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| Make your own history - Capítulo 02 |
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Estar na França foi encantador desde o início. Acredito, e hoje mais do que nunca, que tudo aconteceu exatamente como deveria.
Ao desembarcar no Aeroporto Internacional Charlles de Gaulle, em Paris, uma elegante senhora, aguardava-me com uma placa: Srta. Juliet Parker Hamilton - Ecole Privée de Tersac. - Bom dia, Srta. Parker. Sou Madame Anne Lebert, sua tutora na Ecole Privée de Tersac. Serei responsável por sua educação. - Bom dia Madame Lebert. Estou ansiosa por conhecer a escola. - Oui! Que belo francês o seu. Sua avaliação veio com muito reconhecimento e pelo visto não nos enganamos. - Acho que me preparei a vida toda para estar aqui. - Você é tão jovem e já pensa como uma adulta. Conheci os detalhes da sua história e espero que aqui você encontre um lugar que lhe permita ter doze anos. - Eu gostaria, se assim for possível, que ninguém soubesse de onde venho, o que tenho. Prefiro que saibam apenas que sou uma órfã com um padrinho que quer investir em minha educação. - Fique tranqüila. Só você tem o direito de revelar a sua história. Recebemos alunos de várias partes do mundo e logo estarás integrada. Partimos dali num percurso de aproximadamente uma hora e meia até a escola e durante a viagem, Madame Lebert me deixou ainda mais encantada com a escola. A Ecole Privée de Tersac está localizada na região Lot-et-Garonne, entre Bordeaux e Toulouse, sudoeste francês. A Tersac é uma escola completa, com a possibilidade de freqüentar o internato ou não e os alunos convivem com tudo o que a paz do interior da França pode oferecer. Vinte quatro horas por dia são encorajados a desenvolver sua mente e o espírito da iniciativa através de vivências em grupos diversificados, praticando artes e esportes. Dessa forma, os alunos aprendem a reconhecer melhor suas responsabilidades e a conduzir suas vidas de acordo com a boa ética e os nobres princípios familiares. Princípios familiares! Finalmente ia resgatar isso na minha vida. Logo que chegamos, Madame Lebert apresentou-me as instalações, a incrível área verde, os bosques, o lago, os dormitórios. A escola estava bem vazia. Faltavam ainda cinco dias para o início das aulas e somente os alunos do internato estavam retornando. Já no primeiro dia conheci minha colega de quarto, Denise, uma inglesa de Liverpool, que se encantava em falar, com um sotaque inglês interessante, o quanto sua cidade, ainda hoje, respirava Beatles. Não demorou muito para que eu também me tornasse fã. Filha caçula de um industrial inglês perdeu a mãe com quatro anos. O irmão mais velho era professor de música em Tersac e trouxe a irmã para receber a melhor educação. Nos tornamos inseparáveis desde o início. Nossas histórias nos aproximaram, mas evitei contar os detalhes da herança, pois nos identificávamos nas perdas e não nos lucros. O início do ano letivo também foi perfeito. As aulas aconteciam das oito da manhã às três horas da tarde, com um intervalo de uma hora para o almoço. Depois, eram três horas dedicadas ao esporte e às artes, quando podíamos escolher entre ballet, artes plásticas, artes dramáticas, música, futebol, golfe, equitação, tênis. O período da noite era livre e, em alguns dias da semana, os professores permaneciam em plantão para aulas de reforço. Minha rotina logo ficou estabelecida. Escolhi, obviamente, me dedicar ao ballet três vezes por semana, o máximo permitido, e optei ainda por aprender, uma vez por semana, piano e artes dramáticas. Aos sábados pela manhã, Denise e eu nos divertíamos nas aulas de equitação. Mesmo nos tornando muito próximas, éramos muito diferentes. Eu era a clássica, ela rock'n roll. Estudávamos na mesma turma, mas na parte diversificada só nos encontrávamos nas aulas de teatro e equitação. À noite nos dividíamos em conversas e jogos na Sala de Encontro com outros amigos ou simplesmente sentávamos a beira do lago para ler um bom livro. Mais um ponto que tínhamos em comum. E para a minha alegria, não foi difícil fazer amigos. Conheci pessoas interessantes, divertidas, animadas e fomos companheiros até o final dos nossos anos escolares. Entre eles Luc Legart que se tornou meu amigo muito rápido. Luc era mais velho que eu, mas fazíamos piano, teatro e equitação juntos. Filho de uma tradicional família francesa, Luc não era interno e morava próximo da escola. Os pais eram muito rígidos e sonhavam com um filho advogado ou diplomata. E nisso ele era bom. Discursava como ninguém. Adorava partir para a defesa de todas as causas, mas não conseguia lutar pelas suas. Para compensar esta fragilidade, nas horas vagas, de forma discreta, lhe ensinei a dançar e assim tornou-se meu parceiro mais querido em muitas festas e encontros. Como nada me fazia voltar para a casa, nas férias ou nos principais feriados, aproveitei todos os cursos de verão, aperfeiçoei o meu francês, ingressei em roteiros turísticos e de estudos, voltados para adolescentes, por toda a França. Como não podia deixar de ser, o primeiro roteiro que fiz foi para Paris, a capital e a maior cidade da França. A cidade é atravessada pelo rio Sena. É a segunda maior metrópole da Europa, só menos populosa que Moscou, A cidade é conhecida mundialmente como Cidade das Luzes e encanta pela beleza de sua arquitetura, suas perspectivas urbanas e suas avenidas, bem como por seus vários museus. Fiquei apaixonada por todos os cantos. A Torre Eiffel. A avenida Champs-Élysées que é um charme. O Arco do Triunfo, construído por Napoleão Bonaparte, em 1806, em homenagem às vitórias francesas e aos que morreram nos campos de batalha. O Museu do Louvre, famoso por abrigar o quadro Mona Lisa, me fez voltar várias vezes. Certa vez também visitei o Cemitério do Père-Lachaise, onde estão enterrados Oscar Wilde, Jean-François Champollion, Édith Piaf, o compositor Chopin, Allan Kardec, o codificador do Espiritismo e também o astro do rock Jim Morrison (imaginem quantas fotos Denise tirou). E lógico, me diverti muito na Disneyland Resort Paris. Em outros momentos, recebi a permissão para viajar com meus amigos. Conheci Londres com Denise e seu irmão, nosso professor de música, Paul. Além de visitar vários pontos turísticos, Paul no levava para assistir as principais montagens do Royal Ballet, entre elas Giselle, O Quebra Nozes, O Lago dos Cisnes. Enquanto Denise cochilava, eu me encantava e mergulhava nas histórias e nos passos belíssimos. Nestas viagens também pude conhecer Liverpool, cidade natal de Denise, e fui apresentada a toda beatlemania. A família de Luc, super tradicional, sempre foi muito gentil e por várias vezes fui convidada a ficar com eles. Como eram quatro filhos homens, a Sra. Legart me enchia de mimos e nestas temporadas Luc e eu nos tornamos ainda mais próximos. Desta forma acompanhei meu querido amigo nos seus momentos mais difíceis, principalmente quando foi definindo sua homossexualidade. Ao mesmo tempo também foi ele o primeiro amigo a quem revelei toda a minha história Todos estes encontros, viagens e passeios só foram possíveis porque Jack autorizava todas as decisões de minha tutora no colégio, Madame Anne Lebert. Desde o início, segundo ela, Jack deixou claro que eu era muito ajuizada e que se ela considerasse seguro e correto, permitisse minhas vontades. Fui sempre disciplinada e nunca dei trabalho nem problemas para minha tutora. Sim, nunca mais nos falamos, desde aquele dia no aeroporto e imagino que me ter longe era um alívio pra todos os Hamiltons. Cresci com este sentimento e acabei me convencendo que jamais teríamos uma relação. Fui esquecendo, ao longo dos anos, cada um deles. As meninas? Não conseguia nem mais lembrar de seus rostos, mas a imagem de Jack... Esta eu nunca esqueci. Talvez até se tornasse uma lembrança, não fossem seus presentes de aniversário e Natal, que chegavam todos os anos. Primeiro mimos discretos e esperados para qualquer garota de treze, quatorze, quinze anos. Um brinco, uma pulseira, uma bolsa e sempre acompanhados de um discreto cartão: "Com carinho, Jack". Mas, nos meus dezesseis anos, uma surpresa. Uma caixa bem embrulhada e, ao invés do cartão, uma carta. Na caixa havia um documento, um cartão bancário, um cartão de crédito e um lindo anel. Notícia de Jack? Tanto tempo depois? "Juliet, como estás? Segundo Madame Lebert estás bem, crescida e aproveitando seus anos escolares. Tenho certeza que estás realizando todos os teus sonhos com disciplina e não precisas de minha autorização para nada. Por isso, ao completar dezesseis anos e com a maturidade que tens, envio uma declaração de emancipação que te torna capaz de ser dona dos teus passos. Abri uma conta bancária em que depositarei, mensalmente, uma quantia que acredito vai servir para teu conforto e necessidades. Se não for suficiente Madame Lebert sabe como me encontrar. Tudo isso é para que possas começar a decidir o que queres fazer na faculdade e tenho certeza que farás grandes escolhas. Daqui a cinco, anos teremos muito que conversar, pois completarás vinte um anos. Este anel é especial e tenho certeza que ficará lindo em você. Boa sorte sempre. Com carinho, Jack." Parecia uma carta de despedida. Acho que definitivamente não nos veríamos mais. Sempre fui decidida a não querer o que herdei. Depois desta carta ficou claro que Jack não me queria por perto. Nem mesmo se preocupava em acompanhar meu crescimento. Ao mesmo tempo elogiava minha maturidade. E o anel? Tão lindo! Não sonhe Juliet! Daqui a cinco anos Jack também receberá uma carta e minha despedida definitiva da família Hamilton.
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