Um pouco sobre a América Latina Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Nildon da Silva de Figueiredo, em 30-08-2008 22:25
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As independências na América Latina foram frutos de conflitos internos de caráter social e político, abstendo a Espanha desses processos. Com isso, ao mesmo tempo em que ocorreu a formação dos Estados Nacionais na América Latina, ocorreu também uma fragmentação política (mantida anteriormente pela intervenção espanhola) e cultural. Assim sendo, surgiram vários projetos unitários e federalistas nas lutas de independência e de formação nacional na América Latina, que ora se aproximavam, ora entravam em choque. Nesse período surgiram pensadores como Simón Bolívar, que falava sobre a possibilidade de uma América unida (a magna-pátria), que não compreendia dentro de suas fronteiras o México e Buenos Aires, e cujo destino deveria ser trilhado em conjunto. Além dele, destaca-se o cubano José Julián Martí y Pérez, e sua perspectiva sintetizada na idéia de "Nossa América" em contraponto com a "nossa América" dos Estados Unidos.
A questão da identidade foi a força propulsora do pensamento americanista, não existindo tema mais constante na produção latino-americana. A idéia de América Latina, na concepção de Bolívar, dava-se dentro do reconhecimento de uma unidade, de modo que ele não acreditava na fragmentação ocorrida nos pós-independências como algo definitivo. Ele considerava que, conseqüentemente, a unidade seria recomposta, pois esta unidade era "natural". A questão da América Latina era vista como algo complexo e extraordinário, uma vez que os latino-americanos eram um meio termo entre o espanhol colonizador e os aborígenes locais. Assim, o universo cultural da América Latina surgiu da união e não da assimilação como nos aponta Leopoldo Zea. A questão aqui tratada era a da América dual onde coexistiam civilização e barbárie, caracterizadas pela Europa branca, civilizadora, urbana; e pela América indígena, mítica e rural. Tornava-se necessária a escolha entre a civilização e a barbárie antes que ocorresse a união da América Latina, e o modelo europeu era visto como meta a ser alcançada. É interessante ressaltar que Bolívar achava que os Estados Unidos já estavam mais avançados do que o restante da América Latina, admirando-o, ao mesmo tempo em que achava que a democracia não era o sistema ideal para a América Latina, criticando-a.
É necessário lembrar que no pós-independência a América Latina se fragmentou, e que poderes locais ganharam força, representados pelos caudilhos. Figura bem conhecida pelos brasileiros...

Caudilho: na acepção de mandatário local, tem poder político e paramilitar.


Publicado em : Colunas, Refletindo por Nildon Figueiredo
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