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| Make your own history - Capítulo 06 |
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Eram quatro horas em ponto quando Jack chegou. Charmoso como sempre, usava uma calça jeans, um tênis marrom, uma camiseta branca, jaqueta de couro bege, boné e óculos. Veio na minha direção e nos abraçamos com um beijo suave.
- Foi difícil ficar longe de você, pequena. Pequena? Meu coração acelerou. Ele quer me deixar doida. Acho que é o jeito delicado de chamar quem ele tem carinho. - Oi Luc, tudo bem? - Luc respondeu e ao me olhar, indagou - Demorei? - Pontualíssimo. - respondi. - Pontualidade britânica só para te agradar. Se tudo der certo, ainda chegamos para o chá das cinco. - Viu, Luc? Não te falei que ele é engraçadinho? - Hummm! Falavam de mim? - E convencido também! Novamente, boas gargalhadas. Entramos no carro e Luc aproveitou o percurso para sondar sobre tudo, a propriedade, as irmãs. E assim ele relatou: - A propriedade é um projeto da segunda esposa do meu pai. Quando iniciaram a construção eu ainda era um garoto, deveria ter uns dezesseis anos, não lembro. Era o sonho dela e seguiu uma planta original de um Castelo Medieval francês do século XVII. O Château de Bellevue foi um palácio francês construído para a Madame de Pompadour em 1750. Situava-se em Meudon, onde foi edificado na borda de um planalto com vistas para o Sena. Em 1823, foi demolido, restando poucos vestígios da sua existência. Com esta história, resolvemos batizar o hotel com o mesmo nome. Na época, eles tinham uma condição financeira invejável e a propriedade foi erguida em tempo recorde. Moramos todos aqui por um tempo, mas depois que morreram num acidente aéreo, ficou fechado, quase como um castelo fantasma. Há uns cinco anos, quando resolvi vender, minha irmã apareceu com a proposta de transformá-lo num hotel. E aí está o Château, completando quatro anos de muito sucesso. Quanto às irmãs, descobrimos que a mais velha, Bárbara estava com 33 anos e, junto com o marido administrava o hotel com muita dedicação. Era super família e casou cedo. Tinham três filhos: uma menina de dez anos, Claire; um menino de oito anos, Peter; e o caçula Michael. Louise, a irmã mais nova, estava com trinta anos e já no terceiro casamento. Era uma fotógrafa muito bem conceituada e Jack falava dela com admiração. Foi interessante vê-lo falar sobre sua família com brilho nos olhos. Novamente fiquei triste por ter crescido longe deles, pois pareciam bem unidos. Acorda Juliet! Eles nunca te acolheram, porque agora seria diferente? De repente fiquei arrependida de ter vindo. Tarde demais. Chegamos ao Château e fiquei estasiada em rever a mansão. Quantas emoções juntas! O lugar era exatamente igual, mas bem mais movimentado. Com hóspedes chegando, carros. Bem diferente de anos atrás. Estava encantada com tudo, quando percebi Jack observando minha reação. - É encantador Jack! É como se estivéssemos num pedacinho da França. - disfarcei. - Era exatamente o que queríamos e acho que a clientela comprou a idéia, pois a lista de espera e reservas é enorme. - E mesmo assim você conseguiu que Luc e eu estivéssemos aqui? - Ahh! O Luc realmente foi mais difícil, mas temos apartamentos triplos e ele concordou em ficar com o Ângelo e o Marcel. Já você, fica comigo, lógico. E sorriu malicioso Enquanto saíamos do carro, cumprimentou os rapazes da recepção e encaminhou alguns cuidados. Já no saguão reencontramos muitos amigos do ABT, entre eles Tony, Ângelo, Marcel, Tracy, Patty, Pen. Nos abraçamos, brincamos com o inesperado romance Julianne/Jack e contamos nosso inusitado encontro no parque. Luc rapidamente estava integrado ao divertido grupo. - July, vem. Quero te apresentar minhas irmãs. O segui sem demora, enquanto observava as maravilhas que Bárbara fez com a decoração interna, com muito bom gosto e requinte, privilegiando tons claros. Nas paredes algumas fotos em preto e branco, provavelmente de Louise. Encontramos todos reunidos no restaurante. Fiquei constrangida, pois realmente estavam nos esperando. - Julianne querida! Que bom que chegaram. Jack nos fez preparar o chá das cinco. E queremos que uma inglesa se sinta em casa no nosso château - falou Louise animada. Do jeito que ela me rejeitou no passado, era até engraçado falar "sinta-se em casa". Este primeiro encontro foi muito interessante. Todos eram muito gentis e amorosos uns com os outros. Faziam de tudo para me agradar e Jack segurava-me pela mão com cuidado e carinho. Nas conversas logo percebi que elas não eram mais as filhas rebeldes e inconformadas, mas maduras e determinadas. Contei um pouco da minha carreira e fiquei sabendo que todos estavam no Quebra-Nozes, mas os preparativos do Natal e as crianças não permitiram que ficassem para o jantar no Palace. Depois de algum tempo, pedi lisença para ir até o toalete. Logo ao entrar encontrei a pequena Claire que foi rápida em suas observações: - Até que enfim meu tio Jack encontrou uma garota com as três coisas que acho importante: querida, bonita e inteligente. - Obrigada Claire. Você é muito gentil, mas... - Sério! Uma era chata, mas inteligente. Outra bonitinha, mas estúpida. Como fiquei sem saber o que falar, ela continuou: - E você deve ser bem especial, porque ele leva, no mínimo, uns seis meses para apresentar para família. E antes que pudesse continuar, Bárbara chegou apressada. - Ah! Cheguei tarde. Ela estava te perturbando Julianne? - De forma alguma. Claire estava apenas me resumindo a vida amorosa do tio - pisquei para a garota que saiu do banheiro, retribuindo minha brincadeira, enquanto sua mãe completava. - Menos mal. Se você conquistou Claire, tudo está perfeito porque ela inferniza a vida das namoradas do Jack. Se ela te incomodar, não leve a sério. Para ela ninguém é boa o bastante para o seu padrinho. Que bom que você esta aqui, fazia muitos anos que não via Jack tão animado. - Obrigada por tudo. Vocês é que são muito receptivos. E seu irmão é muito especial. Já eram sete horas quando, Jack e eu fomos para a casa de Bárbara, ao lado da propriedade, construída para abrigar com conforto toda a família. Jack tinha um quarto só seu e era extremamente confortável com uma cama aconchegante bem centralizada. Havia uma sacada com vista para o lago. Ao canto uma lareira e à direita dela uma estante com televisão, dvd, som, cds e livros. No outro canto uma porta que dava para o closet e banheiro. - Preciso de um banho. - Sozinha? - Lógico que não. E nos despimos com pressa. Estar com ele aqui, depois de tanto tempo. Fomos para o banheiro sem conseguir se soltar. E ríamos e nos divertíamos com tudo. Enquanto a banheira enchia, nossos corpos se encontravam cúmplices. Sempre fui reservada com meus namorados, mas com ele não. Tão pouco tempo e já tão íntimos. Deixei que explorasse cada pedacinho do meu corpo com a boca quente e a língua úmida. Fiz o mesmo com o seu corpo, percorrendo cada parte com intensidade e me deliciava com seus gemidos. Provocávamos as reações e nos extasiamos com esta exploração mútua até o ápice do prazer. Exaustos, mas completos entramos na banheira quente. Abraçou-me por trás e ficamos ali relaxados. - Jack, você está dificultando minha volta para Londres. - Então fica aqui comigo. Você é quente como Nova Iorque. Londres não combina com você. - Por que você não larga tudo em vem comigo, então? - Você está falando sério? - Claro! - fui muito sincera. - Você não me conhece, pequena. Com esta provocação acabo aceitando. - Você é bem doido mesmo, mas não vamos planejar nada. Deixa acontecer. Estar aqui com você agora já está sendo uma ousadia. - Eu sei. Vamos viver o agora e pronto, ok? - Perfeito. Nos arrumamos para o jantar. Escolhi uma saia preta, uma blusa vermelha justa com decote, uma bota de cano alto e deixei os cabelos soltos, natural. Jack saiu do banheiro, após fazer a barba, vestido de forma despojada com calça jeans e camiseta preta. Como sempre, lindo. - Você está linda! E descemos para a sala de jantar. A mesa estava elegantemente ornamentada com enfeites natalinos. A árvore estava no canto, formosa e repleta de presentes. Coloquei os meus lá. O jantar estava delicioso, preparado pelo chef do restaurante do Chateou. Estavam presentes somente a família e poucos amigos: Luc, Tony, Dr. Shephard e a noiva Lana. As conversas estavam animadas, com contos de Natal, aventuras de crianças e histórias sobre os presentes. Divertia-me muito com as histórias, mas fiquei quieta, pois sempre fiquei sozinha nesta datas. Jack percebeu meu silêncio, apertou minha mão e a beijo com ternura. Percebi cumplicidade em seu olhar, com certeza entendeu meu silêncio. A campainha tocou, fazendo-nos perceber onde estávamos. Claire estava próxima a nós e comentou: - Acreditam que os meninos ainda esperam o Papai Noel. - e foi ao encontro dos irmãos. - July, observe a Claire - sussurrou Jack - fala dos irmãos, mas foi correndo ver o bom velhinho. - Ela te adora e vejo que você também tem muito carinho por ela. - Ela é muito madura para a idade, mas, ao mesmo tempo, é uma criança. Além disso, ela me lembra uma menina especial que conheci, muitos anos atrás. É impressionante como são parecidas. Nem tive tempo de comentar nada ou tentar descobrir se era de mim que falava. Puxou-me pelas mãos para vermos de perto a entrega dos presentes. Nos divertimos muito com a reação das crianças. Enquanto todos abriam animados seus mimos, Jack me surpreendeu como uma pequena caixinha. Era uma linda pulseira de ouro branco com brilhantes. Fiquei sem palavras. - Para combinar com seu anel. - É linda. Obrigada. - e agradeci com um beijo. Havia ainda três pacotes embrulhados iguais. Eram os meus para os irmãos Hamiltons. - Desculpem, mas o convite foi tão inesperado e a recepção tão calorosa que queria apenas retribuir com esta pequena lembrança. Espero que gostem. Os três se olharam e puseram-se a abrir os pacotes com pressa e, de repente os sorrisos foram diminuindo. Fiquei constrangida. Será que não gostaram? Claire olhou o presente da mãe e quebrou o silêncio: - Nossa Julianne, este quadro com sua foto de bailarina é lindo. Mas foi Louise quem respondeu: - A foto não é de Julianne, é sua avó quando ainda dançava no ABT. Então percebi o sorriso de Jack, Louise e Bárbara com discretas lágrimas caindo de seus olhos. Levantaram-se e abraçaram-me com carinho. Chorei também. Queria muito, neste momento, que eles soubessem de tudo. - Como você conseguiu esta foto? - indagou Jack. - No site do American. Foi fácil. - Foi perfeito - concluiu Bárbara. As crianças foram dormir e a casa foi silenciando. Resolvemos ir até o hotel encontrar o grupo. Estavam todos no pub em conversa, animados. Ficamos ali até três horas da manhã, depois nos recolhemos nos nosso cantinho. Já estava combinada uma pescaria para o outro dia, entre os que gostavam. Aproveitei para dormir um pouco mais e Jack foi se reunir ao grupo. Quando acordei desci e encontrei Louise que também não foi para a pescaria. - Bom dia Julliane, vem tomar um café. - Obrigada. E a pescaria? - Acordar cedo? Passar frio? Muito obrigado! - Concordo com você. Ficamos por ali conversando tranqüilamente. Louise me contou suas aventuras em seus três casamentos e fui descobrindo o quanto era animada e apaixonada pelo seu trabalho. - Quer caminhar um pouco. - Obrigada, mas não posso forçar meu tornozelo. Pelo menos, não por enquanto. - E se déssemos uma volta a cavalo? Adoro montar! - Nossa, eu também - tínhamos algo em comum - Tudo bem, mas para não forçar, só uma cavalgava. E passeamos por toda a propriedade, conversando e esquecendo totalmente do tempo. Quando voltamos já nos aguardavam para um almoço no hotel. Mesmo de longe percebi Jack em conversa contrariada com uma mulher. Fiquei preocupada e Louise percebeu: - Acabou nosso sossego. Você é um doce e não merecia esta amarga vista. - O que você está falando? - Esta vendo aquela figura com Jack? Ex! E das mais chatas. Não acredito que ela teve coragem de aparecer aqui. - Por quê? A separação foi difícil? - Ela não aceita. Mas não se preocupe porque meu irmão nunca gostou dela de verdade. Ele acomodou. Apaixonou-se pelo teatro, pela fundação e esqueceu com quem estava. Ela aproveitou e foi tomando conta, ficando noiva, quando ele se deu conta... Jack percebeu que estávamos chegando e veio em nossa direção. Louise foi direta: - O que essa louca está fazendo aqui? - Por favor, Louise, não começa. - e me olhou constrangido. - Já contei tudo para Julianne. - Desculpe July, mas realmente não esperava por isso. - Tudo bem Jack. E não demorou e Meredith se fez notar. - Ora, ora! Então é você a bailarina da vez? - chegou arrogante. - Sim e você é? Ora, ora, não faço a menor idéia - respondi irônica. Meredith ficou sem ação. Jack sorriu debochado, então continuei: - Podemos começar de forma mais educada: Prazer, sou Julliane Chartier e você? - Meredith Brown. - E você acertou, Meredith, sou a bailarina da vez, afinal a apresentação no Metropolitan foi um sucesso, super comentado nos jornais. Capa do New York Times. Da vez mesmo. - sem dúvida fui arrogante. Ainda sem reação, Meredith recorreu a Jack: - Precisamos conversar. Em particular. - Não temos nada para conversar em particular. Fale aqui na frente delas. - Tudo bem Jack. Nos encontramos depois - e fui saindo com Louise, que me cumprimentava pelas respostas a petulante advogada. Mas ele não demorou a nos alcançar. Louise acelerou o passo e ficamos para trás. - Jack, é melhor você escutá-la, quem sabe fala o que quer e vai embora. - Ela é difícil demais. O melhor é evitar. Quanto mais atenção recebe, pior fica. E assim passamos os dias, evitando encontrá-la pelo hotel. Mas não posso reclamar, pois foi uma semana especial. O hotel apresentava uma programação intensa com campeonato de golfe e pólo. Jack era muito esportista e participava de tudo. Eu o acompanhava com orgulho, pois sempre me procurava na platéia ou vinha correndo roubar um beijo. Tinha uma preocupação que eu não ficasse sozinha nenhum minuto. E eu adorava todo este zelo. Já Meredith estava sempre por perto a nos observar e isso me incomodava. Às noites foram dedicadas ao carteado com os amigos ou o pub em dança e conversas animadas. Nunca ficávamos até tarde, pois na primeira oportunidade, à noite ou durante o dia, aproveitávamos para ficar sozinhos no quarto. Isso tudo até o tão esperado e comentado Baile de Máscaras do Reveillon. Um dia antes, fomos à cidade procurar a fantasia ideal. Jack escolheu a interessante fantasia do Fantasma da Ópera. Não preciso descrever o quanto ficou bonito. Demorei a encontrar algo que me agradava, até ele aparecer por entre os corredores da loja com um interessante vestido. - O que você acha desse July? - Parece de princesa, mas é bem discreto. - E elegante. Como a Julieta de Romeu. Acho que você vai ficar linda. Vai ser a minha Julieta Adorei! Principalmente por ele ter feito a escolha. E a semelhança com o nome... Sua Julieta.
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