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A aventura de amar Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Horacio Hudson P. Carneiro, em 11-08-2008 18:43
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Era sexta-feira e a fabrica fechava mais cedo, Euclides estava eufórico, e não se importava que todos notassem a sua pressa. Desejava chegar a sua residência antes que a filha voltasse da escola. Saiu da empresa quase correndo, tomou o carro e disparou em direção a sua moradia. Seguia dirigindo enquanto pensava que hoje poderia namorar bastante sem a criança atrapalhar eles dois. A Dulcinéia já deveria ter tomado banho e se perfumado, com certeza estava ansiosa esperando por ele. Se é que não dormiu na banheira, coitada, pensou. Sabia que ela era meio atrapalhada, mas não tinha problema, ele a amava mais que nunca. Era verdade sem, nestes cinco anos de casado seu amor por ela só havia aumentado.
Euclides estacionou o carro na garagem ao lado da residência e fez a volta para entrar pela porta da frente. Como a casa ficava recuada, abriu o pequeno portão e caminhou pela passarela de cimento em direção a porta principal. O sol das quatro passando pelas folhagens do cajueiro, ao lado da casa, lhe punha sombras alternando claro e escuro no seu corpo. Um observador de dentro da casa diria que ele estava dançando ao caminhar. Entrou na sala e olhou em todas as direções, surpreendeu-se ao perceber que sua mulher não o estava esperando.
- Dulcinéia! Dulcinéia! - Gritou, mas não ouviu resposta.
Euclides passou de ansioso a preocupado, pois a esposa sempre o esperava na sala.
- Tem alguma coisa errada. Será que ele esta dormindo? - falou para si mesmo.
Dirigiu-se ao quarto do casal, não encontrou ninguém. Passou a procurar em todos os cômodos da casa. Sentiu a pulsação aumentar, o coração balançava no peito. Pelo menos isto ele podia sentir, por que as pernas começavam a ficar dormentes. Chegou à área de serviço e encontrou sobre a pia uma toalha manchada de vermelho, cheirou para confirmar sua suspeitas.
- Ah meu Deus, é sangue!
Continuou sua busca, no entanto com dificuldade, pois não conseguia respirar direito, e o raciocínio também já não era muito claro. Entrou no banheiro e abriu a cortina da banheira. Deu um grito de pavor e quase desmaiou diante da visão dantesca que encontrou. As paredes começaram a balançar, e ele se segurou para não cair.
Avistou a louça branca da banheira toda manchada de sangue. Tinha ao fundo os contornos do corpo da sua mulher. Com certeza alguém a feriu, deixou a água secar e depois arrastou o corpo dela até o chuveiro. Foi o que concluiu Euclides no auge do desespero. Conseguiu recuar cambaleando até a sala. Quando olhou em direção ao portão, avistou Dulcinéia flutuando na sombra do cajueiro e vindo em sua direção.
- Você veio me buscar meu amor. Me leve com você. Não me deixe sozinho - falou Euclides num fio de voz e em seguida desmaiou.
Acordou com alguém batendo em seu rosto, e sentiu que estava com a cabeça em cima de uma almofada.
- Acorde Euclides - falava Dulcinéia batendo levemente no rosto dele.
Euclides abriu mais os olhos, e viu a esposa a sua frente segurando-lhe as mãos. Foi então que compreendeu que a mulher não estaria morta.
- Onde você estava?
- Fui à farmácia. Agora fique deitadinho que vou lavar a banheira. Menstruei enquanto cochilava.
Dulcinéia se afastou com um pacote na mão onde se lia "Absorvente íntimo".


Publicado em : Literatura - Contos, Romance
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