião fala sobre o sentido da vida, de que vale a pena viver, ser feliz e sorrir.


Publicado em : Religiosos, Teologia
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