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Make your own history - Capítulo 07 Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Nanda Oliviero, em 26-08-2008 17:04
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No dia do baile, o salão principal do Chateou foi ornamentado com uma decoração medieval, lembrando os belos bailes da corte de Luis XV. Muitas pessoas foram chegando, não só os hóspedes, mas muitos que vieram de Nova Iorque para este momento. Uma orquestra estava elegantemente instalada no palco e trajavam roupas clássicas e respectivas máscaras.

Jack e eu fomos muito elogiados por nosso figurino e nos divertíamos muito.

Iniciamos a contagem regressiva para o novo ano e Jack carinhosamente me abraçou:

- Feche os olhos e faça um pedido. - e assim o fiz, enquanto nos beijamos com amor. - O que você pediu?
- Exatamente o que recebi. - respondi completamente feliz com o seu beijo.
- Pois eu pedi para ficar com você para sempre.

E nos abraçamos forte, enquanto escutávamos os fogos e a chegada de um novo tempo. Tempo de reencontro, de entrega. Neste momento, tive a certeza, pela primeira vez, o que era amor. Não poderia mais esperar, hoje iria contar tudo. Se não compreendesse iria sofrer por um tempo, mas já me refiz de tantos percalços. Mas se entendesse, começaria a viver verdadeiramente dentro do que chamam felicidade. Mais uma vez era hora de lançar minha sorte.

Abraçamos todos que estavam próximos, mas não encontrei Luc. Queria lhe desejar bom ano e também dizer que estava decidida a contar quem sou para Jack. Como não o vi, falei com Jack e pedi que me esperasse, pois iria procurar Luc. Jack ficou por ali com as irmãs. O salão estava muito cheio e era difícil passar por todos.

Com muito custo, visualizei Luc no segundo piso que tinha mesas voltadas para a pista de dança. Subi as escadas em seu encontro, mas enquanto subia percebi que ele descia pele outra. Olhei para baixo e fiquei intrigada com a cena: Dr. Shephard cochichando no ouvido de Jack, que fazia cara preocupada. Não levei a sério, pois percebi a entrada para a biblioteca e isso me chamou a atenção. Nossa! Quanto tempo! Como adorava este lugar. Entrei e comecei a me entreter nas estantes, olhava os livros, as encadernações, tudo igual. Estava folheando um exemplar atrás de uma prateleira repleta de coleções, quando Jack entrou com Dr. Shephard e Meredith. Estranhei e instintivamente mantive-me paralisada para que não me notassem.

- Deita aqui, Meredith. - falou Dr. Shephard auxiliando-a a deitar no sofá.
- Isso é ridículo. - esbravejou Jack.
- Calma - pediu Marc Shephard - não vai ajudar nada você agir assim.
- Como ajudar? Será que essa louca não vai me deixar em paz.

Nunca vi Jack tão bravo. Meredith chorava, e respondeu baixinho, enfraquecida:
- Eu não iria te contar, mas já são três meses e é alto risco.
- Você não pode ter engravidado. Nós nos cuidávamos.
- Mas aconteceu.

Grávida? Meredith grávida de Jack? Meu Deus!
- Você fez isso de caso pensado. Você sabe o quanto família é importante para mim. Mas eu não te amo. Como construir algo sem amor?
- É essa bailarina inglesa que virou sua cabeça - agora sim parecia a advogada arrogante - se ela não tivesse aqui você não pensaria duas vezes em construir uma família comigo e com o seu filho.

Percebi o quanto a palavra filho mexeu com ele.
- Deixe Julianne fora disso.
- Jack é melhor levarmos Meredith para um pronto-socorro e avaliar seu estado.
- Não Marc. Não é preciso. - respondeu rápido - Eu já conheço meus sintomas. Vou ligar para o meu médico. Só preciso de ajuda para subir para o quarto. Vou repousar.
- Marc, por favor, leve-a - suplicou Jack.
- Amanhã precisamos conversar. - Falou Meredith com firmeza.
Jack estava de costas para ele e nem virou enquanto saiam. Percebi lágrimas nos seus olhos e era evidente que estava num dilema. Continuei paralisada. Não sabia o que fazer, dizer. Meu mundo caiu. Acordei deste transe quando ele deu um murro na mesa e saiu, batendo a porta. Sai de trás da estante e procurei uma janela. Precisava de ar puro.

Diante de tantos acontecimentos e já conhecendo a integridade de Jack e o quanto preserva as relações familiares, sabia que era hora de me retirar. Não poderia permitir que ele ficasse confuso, muito menos deixar esta criança crescer sem o pai, depois de tudo que eu vivi, sem meu pai, depois minha mãe. Que sentimento estranho. Diante de nós, uma barreira. Um muro alto, assustador e imponente. Não há desvios ou túneis para seguir em frente. Quanto mais confusa me sentia, mais alto este muro ficava. E desta barreira, conhecia cada centímetro, feitos com os meus medos e cimentados com minhas fragilidades. Reconheci todos. Uns eram maiores, mais resistentes, feitos de minhas experiências passadas. Saí da biblioteca e olhei ao redor. O baile estava lindo. As pessoas se divertiam. Eu acabei de viver os melhores momentos da minha vida com Jack, mas, mais uma vez, ia ter que juntar os pedaços e recomeçar. Queria sair correndo, mas não podia. Antes contaria tudo para ele.

O tumulto da festa começou a me incomodar. Minha cabeça começou a girar. Ficou tudo escuro. Não vi mais nada.

Acordei horas depois e percebi o quarto na penumbra. Jack e Marc conversavam baixinho:
- Só falta você ter engravidado ela também.
- Fica quieto Marc. Se fosse a Julianne estava feliz, mas Meredith - e suspirou profundamente.

Despediram-se e Marc, comentou que qualquer coisa ligasse para ele.

Esperei um pouco e me movimentei.

- July, meu amor, está se sentindo melhor?
- O que houve?
- Você desmaiou. Fiquei preocupado. Marc mediu sua pressão e estava bem baixa. Acho que você se alimentou mal.
- Pode ser. Estou com tanto sono. - menti - Estraguei seu baile não é.
- Imagine. Você foi a melhor parte. Fica quietinha e dorme.

E assim fiz. Esperei que adormecesse. Depois de uma semana já conhecia seu sono pesado, apesar dos últimos acontecimentos. Deveria estar tão estressado que adormeceu logo. Olhei para ele com carinho. Seria difícil a despedida. Não queria, nem seria um peso em suas decisões. Minha decisão foi rápida. Escrevi uma carta e deixei sobre a escrivaninha:

"Jack, não sei como começar, mas também não tenho coragem de te olhar nos olhos. Vivi os melhores momentos da minha vida esta semana com você, mas não fui sincera e conheço bem teus princípios de honestidade. Desde que nos encontramos no Central Park, reconheci você, meu querido tutor, que tanto me apoiou na pior fase da minha vida. Mesmo distante você me incentivou e acreditou na minha capacidade. Sim, Jack! Sou Juliet, mas não consegui te falar e foi ficando cada vez mais difícil, pois não planejei me apaixonar por você. Ontem também não fui sincera ao ficar escondida na biblioteca. Estava apenas matando a suadade do único lugar em que fui feliz nesta casa, mas saber da gravidez de Meredith me fez decidir que era hora de partir. Você será um excelente pai e esta criança, diferente de nós, terá uma família completa. Teria muito mais para te dizer, mas não quero prolongar este sofrimento. Se um dia puder me perdoar... Desta vez com sinceridade, Juliet".

Arrumei minhas coisas com pressa e desci. Já eram sete horas da manhã e a casa estava silenciosa. Liguei para Luc, que veio ao meu encontro.

- Não faz isso. Conversa com ele primeiro.
- Não posso.
- Você está fugindo de novo.
- Ele vai ser pai. E vai ser o melhor. Já liguei para o aeroporto e tem um vôo ao meio dia para Londres. Preciso ir embora. Voltar para Nova Iorque ou ficar aqui mais um minuto... Não dá.
- Quer que te leve?
- Não. Tem um táxi me esperando. Como está cedo vou passar em um lugar que ainda não visitei.
- Vá com calma, o tempo é conselheiro.

E nos despedimos.

Só faltava um lugar para visitar. Foram tantas idas e vindas que não pude visitar o túmulo dos meus pais. Pedi para o táxi me aguardar. Estavam todos próximos, sepultados lado a lado: John Parker, meu pai. Margareth Parker Hamilton, minha mãe. Carl e Lauren Hamilton, os pais de Jack. Depositei rosas vermelhas para todos, mas rosas champagne para Lauren, pois lembrei que eram suas favoritas. Sua foto mostrava uma mulher linda, mas com olhar triste. Sentei perto de meu pai e pensei na ironia destas vidas que se encontraram e não tiveram a sorte de viver suas histórias de amor. E agora era a minha vez de experimentar esses dissabores. Começava a acreditar em destino. E distraída em meus pensamentos, não percebi o vulto que se aproximava:

- Jack! Como vocë me encontrou aqui?
- Luc.
- Mas não lhe disse aonde iria.
- Mas disse que precisava passar em um lugar ainda, antes de ir embora. Vejo que lembrou das flores favoritas da minha mãe.
- O que você quer?
- Que você não fuja e me escute.
- Não complica as coisas, por favor.
- Eu sempre soube quem era você, Juliet.
- O quê? - fiquei espantada, pois nunca percebi nada - Como?

Sentou ao meu lado, suspirou profundamente e começou:

- Quando te encontrei no parque, não percebi que era você, estava muito diferente, mas quando vi o anel entendi. Uma semana antes de morrer minha mãe me entregou este anel e pediu que eu o desse para alguém que não desistisse dos seus sonhos, pois ela desistiu dos seus. Sempre pensei em você. Acompanhei seu crescimento e sei o quanto batalhou pelas oportunidades.
- Como acompanhou? Foi sempre tão distante.
- Estive em Tersac, em todas as tuas apresentações de final de ano. Estava sempre lá, discreto, mas não queria invadir o teu espaço. - minha cara era de total espanto - Vi você dançando e logo ficou claro o teu talento, ao mesmo tempo percebia que estavas feliz. Quando você foi para Londres perdi os anos mais importantes da tua carreira, da tua ascensão, pois foram os anos críticos das empresas. Vivia vinte e quatros horas para aquilo que sempre foi o que nos separou. No teu aniversário de vinte e um anos, recebi a tua carta e te procurei por toda Inglaterra, mas sem sorte. No hospital entendi o porquê: a mudança de nome.
- Não queria mais carregar o peso de um sobrenome que nem era meu. Minha mãe não tinha o direito de mudá-lo.
- Há dois meses voltei para Europa na esperança de selecionar novos bailarinos para companhia e quem sabe te encontrar. Depois o destino se encarregou do resto. Tony se encantou por você e quando voltei, desanimado por não ter te encontrado, você caiu no meu colo. Mas não era mais aquela menininha que vi no palco da escola, pela última vez, com dezessete anos. Era uma mulher linda, decidida, inteligente. Apaixonei-me por você ali mesmo e também não tive coragem de revelar tudo.
- Então você sempre soube.
- O tempo todo, mas entendia a tua confusão e tinha certeza que teus sentimentos eram tão inesperados, sinceros e puros quanto os meus.
- Por que tem que ser tão difícil, se me apaixonar por você foi tão fácil - falei com sinceridade já com lágrimas caindo dos olhos.
Jack posicionou-se a minha frente e segurou as minhas mãos. Exatamente como há anos atrás, aqui neste mesmo lugar, e completou:
- Não tem que ser difícil. Eu vou assumir sim e vou ser um bom pai, mas você pode estar do meu lado.
- Eu queria ter esta força. Mas eu não sou assim. Não sei mais lidar com o inesperado. Fiz tudo sempre com tanto planejamento.
- Mas não foi maravilhos se deixar levar. Deixar acontecer tudo o que a gente viveu esta semana.
- Jack, quero lembrar do que a gente viveu esta semana, sempre. Foi muito especial, mas não posso interferir na vida desta criança.
- Eu não vou fugir da minha responsabilidade, mas não vou ficar com quem não amo.
- Mas eu não estou pronta. Não conseguiria sustentar esta situação. É muita coisa para a minha cabeça.
- Fui apenas uma aventura para você.
- Seria, mas é você. Jack. Meu Jack. Entende?
- Entendo que você não sente o mesmo que sinto por você.
- Não diz isso. Estamos juntos a uma semana, o que você sabe sobre mim, sobre sentimentos? - argumentei com desespero, pois o amava sim e isso eu já tinha certeza.
- Conheço você minha vida inteira. Pelo menos a metade que conta. E eu sei exatamente o que sinto.
- Por favor, Jack, se coloca no meu lugar. Foi tudo muito rápido.
- Você vai embora mesmo? É definitivo?
- Sim, é o melhor para todo mundo. - e levantei-me.
- Eu entendo o teu momento, mas não vou desistir de você assim, Juliet.

Fui embora. Não tinha mais o que ser dito. Vivemos muito e intensamente. Deixei o destino tomar conta até agora. Mas acabou. Agora vou voltar a fazer minha própria história, voltar para Londres e me dedicar ao Royal. Não é o que queria, confesso, mas ao mesmo tempo, era um alívio. Esperava meu vôo pacientemente, não estava com pressa, afinal, não sabia bem se deveria ir, nem porque ia, apenas sabia que ia. Pensei nas palavras de Luc: "vá com calma, o tempo é conselheiro". Já instalada, procurei meu lugar. Em oito horas estaria em casa e recomeçaria minha história.


Publicado em : Livros, Romance
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