Devo adiantar que não sou leitor de Paulo Coelho, que não gosto do que ele escreve.
Paulo Coelho, sentado no último livro da pilha de cem milhões de livros vendidos, já lá perto do céu olímpico literário, não tem sido aceito pelos estudiosos como escritor. É curioso como os vigilantes do peso ou da falta de peso literário nos forçam a acreditar que poesia concreta seja literatura, ao mesmo tempo em que recusam aceitar seja literatura o que escreve Paulo Coelho. Que a carta de Vaz de Caminha é o primeiro marco da história da literatura brasileira. Que tal escritor de um livro só é um grande escritor, embora nunca mais seu livro tenha merecido republicação, e que alguém que vende cem milhões de livros e venderá outros milhões por muitos anos após sua morte, não o seja. Paulo Coelho é um escritor como todos os outros, culto e ignorante, inteligente e idiota. Comete erros de português e faz “estadias” em Paris. Em um curso flashico de literatura, uma professora de ensino fundamental cita-o para dizer que os alunos quando instados a ler, querem ler Paulo Coelho, e ironiza, “como se isto fosse literatura”. Li uma amostra grátis de seu novo texto e tenho de discordar desta professora: se Paulo Coelho comete erros de português, é um livro didático da disciplina! Deixe os alunos lerem ainda que seja apenas para brincar com eles de “aponte os sete erros”.
Não apareceu professor de literatura disposto a estudar o fenômeno “Paulo Coelho”, que ri, Zagalamente, do alto de sua montanha, dizendo: “vocês vão ter de me engolir!” Acontece que o fenômeno precisa ser estudado se quisermos que o Brasil entre no mercado internacional do livro... como ele já entrou e está acenando de lá. Não, não está ele dando tiaus abanando a mão ou mostrando bananas, nem mesmo fazendo aquele obsceno unidente com a mão direita! Está é chamando: vem gente, é este o caminho!
|