| O celibato do leitor |
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Pode ser que um dia tudo mude, e pode ser que eu venha a fazer parte disso tudo, quem sabe? Não vou me iludir com dúvidas, minhas certezas estão muito encravadas em minhas opiniões. Fecundas ou não, elas vingam, e eu critico.
Conheço vários tipos de pessoas que dizem que ‘lêem muito'. O pior que observei até hoje é o que lê só com os olhos. Depois que o homem aprende a falar, só há duas maneiras de ele entender o que faz: lendo ou copiando. Mas parece que as pessoas são reclusas em si mesmas, leitura é abarrotar a estante de livros e chamar de ‘BIBLIOTECA'. Isto é medonho. As crianças têm que saber ler, gostar de ler, entender o que lêem. Bem, para isso deve haver um início, sozinhas elas não tomam iniciativas (por isso amo animais). Pais, por favor, mostrem os livros para seus filhos. Se foram capazes de gerá-los, suplico, dêem-lhes a informação, é simples, não é moda; é urgente, é escola, livros. Esperar que o filho vá para o colégio aprender a ler é estupidez safada de pais que não tiveram coragem de abortar, isso mesmo, entro na questão de gerar um filho, porque nem toda família leva isso a sério! Gerar um indivíduo é tentar melhorar este mundo, esclarecê-lo, fazer com que seja uma pessoa de opiniões próprias, caráter digno de confiança, íntegro, honesto, ético... Não fugi do assunto. Ler em família é como orar com devoção, se a criança vê seus pais lerem... É simples. Existe aquele que só lê livros de auto-ajuda, para estes penso, ‘contanto que lêem'. E não existe mais nada na vida dessas pessoas além de um psicólogo ou psiquiatra. Não leio porque a leitura é óbvia: ‘dois mais dois serão sempre quatro'. Existe aquele que só lê romance de amor, existem grandes escritores nesta modalidade, mas é sempre a mesma coisa. Fui traída, traí, fiquei viúva, mãe solteira, saí do álcool, fui para a droga, virei crente... Coquete... Casei com ricaço. Esta aí o romance. Chorei. Verdade que há belas e exemplares histórias. Leio. Tem o que só lê política, e não sei por que, quero entender. Nada melhora neste contexto; leitura de política é como olhar a Revista Caras, fofoquinhas, fuxiquinhos, tramoiazinhas, espertinhos, barriguinhas... Embriaguez de tolices. Não acredito nos livros que ensinam como ‘politicar', por isso tenho que ler. Mas se houvesse seriedade nos políticos, a política seria bela. É bela, é uma matemática de saberes e iniciativas. Mas hoje, como lidar com este tipo de desestruturação do poder? Boas leituras. Vou ler Marx porque tenho idéias comunistas; ler Platão porque quero ‘conhecer a caverna'. Ai, meu Deus. (Existem estes). Um livro é relíquia nas mãos de quem o interpreta, luz aos olhos de quem o sente, caminhos abertos para os que sabem viajar... Meu melhor presente: um livro. Leio. Independente do assunto, depois de lido e revirado, falo se gostei ou não, mas o livro precisa ser lido! Jamais se deve dizer ‘aquele livro é uma porcaria', quem o escreveu empenhou parte de sua vida, quem irá interpretá-lo, deve empenhar parte de sua inteligência. Se não gostar... Aí está, opinião. Por quê? Em última instância, lá no buraco, na escuridão de quem não é afeito a livros, existem as palavras cruzadas.
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