| Ler o que se vê |
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Dos olhos da noite timbram as árias Pequenas notas da boca do Criador, Aquele sim, eloqüente orador; Criou um mundo a sua volta Em volta das criaturas Em toda roda de seu Universo. É uma descrição esta que se lê E uma indiscrição quando se vê, Este mundo todo nu, despudorado. Que nasce todo dia límpido E a noite, ímpio, deita com as estrelas... Longas são as datas de toda letra Mais longa a imensidão do pensamento, Nessa ínfima parte, que sou eu, Somos nós, todas as árias Indecifráveis maiúsculas e minúsculas As linhas da pauta vida, Porque sempre, de todo olhar, Mira a diáfana grandeza da retórica Pensar o que se pensa Pouco e pobre o que se sente Lúgubre voz para se interpretar a alma, Da ária da boca do Criador. Deste Universo sem fim Esta nossa vida finita E infinita desde toda eternidade Aqui, um pequeno capítulo, poucas páginas Mas tantos capítulos já existiram...! E quantos ainda estão para nascer. Aqui se ouve a ária sussurrante Que sopra da boca da Imensidão, Devem humilhar-se nossos sentidos Diante de tamanha configuração Quão ínfimos e infames somos Ao querermos a sabedoria Sem ao menos saber quem somos...
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