Categories desta Seção

O apogeu da vida exuberante de um corifeu fenomenal Imprimir Enviar para um amigo
Avaliação desta obra: / 0
RuimÓtimo 
 
Escrito por Luiz Moreira, em 13-08-2008 15:01
Avaliação média    (0 voto)
Visitas 917
Favoritos Nenhum

"Acorda o zabumbeiro,
zabumba,
já é fevereiro,
já é fevereiro,
zabumba,
acorda o zabumbeiro",
foi o apogeu
da vida exuberante
de um corifeu fenomenal
a vitória retumbante
diante
da drástica investida
da horda iconoclástica
que se valia
de quizumba, balbúrdia e tropelia,
e pra nossa história
não entrou o corifeu
de maneira estapafúrdia
nem por estrada vicinal,
não plantou bananeira
nem deu bandeira no dia da entrada,
mas,
não havia ainda
linda fada nesse conto
qual propala quem é tonto,
todavia,
com galhardia e luxo
no qual cabia bengala,
e ainda havia
chapéu-coco e paletó,
e com o empuxo
de seu ânimo
de corcel barroco,
e magnânimo
até a ponta dos cabelos,
quando
a galera despejou o bucho,
se deu conta
nosso corifeu
dos seus atropelos e apelos,
e, varonil como ele só,
não sentiu
um pingo de medo
ao se ver na corda bamba,
pelo contrário,
virou uma fera feroz
e pulou cedo da cama
com um salto
alto e rococó,
e a manhã
era de domingo,
e arrancou o pijama
peça após peça,
e era peça à beça,
e soltou um "caramba!"
que acabou virando
sobretítulo, título e sutiã
de um samba-enredo milionário,
e o corifeu,
apesar da urticária e da cefaléia,
sob a batuta
da concubina agonística
e muito pouco feminina,
saiu do armário
com uma garrucha na mão,
convocou
o primeiro joão que viu
pra ser bucha de canhão
e foi protagonista
da luta pela mística
libertista e libertária,
e, mesmo exausto,
se bateu a esmo
até o último torresmo
e o último hausto de aguardente
no último incidente
do capítulo derradeiro de sua prosopopéia,
como foi visto,
haiva muito em jogo,
portanto,
insisto
no meu rogo e no meu canto,
"acorda o zabumbeiro,
zabumba,
já é fevereiro,
já é fevereiro,
zabumba,
acorda o zabumbeiro",
incendeia o tríduo momesco
e homenageia esse indivíduo
que se insurgiu
contra o psiu burlesco
de uma mocréia suspeita
e vestiu a blusa
da confusa patuléia
sem grilo nem vaidade,
sem pensar
em beleza, estilo e manequim,
enfim,
a vestiu sem se incomodar
com eventual perda de receita
e acidental necessidade
de corte na despesa,
homenageia,
zabumba,
esse forte corifeu
que bateu de frente
com essa horda calhorda
e bateu
com a direita e com a esquerda,
e acabou com mixórdia,
discórdia, balbúrdia e quizumba,
e te rogo,
zabumba,
nada de misericórdia,
refresco ou bobeira,
e parada
nem em razão de diarréia
que os ranzinzas
estão de alcatéia
e essa gente é uma gente
estúrdia, lesa e farta
que reza paca
pra quarta chegar logo,
a quarta-feira de cinzas e ressaca,
mas,
vá por mim,
como sói acontecer,
e acontecer assim não dói,
é uma bobagem atroz
e vai perder a viagem
quem tentar
se atravessar
em nosso Carnaval
que a gente enfrenta o que vier,
de mulher rabugenta
a homem desvairado,
e tomem cuidado!
que a todo transe
o meu, o seu,
o nosso corifeu
nós vamos enaltecer,
que a todo transe
vamos prestar
nossa homenagem
a esse nosso herói
e egrégio ancestral,
um bamba
que aprendeu
a fazer samba
em colégio do subúrbio,
que sofreu
distúrbio emocional
quando perdeu o emprego
e ficou sem um vintém,
e perdeu também
o chamego da amante
e a amizade do pessoal,
mas,
à necessidade
não se rendeu o corifeu,
foi adiante
com o seu "caramba!"
que a gente aflita
inda solta quando necessita,
e com seu "caramba!"
o corifeu
deu a volta por cima
e se deu bem
nesse nosso clima tropical!

Publicado em : Letras de Musicas, MPB
Quote this article in website Favoured Send to friend

Comentários (0)

Nenhum comentário

Adicionar comentário

< Anterior   Próximo >