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Make your own history - Capítulo 05 Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Nanda Oliviero, em 26-08-2008 16:54
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Luc voltou para o Palace, enquanto Jack e eu aguardávamos seu carro, um Maserati 3200 preto, lindo que combinava perfeitamente com ele. Abriu a porta com elegância, entrou e seguimos.

No trajeto até o hotel, observei a cidade à noite. Neste dois meses, os ensaios eram tão intensos que não saí à noite. Aproveitava para passear nos finais de semana, durante o dia, mas às noites eram dedicadas ao descanso, no máximo uma leitura ou um bom filme.

- Viu? - Jack quebrou o silêncio.
- O quê? - voltei a realidade.
- Você olha Nova Iorque com carinho. Seu lugar é aqui. Não sei, mas você tem um quê de mistério com esta cidade. Já sei que você é observadora, racional, decidida, mas ao mesmo tempo percebo medo de se envolver e até tristeza. Quem fez isso com você? Um amor?
- Não, absolutamente. O foco da minha vida sempre foi o ballet e acabei não deixando espaço para relacionamentos. Este é um fato.
- Quando não é amor, é família. Nós conversamos tanto ontem no almoço, mas da sua família não.
- Não há o que falar. Sou órfã. Cresci sozinha e, desculpe, mas não há o que dizer.
- Desculpe-me não deveria ter perguntado, mas só fiquei curioso em saber o que te prende a Londres, se havia um lar.
- Nada me prende. Nunca prendeu. Meu lar é onde está meu coração. E nestes últimos anos esteve no ballet.

Chegamos ao Plaza. Jack estacionou o Maserati e indagou:
- Um último drink no pub do hotel? Se nada te prende a Londres, ainda tenho uma chance.
- Uma chance de eu aceitar dançar no ABT?
- Também. - sorriu malicioso.
- Você é sempre contraditório?
- Com você está sendo bem difícil definir minhas prioridades. - olhou sedutor.
- Então é melhor subir - falei já abrindo a porta do carro.

Jack segurou minha mão, delicadamente.
- Espera - e olhou para minha mão, passando os dedos sobre o anel. Meu deus! De novo ele olha o anel, ele vai reconhecer, nunca o tirei, já faz parte de mim, depois de tantos anos. - Desde que vi você no parque, este anel chamou minha atenção. É de muito bom gosto. Alguém especial?
Não! Ele não sabia de nada, provavelmente uma secretária o ajudou a comprar, sempre achei que seus presentes eram impessoais.
- Sim, alguém muito especial. Afinal, quem acredita no nosso sonho sempre é especial, mas ficou no passado. - ele sorriu e continuou, ainda segurando-me pela mão.
- Até gostaria de saber mais desta história, mas provavelmente ficaria com ciúmes. Escute, amanhã, ou melhor, hoje - já eram quase duas horas da madrugada - minha irmã organizará um jantar de Natal, no Château que ela administra em Nova Jersey. Uma propriedade muita bem planejada que já foi uma residência, mas hoje hospedada com muito requinte. Você e Luc seriam muito bem vindos.

Propriedade? Seria a mansão? Rever Bárbara e Louise? Melhor não.
- Mas é um jantar familiar, iríamos ficar deslocados.
- De forma alguma, são vários amigos, inclusive do ABT. É uma temporada que já é tradicional, ficamos todos juntos até o Reveillon. Ok! Não responda agora. Converse com Luc e amanhã ligo para vocês, ok?

Dizendo isso, nem esperou que eu respondesse, pois aproximou seus lábios do meu rosto e depositou um beijo suave. Droga - pensei - porque ele tem que ser tão irresistível? Pensei? Nem pude, nem quis pensar. De um beijo inocente de despedida, ainda segurando minha mão, alisando o anel, enquanto a outra procura acariciar delicadamente meu rosto, pescoço, cabelos, daí foi desviando-se e outro beijo foi dado mais próximo a minha boca. Eu estava tonta, perdida no seu olhar, que me fitava intensamente como a esperar uma reação, mas não a tive. Não demorou e nossos lábios se encontraram quentes, macios, e o que era suave, tornou-se intenso. Como não resisti Jack imediatamente envolveu-me em seus braços, acariciando-me as costas, a nuca e os cabelos. Tive a sensação de flutuar e queria que o mundo parasse agora. Foi aí que me lembrei do dia em que ele segurou minha mão, no velório de nossos pais, e lembrei quem ele era e...

- Jack pare, por favor! Preciso ir. - sai e nem olhei para traz.

Desvencilhei-me daquela deliciosa situação e subi para o meu quarto, quase que fugindo. Não! Literalmente fugindo. Tirei os sapato e abri um vinho. Precisava relaxar. Coloquei uma música suave, meia luz. Meu Deus! Quantos acontecimentos! Nas últimas horas meu mundo mudou. Desde os doze anos sabia exatamente o que queria da minha vida e me propus a escrevê-la passo a passo. Agora perdi o controle e quero tudo o que sempre fugi: Nova Iorque e um Hamilton. Que loucura! Distraída em meus pensamentos, não percebi baterem na porta:

- Nossa Luc, voltou cedo.

Abri a porta instintivamente.

- J-Jack? C-como?
- Eu não quero você como nossa primeira bailarina.
- O quê?
- Eu defini minha prioridade. É você.

E não pensamos e nem falamos mais nada. Não foi preciso. O desejo, a paixão, tudo foi mais forte do que qualquer razão. E ao som da música, passamos a melhor noite.
Tudo conspirava a nosso favor. Nos olhávamos profundamente, com ternura e carinho. O beijo apaixonado e ardente foi inevitável. Nossas mãos passeando livres por nossas peles. Sentia seu perfume intensamente e me inebriava em seus braços. Fomos nos entregando aos desejos que surgiam como uma flor que desabrocha, lentamente, sem pressa. As roupas que nos envolvia eram apenas barreiras que nos impediam de ser um só. E nos despimos num misto de pressa e descoberta. Delicadamente Jack beijava-me, primeiro nos lábios quentes, depois descendo pelo pescoço, ombros, enquanto descia as alças do meu vestido. Com os olhos levemente fechados, sentia aquelas carícias com o coração acelerado. E minhas mãos também deslizavam pelo seu corpo. Meu calor se misturava ao dele. Estávamos suando, num misto de nervoso, entrega e desejo. Ao descobrir meus seios, os observava com desejo, arrastando seus lábios macios e acariciando-os com a língua úmida, ao mesmo tempo em que prendia minha cintura com suas mãos firmes. Neste instante, sobe meu vestido com delicadeza, acariciando minhas pernas e virilhas. Deita-se na cama e sigo sem hesitar. Começo abrindo sua camisa branca, denunciando o tórax másculo e definido. Meus beijos encontram seu peito e percebo sua respiração ofegante. Entramos no mesmo jogo de entrega e sedução. Com intensidade invertemos as posições e a tranqüilidade se transformou em desejo louco e voraz. Precisávamos ardentemente um do outro e, em poucos segundos, estávamos completamente nus e ele me invadia com deliciosa fúria. Gemíamos sem vergonha, nos contraíamos, segurava meus cabelos, acariciava meu rosto, beijava-me a boca. Queria meu gosto misturado ao seu para molhar sua boca seca de tanto fervor. No auge do prazer, olhou-me profundamente, olhos fixos um no outro e nos beijamos com ternura, com amor. Foi mágico. Não precisamos falar nada. De cansaço, adormeci em seu peito e ele me envolveu em seus braços, adormecendo também, com o corpo saciado e com a música que ainda tocava ao longe.

Ao acordar tentei sair de seus braços sem acordá-lo. Vesti sua camisa branca. Era ótimo sentir seu cheiro ainda no meu corpo. Fui até o banheiro e fechei a porta com cuidado. Lavei o rosto com muita água fria e me olhei no espelho. Juliet! O que você está fazendo? Um filme da minha vida passou em uma fração de segundos. O banheiro do hotel tinha uma decoração interessante. Havia uma janela enorme acima da banheira, com plantas e flores do lado de fora. Desta janela era possível admirar uma boa área do Central Park, mesmo estando no décimo segundo andar, além de uma visão privilegiada de Manhattan. Sentei ali quietinha, admirando a paisagem. Aceitar dançar no ABT não seria ruim, afinal ficar perto de Jack seria maravilhoso. Mas Luc também tinha razão, está cada vez mais difícil falar a verdade.

- Já está arrependida de estar comigo? - assustei-me com Jack.
- De jeito nenhum.
- Mas para me deixar sozinho...
- Perdi o sono e não quis te acordar.
- A cama ficou enorme sem você.

Abraçou-me, sentando atrás de mim e me envolvendo com suas pernas e, ao perceber a vista que eu observava, completa:
- Esta é uma das coisas que não me deixa sair de Nova Iorque.
- Com você aqui comigo ficou ainda mais perfeito - respondi, virando-me e fitando o seu olhar.

Acariciou meu rosto, nos beijamos, me pegou no colo e voltamos para cama. Colocou-me com delicadeza e iniciou uma deliciosa massagem no meu tornozelo machucado.
- Você é sempre uma gostosa surpresa Julianne.
- Por quê?
- Você é clássica, elegante, discreta. Nunca imaginei encontrar tatuagens neste teu corpo de bailarina. Esta frase no teu pé é um charme: Make your own history. Faz tempo que você tem ela?
- Eu tinha dezoito anos e uma amiga, Denise, já tinha feito várias tatoos e vivia me incentivando. Um dia, meio sem pensar, fui lá e fiz.
- E por que esta frase?
- Foi o que sempre me motivou. Eu sempre fiz a minha história.
- Então você não acredita em destino?
- Não. Sou cética com isso. Você acredita?
- Completamente. Estar aqui com você não foi forçado por ninguém. De repente, você caiu no meu colo. Isso é destino.

E ele tinha razão. Pela primeira vez eu acreditava em destino, mas como começar a falar sobre isso.

- Julianne? Te deixei confusa?
- Você não estava no meu script Jack. Olha no que se transformou minha viagem de trabalho...
- Logo percebi que você não sabe lidar com o inesperado. Pois saiba que para mim você foi o meu melhor presente de Natal.
- Eu sempre controlei meus passos, mas com você...

Não me deixou continuar. Nos envolvemos novamente, mas sem pressa, apenas desejo. Tudo se encaixava, nossas mãos, nossos corpos, nossas bocas. Éramos um só, completos e exaustos.

Desta vez dormi profundamente e relaxada.

Acordei devagar. Já devia ser tarde. E Jack, onde estaria? Percebi ele sentado na poltrona, só de calças e dorso nu.
- Faz tempo que você acordou?
- Acabei de acordar e já recebi o nosso café da manhã.
- Que horas são?
- Meio dia.
- Nossa! Tudo isso! E porque você não me acordou?
- Era justamente o que estava pensando em fazer, mas estava tão bom ficar te admirando.
- Vem aqui, vem.

E veio com paixão e desejo. Nos amamos de novo. Perfeito.

O café da manhã também estava perfeito, afinal estávamos com muita fome.

- Arruma as tuas coisas e vem comigo? Passamos no meu apartamento, pego as minhas coisas e vamos para o Château.
- Não! Imagine invadir uma data que é tão familiar. Fica com as tuas irmãs e amanhã no encontramos.
- De jeito nenhum. Quero você comigo. E estarão várias pessoas que você já conhece do ABT. A semana é bacana, divertida e no Ano-Novo fazemos um baile de máscaras que é um sucesso, pessoas de todo canto de Nova Iorque aparece. Por favor?
- Então faz assim: vai para o teu apartamento e passa aqui depois. Tenho muitas coisas para arrumar. São dois meses aqui!! Falo com Luc e te ligo, ok?!
- Nem me liga. Quatro horas passo aqui e está decidido.

A despedida foi difícil, mas quando ele se foi corri como uma louca para por tudo em dia. Não queria esquecer nada e também precisava providenciar um presente ou uma lembrança para Jack e suas irmãs, acho que seria delicado. Abri meu notebook e rapidamente encontrei o que queria, enviei o necessário e encontrei, milagrosamente um local que me entregaria em uma hora, em plena véspera de Natal. Mas valeu a pena. Os presentes eram bem bacanas.

Bateram na porta. Que ótimo! Jack estava tão ansioso quanto eu. Abri com pressa.
- Luc!
- Até que enfim, amour.
- Por onde você andou?
- Digamos que o sofá do hotel é bem desconfortável.
- Desculpa! Por que você não me ligou?
- Imagina! Te conheço há tanto tempo e nunca vi você se envolver assim. Estou achando ótimo! E depois você já fez tanto por mim...
- E teus pais?
- Tomei café com eles e aguardei o táxi. Falei que você estava exausta do espetáculo e deixaram um beijo.
- Que péssimo! Queria tê-los visto.
- July, trocar seu deus grego pelos meus pais? Poupe-me.

Rimos muito e lhe relatei os últimos acontecimentos e Luc argumentou:

- Nós vamos passar uma semana incrível. Está decidido. Jack foi a melhor coisa que te aconteceu. Vocês dois são perfeitos juntos. O pessoal do ABT, na balada, comentou muito e estavam torcendo.
- Nossa que vergonha!
- Imagine! Ficou claro que torciam por você. São todos teus amigos, Patty, Pen, Ângelo, e eles me contaram que Jack é super sério sim e se está se envolvendo com você é porque tem algo especial aí.
- Humm! Esta parte eu gostei. O que mais você descobriu?
- Que quando foi para a Europa, terminou um noivado de dois anos e disse que a fulana, uma tal de Meredith, era horrorosa, metida, uma advogada arrogante até.
- Que engraçado, não combina com ele. Mas eu não sei Luc, voltar lá depois de tanto tempo. Além disso, não consigo encontrar uma forma de contar tudo e estou cada vez mais envolvida...
- Você quer rever a mansão, isso eu sei, e nós vamos achar um jeito de contar tudo. Se ele gosta de você, vai entender.


Publicado em : Livros, Romance
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