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Make your own history - Capítulo 09 Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Nanda Oliviero, em 28-08-2008 17:38
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Ao subir para o meu quarto, tomei um banho demorado, vesti um top preto e uma calça preta de malha soltinha e de pés descalços desci. Da escada percebi a presença de Jack na cozinha. Vestia apenas uma calça jeans, sem camisa, apenas um avental e os pés descalços. Respirei fundo e fui encontrá-lo.

- Finalmente! Achei que ia dormir sem jantar. Fui ao mercado e resolvi fazer um macarrão ao molho branco, vai resistir?
- Ao macarrão? De jeito nenhum. - e sentei no banco alto da mesa balcão que dividia a cozinha da sala.
- Depois eu é que sou o engraçadinho. Espero que goste. - e foi servindo.
- Perece delicioso - e ele também era, mas teria que me contentar com o macarrão.
- Aceita um vinho? Comprei um francês, você conhece?

Olhei a embalagem e comentei:
- Não entendo nada de vinhos franceses, quando vim para Londres era muito jovem.
- Você nunca teve medo de encarar Londres sozinha? Afinal na Ecole Privée de Tersac você estava segura.
- Não tive medo. Foi tão natural e como entrei no Royal me senti amparada. Preenchia meus dias com a faculdade de arte e os ensaios. Os anos passaram depressa.
- Você teve uma vida ótima. Fez tudo o que quis. Uma escola como queria, o ballet que amava. Quando te deixei no aeroporto - suspirou - queria ter feito o mesmo.
- Mas você fez, tanto é que está aqui.
- As coisas acontecem no tempo que tem que acontecer.
- Por que você largou tudo?
- Essa é parte da história que sempre quis te contar. Você foi importante nesta decisão. Lembra que quando você foi embora disse que não queria nada da herança? - balancei a cabeça afirmativamente - Nunca acreditei, mas quando chegou sua carta percebi que você estava certa e eu carreguei aquele peso em vão.
- Em vão não! Olha os investimentos que você fez. Eu pesquisei e sei que além do ABT você administra a produtora e mantém uma escola de artes voltada só para crianças e adolescentes carentes. - foi a minha diversão nestes últimos tempos pesquisar sobre a vida de Jack - E isso é uma ação nobre!
- Você me incentivou. Mas eu preciso te revelar fatos delicados. Acho que você precisa saber.
- Tem haver com a morte de nossos pais e a carta que nunca li?
- A carta está nas minhas coisas, mas também nunca li. Esperei para ler com você. - apoiou-se sobre a mesa e prosseguiu em tom sério - As empresas eram muito produtivas. A construtora era uma fonte de lucros incríveis, mas para chegar neste ponto, meu pai e o seu fizeram acordos e tiveram investimentos de meios duvidosos.
- Meu pai? Mas eles se conheceram?
- Fiquei tão surpreso quanto você. - ele era ainda mais lindo neste tom de preocupação - Seu pai tinha o capital inicial e o meu pai os contatos e a influência, mas estava falido. A doença e a morte de John Parker complicou tudo. Como tinham negócios arriscados, sua mãe entrou na sociedade, mas como esposa. O casamento foi um contrato, mas meus pais continuaram juntos. Eles esconderam isso de todo mundo.
- Eu já desconfiava disso. Nunca senti nada entre eles. - lembrei da conversa de Jack com o pai na biblioteca, anos atrás - Mas afinal que negócios arriscados eram esses?
- Lavagem de dinheiro. Para investir na empresa, fizeram acordos com um grupo de armamento clandestino.

Fiquei sem ação. Como assim? Armas? E Jack continuou.

- Você tinha razão. Esse dinheiro não trouxe felicidade pra ninguém, porque os meios escolhidos para enriquecer foram os piores.
- Nunca imaginei! E como você descobriu?
- Precisaram me deixar a par de tudo e pensaram que iam tirar de letra. Imagine um moleque de vinte e dois anos? Mas sutilmente, no pouco tempo que trabalhei com meu pai, ele me orientou em muitas coisas, mesmo sem revelar toda a sujeira. Não foi difícil descobrir o resto.
- E você acha que a morte deles tem haver com isso?
- Nunca foi possível provar, mas acredito que sim. Na verdade isso foi o que menos me preocupou, minha meta sempre foi limpar tudo e garantir o que era seu e de minhas irmãs.
- Deve ter sido difícil...
- Não tinha saída, por isso achei que o mais estratégico era criar um caixa dois e ir garantindo, no mínimo, os investimentos dos nossos pais. No fim, ter escondido você na França, foi o mais seguro.
- E eu sem suspeitar de tantos perigos.
- Quando você me deu autonomia para gerenciar todas as ações, lancei-as no mercado, entreguei para a máfia o que teoricamente era deles e resolvi seguir o meu caminho.
- Mas as empresas ainda existem?
- Sim a pleno vapor, mas prometi não revelar nada, garantindo a segurança de toda a minha família, e você faz parte dela.

Família? Era tudo o que eu queria. E com tantas informações, fiquei confusa.

- Jack, eu nem sei o que dizer.
- Eu sei. Acabei derrubando tudo no teu colo. Mas não podia mais guardar tantos segredos. Queria ter feito isso há cinco anos, mas recebi a tua carta e a visita de um advogado. Achei melhor seguir meus planos. Você está decepcionada?
- Com certeza, e já sabia que tinha muita coisa estranha acontecendo, mas não tinha noção do grau dos problemas. - respirei fundo - O que mais me incomoda é saber do envolvimento do meu pai. Ele era me ídolo.
- Mas ele deve continuar a ser seu ídolo. Apesar de tudo tenho muito carinho e saudade dos meus pais. Lembre-se que eles foram boas pessoas, apenas fizeram escolhas errada. A ambição os cegou.

E Jack tinha razão. Nós conseguimos nos livrar deste fardo e agora fazíamos o que gostávamos e, além disso, éramos bem remunerados. O ballet é um negócio lucrável quando bem administrado e isso já era claro em relação à experiência e a noção de marketing dele. Com certeza a companhia estava em ótimas mãos.

- Hoje você também faz o que gosta, não é?
- Claro! Eu adoro este universo.
- É uma boa semente que a sua mãe plantou.
- Você tem razão, ela plantou. Mas foi você que fez germinar.

E olhou-me com doçura e carinho. Apenas sorri a baixei a cabeça. Tinha tanta coisa para lhe dizer, mas como? Despertei deste rápido devaneio graças à companhia que tocou. Apressei-me a atender. Provavelmente era Luc, pois esquecia com freqüência suas chaves no carro ou no escritório.

- Fred? O que você faz aqui? - falei totalmente assustada.
- Estava aqui por perto e, ao invés de ligar, passei para saber as últimas.

Jack apareceu na porta constrangido. O que estaria pensando? Fred percebeu sua presença e ficou desconcertado.

- Sr. Hamilton? - e gaguejando continuou - Desculpe-me, não imaginei... Ahm. Nos falamos depois Julianne.
- De forma alguma - interveio Jack - vou subir e deixar vocês à vontade. Com licença.

E subiu apressado. Fred continuou falando baixinho:
- Então era isso que você queria me contar. Voltaram?
- Não! Imagina! Isso é coisa do Luc que o convidou a ficar aqui.
- Droga, mas agora atrapalhei vocês.
- Não atrapalhou. Fica tranqüilo. Acho que você me salvou. É difícil ser forte com ele tão perto.
- Ele gosta de você. Está na cara. Deveria dar uma chance.
- É complicado. Melhor você ir. Amanhã nos falamos.
- July! Desculpe mesmo.
- Na verdade, ele acha que ainda estamos juntos e até é bom, assim fica mais fácil ele encarar os fatos.
- Eu não concordo com você. Está sendo muito radical. Cabeça dura mesmo.
- Vai, vai Fred - fui empurrando ele - amanhã nos falamos.

Nos despedimos e Fred foi embora. Voltei para a cozinha. Recolhi a louça. Ajeitei tudo e voltei para o meu quarto. Jack não apareceu mais. Foram tantas novidades para um dia só! Nem sei a que horas fui dormir. Quando acordei já eram quase onze horas e a casa estava silenciosa. Passei pelo quarto de Jack. A porta estava aberta e o quarto vazio. Entrei. Vi a mala meio aberta, dois trajes pendurados no guarda roupa. Na pia do banheiro, uma frasqueira com perfume, loção pós-barba. Como era bom sentir o cheiro dele. Ouvi um barulho de porta batendo lá em baixo e sai com pressa. Não havia ninguém. Fui à procura de um café. Já estava pronto na cafeteira. Liguei para Luc.

- Oi! Bom dia! Obrigado pelo café.
- Bom dia, amour, mas não fiz este café.
- Hum! O café dele é bom.
- Como foi a sua noite?
- Minha noite foi de insônia Luc. E nem te vi chegar.
- Na verdade não cheguei. Achei melhor deixar vocês a sós.
- Pois deveria ter vindo. Não aconteceu nada.
- Porque você é uma boba. E ele está aí ainda?
- Acho que acabou de sair.
- Que horas você precisa estar no teatro?
- Às duas da tarde. Por quê?
- Vamos almoçar juntos?
- Combinado. Nos encontramos no Acorn House ao meio dia.

Apressei-me em ficar pronta. Depois de um banho para despertar, escolhi um vestido preto leve de malha e uma sandália vermelha elegante.

Ao meio dia já estava esperando por Luc em uma mesa na janela do restaurante. Vínhamos aqui com freqüência. O sucesso deste aconchegante lugar indicava uma nova tendência na capital britânica: casas que adotam práticas para reduzir, o máximo possível, o seu impacto no meio ambiente. O restaurante Acorn House, em King's Cross, está localizado na esquina da Grays Inn Road e Swinton Street, e já recebeu críticas elogiosas de jornais como The Times e Independent. Aqui é possível saborear uma seleção de legumes orgânicos cultivados no jardim Pott-Dawson, mussarela fresca do tipo burata, frutas e merengue orgânicos, vinhos e suco de maçã, também orgânicos. O menu oferece opções de porções menores, medida que, segundo o seu dono, também visa a redução do desperdício. O restaurante aboliu o ar condicionado, usando água fria de um canal atrás do prédio para refrigerar o ambiente. A iluminação é feita com lâmpadas de baixo consumo. No Acorn House os clientes também são incentivados a beber água filtrada, servida de graça, ao invés da engarrafada. E já olhava o menu quando Luc chegou e me surpreendeu com um leve beijo no rosto:

- Oi July. Vamos pedir o de sempre?
- Perfeito. Salmão com mangas, salada verde e suco de maçã.

E o garçom levou nosso pedido e logo trouxe o suco.
- Preciso te contar: Luigi e eu voltamos.
- Que bom! Se entenderam?
- Nos demos conta que foram pequenas bobagens que nos afastaram. Na verdade estávamos com medo de dar o próximo passo.
- Próximo passo?
- Morar juntos. - Luc percebeu minha cara de surpresa e continuou - Ele me chamou para morar com ele. Vamos fazer uma experiência e quero muito que dê certo.
- Teus olhos estão brilhando e se você está feliz também estou.

Luc segurou minhas mãos.

- Eu sempre soube que você encontraria um cara bacana e eu ficaria só. Este seria o dia mais triste da minha vida, afinal estamos tanto tempo juntos. Mas de repente, sou eu quem tem que dar este passo. É difícil, pois nem sei definir o que você é para mim.
- Luc - suspirei - Você é mais que um irmão. Porque irmão a gente não escolhe, mas nós nos escolhemos. Vai ser difícil dormir e acordar sem saber que você está por perto, mas nós sabíamos que um dia isso ia acontecer.
- Eu vou estar sempre por perto.
- Eu sei!

Apertei ainda mais forte sua mão.

- Conversei muito com Jack ontem. Ele é louco por você. Por que deixar este amor passar? Vocês foram feitos um para o outro. A história toda de vocês só fez aproximá-los.
- Ontem ele me trouxe outros fatos do passado. - e relatei tudo para Luc.
- Meu Deus! Que loucura!

E ficamos ali por mais um tempo, almoçando e trocando idéias sobre as minhas confusões com Jack. Depois Luc me deu uma carona até o teatro. Fui direto para os camarins e me concentrei na preparação do figurino, maquiagem e cabelo. Não vi Jack, mas a equipe dele já filmava tudo sobre os bastidores da preparação para o ensaio geral.

E a filmagem foi um sucesso. Dançamos tudo duas vezes, com duas pausas de uma hora cada. Na primeira pausa, visualizei Jack das coxias. Estava de calça jeans, suéter preto e tênis. Parecia bem agitado na direção das imagens. Estava entretida a observá-los quando percebi Louise se aproximar com sua câmera fotográfica.

- Oi Juliet. Tudo bem?
- Tudo e você?
- Também. Já capturei ângulos incríveis. Tem uns seus ótimos. Se você quiser ver depois posso te mostrar.
- Claro! Adoraria. Vi teu trabalho no Chateou e achei incrível.
- Quando a gente faz o que gosta é fácil. Veja você.
- É verdade. É fácil quando a gente gosta.
- Depois da estréia, na sexta-feira, vamos jantar no Fifteen, conhece?
- Sim, lá é ótimo. O proprietário e chef, Jamie Oliver, é excelente. Vocês vão adorar.
- Mas faço questão da sua presença.
- Ok! Será um prazer.

Ela seguiu fazendo o seu trabalho e eu continuei o meu. Ao final estava exausta, mas como tudo ficou perfeito teríamos folga até sexta. Terminada a maratona voltei para casa sozinha. Enquanto caminhava, a todo o momento, imaginava Jack aparecendo, mas nada aconteceu. Ele deveria estar chateado com a possibilidade do Fred e eu estarmos juntos. Eu estava exagerando mesmo. Excesso de moralidade. Será? Ele é um homem bom, jamais deixaria que algo faltasse para o seu filho. E eu? Seria capaz de amar esta criança também? Com tudo que já passei não seria difícil, pois esta criança não tem culpa de nada.

Cheguei no apartamento e subi. A casa estava vazia, mas teria que me acostumar, afinal logo Luc não estaria mais aqui. Abri a porta do quarto e me atirei na cama. Deitei com roupa e tudo. Adormeci.

Acordei horas depois. Olhei no relógio e já passava da meia noite. Estava sem sandálias
e coberta com um lençol. Tenho certeza que não estava assim. Deve ter sido Luc. Sempre fazia isso comigo quando chegava exausta dos ensaios. Estava com muita fome. Desci a procura de comida e na cozinha preparei um sanduíche.

Fui até a sacada da sala, sentei em uma cadeira e apoiei minhas pernas no alto do gradil. Era a primeira noite quente em Londres. Apesar da primavera ter iniciado em 21 de março no Reino Unido, até então tive que discordar. Até neve caiu nos primeiros dias do mês em algumas regiões da Grã-Bretanha. Londres mesmo parecia estar sob os efeitos do congelado inverno inglês. Mas hoje não. Enquanto começava a saborear meu sanduíche, comecei a planejar meus dias de folga.

Londres é toda flores na primavera. Depois de um inverno super rigoroso, a cidade parece estar em festa no início da estação, com gente povoando os parques e espaços abertos da cidade. Quero caminhar no Hampstead Heath ou andar de bicicleta no St. James's Park. Talvez um piquenique no Victoria Park. Ler um bom livro, lanche gostoso, toalha. Tudo regado a Pim's, a bebida oficial do calor londrino. Distraída, nem percebi que fala alto.

- Humm! Pim's! Dizem que é delicioso. Posso ir junto?

Assustei-me com ele. Baixei as pernas, pois estava de vestido. Percebi seu sorriso malicioso ao observar minhas pernas.

- J-Jack! Nem vi você e eu aqui falando sozinha.
- Também faço isso com freqüência.

E sentou-se em uma cadeira ao lado da minha, colocou seus pés confortavelmente sobre o gradil e continuou:

- Encontrei você desmaiada e fiquei até com pena do quanto fizemos vocês trabalharem hoje.
- Nem me fale! Olhe meus pés! Que horror!
- Imagina! São lindos. Sempre me disseram que pés de bailarina são terríveis, mas não os seus.
- Procuro cuidar bem deles. Mas não é fácil. Você que me cobriu? Pensei que fosse Luc...
- E tirei suas sandálias. - apressou-se em me contar - Você estava tão cansada que nem se mexeu.
- Ainda bem que teremos folga até sexta-feira.
- Vocês merecem. O espetáculo está ótimo. E então, posso andar de bicicleta com você amanhã?
- Claro, desde que não atropele ninguém, ok?

Novamente escutava sua gostosa gargalhada. Parou e me encarou.

- Está com medo que eu me apaixone por uma inglesa?
- Por quê? Você se apaixona por todo mundo que passa na sua frente?
- Não! Também não é assim. Só quando são bonitas, inteligentes, irresistíveis.
- Você gosta de me provocar, não é?

Automaticamente desceu as pernas do gradil, ergueu-se e apoiou seus braços nos braços da minha cadeira e a virou em sua direção. Foi tudo tão rápido que nem tive como reagir. Ajoelhou na minha frente e disse:

- Juliet olhe bem nos meus olhos e diz que não sente nada por mim.

Baixei a cabeça instintivamente, fugindo daquele confronto. Pôs a mão no meu queixo delicadamente, erguendo meus olhos até encontrar os seus. Sua mão escorregou até minha nuca, alisando meus cabelos e suplicou:

- Por favor.
- Jack. Eu...

E não pude continuar. O beijo veio doce e tranqüilo. Não tínhamos pressa nenhuma. Ainda ajoelhado na minha frente, percebeu que minhas lágrimas desciam pelo rosto e me abraçou com força. Queria ficar ali nos seus braços para sempre. Ele me acariciava os cabelos e apertava-me em seus braços, e eu soluçava.

- July, por favor! Não foge de mim. Eu não agüento te ter tão perto e tão longe. Ontem foi insuportável.
- Também achei péssimo e você entendeu tudo errado em relação ao Fred.
- Eu sei. Almoçamos juntos hoje e ele me contou tudo. Eu fui um tolo.
- Almoçaram juntos? O que ele te contou?
- Que vocês foram muito próximos sim, mas desde que você voltou de Nova Iorque ficou claro que não teria mais volta. Contou de uma noite no bar que você bebeu e lhe contou tudo. Nem imagino você bêbada. - e sorriu debochado.
- Vou matar o Fred. Ele não tinha o direito... - e me impediu de continuar com outro suave beijo.
- Calma. Ele ficou preocupado. Achou que era o melhor para nós. - colocou suas mão no meu rosto com delicadeza, fitou-me e continuou - Eu te amo July. Nada e nem ninguém vai mudar isso, nem você.
- Eu não quero que mude. Eu também te amo, Jack.

E nos beijamos com intensidade, desejo e pressa. Pressa de recuperar o tempo perdido. Jack me pegou no colo com cuidado e eu deitei minha cabeça em seu ombro. Era tão bom sentir o seu perfume. Subiu as escadas sem dificuldades. Já em meu quarto abraçou-me e nos beijamos ardentemente. Não tiramos as roupas, mas as arrancamos com ferocidade. Pulsávamos de desejo. Eu tremia a cada toque, um tremor de prazer, de ansiedade, de redescobrimento. É como se estivéssemos fazendo tudo pela primeira vez. Gemíamos deliciosamente e eu o agarrava como se quisesse colocá-lo todo, corpo e alma, dentro de mim. E exaustos de prazer adormecemos. Não havia mais o que ser dito. Ficou claro que pertencíamos um ao outro. Agora precisávamos começar a escrever juntos a nossa história.

Quando acordei, Jack não estava na cama. Será que precisou ir trabalhar? Estaria tão exausta a ponto de não vê-lo sair? Abracei o travesseiro e relembrei a deliciosa noite que passamos juntos. Ainda sentia seu cheiro em meu corpo. Era tão simples estar com ele. Como fui tola e exagerada. Podia sentir o quanto ele me amava. Nos seus braços me sentia segura e completa. Não havia o que temer.

- Ah! Finalmente acordou! - Jack entrava no quarto apenas com uma toalha amarrada na cintura e com uma bandeja, trazendo um delicioso café da manhã.
- Humm! Que delícia! Até achei que você havia saído.
- Essa é uma das vantagens de ser chefe. Vou ficar de folga com você.
- Que bom! Vem cá vem. - E ele veio e nos amamos mais uma vez.
- Quero que você me leve para conhecer Londres.
- Eu sei que você já esteve aqui várias vezes. O que não conhece ainda?
- Quero vê-la a partir do teu olhar. Quero saber o que essa cidade tem de tão bom que não te fez voltar para Nova Iorque antes.
- Ok! Vou te levar para conhecer meus cantos favoritos!
- Vai voltar comigo depois, para Nova Iorque?
- Isso é um convite? Você me quer em Nova Iorque?
- Eu quero você em qualquer parte do mundo. Mas claro que sim. Eu e o American Ballet precisamos de você.
- Humm! Negócios e prazer?
- Não! Negócios com prazer! Eu amo o dia em que você caiu no meu colo naquele parque. Eu tenho certeza que me apaixonei por você naquele instante.
- Então ganhei de você.
- Ganhou?
- Acho que me apaixonei por você desde que me acenou quando foi para Harvard.
- Nossa! Você ainda lembra deste dia?
- Lógico! Mas você lembra?
- Claro! Tinha tanta pena de você presa naquele lugar que se pudesse teria te levado comigo.
- Teria sido maravilhoso!
- Não! Tudo acontece como tem que acontecer!
- Agora também acredito nisso.

E rimos muito de todas as nossas antigas dificuldades. Nos sentamos na cama para saborear o café, que já estava esfriando. Jack pegou minha mão com delicadeza e a beijou.

- Onde está o anel que te dei?
- Ah! O anel! Está naquela caixinha, ao lado do espelho.
- E por que você não o está usando? Achei que nunca o tirava.

Ele tinha razão.

- Quando estava no vôo, voltando de Nova Iorque, sozinha e deprimida, me arrependi de não ter te entregue, afinal, era da sua mãe. Mas também ficar olhando para ele era doloroso demais. Lembrava-me de você direto.
- July, não foi fácil para nós dois e eu entendo perfeitamente as tuas dúvidas.
- Não Jack. Eu fui egoísta. Agora tenho clareza que posso estar do teu lado em qualquer situação. Acho que depois de tudo que vivi, posso amar esta criança também.
- Como é bom escutar isso! Nem sabes como me fazes feliz, mas também não fui sincero com você quando cheguei.

E fez cara de preocupado. Fiquei apreensiva.

- O que você quer dizer?
- Quando você foi embora de Nova Iorque, fiquei doido e comecei a planejar como viria te buscar. Ao mesmo tempo precisei conversar seriamente com Meredith e deixar claro minhas intenções.
- Imagino que foi difícil para ela.
- Difícil? Ela quase me enlouqueceu, mas um dia antes de embarcar para Londres ela me procurou. Acredito que iria lançar as últimas fichas do seu joguinho sujo e como viu que eu estava determinado a te procurar, confessou tudo.
- Confessou o quê?
- A gravidez era falsa.

Nem pude acreditar. Ela tentou aplicar o golpe mais antigo do mundo e nós todos caímos. Claro! Agora entendi porque não quis ir ao hospital aquela última noite no Chateou.

- Por que você não me contou logo? Estava me testando? - falei aborrecida.
- De forma alguma. Contei tudo para Luc assim que cheguei e iria te contar também, mas com a história do Fred fiquei confuso. Ontem voltei para o apartamento determinado a te contar tudo.
- Que belos amigos que tenho!
- Todos só queriam nos ver juntos.

E nos abraçamos e celebramos o estar juntos depois de tantos desencontros.
Passamos dias perfeitos. Londres é, sem dúvida, tentadora, vibrante e charmosa de dia e de noite. A cidade tem uma infinidade de lugares incríveis para conhecer, sem exageros. Galerias de arte, catedrais, feiras ao ar livre (principalmente Portobello Road e Camden Town), praças e parques lindíssimos, além dos inúmeros teatros, restaurantes e pubs. E nestes passeios Jack e eu descobrimos afinidades ainda maiores. Gostávamos das mesmas coisas. Ele era muito culto e refinado. Ao mesmo tempo animado e divertido. Um dos momentos mais especiais foi admirar a cidade de cima em um passeio na imperdível London Eye.

Um dia antes da estréia do Ballet Giselle no Royal fomos a adorável Eastbourne, que fica à uma hora e meia, de trem, de Londres, construída em estilo vitoriano a partir de uma charmosa praia de pedras. A cidade tem um longo calçadão e um jardim colorido e bem cuidado que é de orgulhar seus moradores. Um passeio único é conhecer as vilas antigas da região e as casas de campo tipicamente inglesas.

Resolvemos ficar aquela noite em uma pousada a beira da praia. Jack alugou um carro e voltaríamos para Londres no dia seguinte, sexta-feira, a tempo de estar no teatro no horário combinado para nos organizarmos para a grande estréia.

Depois que jantamos num aconchegante bistrô, resolvemos voltar caminhando pela praia até a pousada. Tiramos nossos sapatos. A noite estava quente e podíamos sentir uma deliciosa brisa que soprava do mar, assim como a água que batia suave em nossos pés.

- July trouxe um pequeno presente para você. - e tirou do seu bolso um pequeno embrulho retangular.
- Humm! Uma surpresa? Fiquei curiosa

Rapidamente desembrulhei o pacote e em seu interior encontrei um interessante carretel de linha.
- Mal estamos juntos e você já quer que eu costure suas meias?
- Engraçadinha! - e sorriu - Dê-me a sua mão.

Fiquei sem ação. Enrolou a ponta da linha em meu dedo e prosseguiu:
- Nestes últimos tempos, fui percebendo que um fio invisível sempre nos manteve unidos. É como se você sempre tivesse feito parte da minha vida. Mas agora quero muito que esta linha que nos une se torne real.

E neste momento o anel, o mesmo anel de anos atrás, deslizou pela linha, caindo diretamente em meu dedo.
- Eu te amo Juliet! Casa comigo?

Nem pude acreditar.

Meus olhos se encheram de lágrimas e deixei que caíssem sem medo.

Pela primeira vez tinha certeza que meu choro era de total felicidade e naqueles olhos verdes que sempre me fitaram de uma forma especial, encontrei todo o amor que uma mulher pode querer no mundo.

- Claro que sim! Eu também te amo!

THE END

Bom, agora a história começa a ser escrita pelos dois.
E sabem aquele momento do filme em que os créditos sobem, mostrando o que aconteceu depois? Pois é, vem agora, mas a narração quem faz é Jack enquanto as últimas imagens vão aparecendo para nós, meros expectadoras desta história de amor.
"Até agora deixei que Juliet contasse a nossa história.
Deixem-me pelo menos concluí-la.
Depois da turnê ainda voltamos para Londres para que Juliet acertasse sua saída do Royal.
A mudança foi tranqüila, difícil foi a despedida, no aeroporto. Luc e Juliet choraram muito. Quase senti ciúmes, mas era Luc!
Também não demorou o reencontro. Um mês depois estávamos todos reunidos no Chateou para o nosso casamento. Sabem como é, toda a noiva normal escolhe uma madrinha, mas July escolheu Luc! Claro!
E o casamento foi perfeito. Simples, mas inesquecível. Ao ar livre apenas para a nossa família e os amigos mais íntimos. Não poderia ter acontecido em outro lugar, afinal foi lá que tudo começou.
Juliet já voltou a dançar, assumindo definitivamente o posto de primeira bailarina do ABT. Falo voltou porque ficou dois anos longe dos palcos. Queria acompanhar os primeiros passos de nossos amados filhos, os gêmeos Claire e Francis.

Se somos felizes? Com certeza!
Mas também discutimos, discordamos, acertamos e erramos, brigamos e fazemos as pazes. Sabe qual a diferença?
Sabemos que podemos contar um com o outro.
Afinal, escrever a própria história juntos não é fácil, mas é possível.
Nós estamos escrevendo a nossa história.

E você?
Está escrevendo a sua?"

MAKE YOUR OWN HISTORY
WE DO OUR.
AND ARE YOU DOING YOURS?


Publicado em : Livros, Romance
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