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Escrito por Nadilce Beatriz Zanatta Ponsoni, em 22-08-2008 17:30
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Dos olhos da noite timbram as árias
Pequenas notas da boca do Criador,
Aquele sim, eloqüente orador;
Criou um mundo a sua volta
Em volta das criaturas
Em toda roda de seu Universo.
É uma descrição esta que se lê
E uma indiscrição quando se vê,
Este mundo todo nu, despudorado.
Que nasce todo dia límpido
E a noite, ímpio, deita com as estrelas...

Longas são as datas de toda letra
Mais longa a imensidão do pensamento,
Nessa ínfima parte, que sou eu,
Somos nós, todas as árias
Indecifráveis maiúsculas e minúsculas
As linhas da pauta vida,
Porque sempre, de todo olhar,
Mira a diáfana grandeza da retórica
Pensar o que se pensa
Pouco e pobre o que se sente
Lúgubre voz para se interpretar a alma,
Da ária da boca do Criador.

Deste Universo sem fim
Esta nossa vida finita
E infinita desde toda eternidade
Aqui, um pequeno capítulo, poucas páginas
Mas tantos capítulos já existiram...!
E quantos ainda estão para nascer.
Aqui se ouve a ária sussurrante
Que sopra da boca da Imensidão,
Devem humilhar-se nossos sentidos
Diante de tamanha configuração
Quão ínfimos e infames somos
Ao querermos a sabedoria
Sem ao menos saber quem somos...

Publicado em : Literatura, Poesias
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