| No fim do mundo |
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Tinha um sol tão lindo Os olhos das flores da manhã, Que lacrimejavam orvalhos cristalinos, E sussurravam pétalas Aos pensamentos descalços Dos apressados homens, Que passavam para apanhar o tempo. E foi celerado seu passo Na noite profunda da vaidade, Que deixou sonâmbula a humanidade. Tão longínqua ficou a esperança, Tão miserável quedou a bondade, Que nem ao pó quer voltar o homem E nem à Deus mostrar sua face. De tanto espelhar-se a prepotência, Até o filho lhe foge dos braços, Até os parvos sentem orgulho Em quimeras realidades Nos potes de fim de arco-íris. São estes os homens criativos Que o planeta necessita? Serão estes os humanos escolhidos? Estes que medem a beleza através do espelho? Ou aqueles que se espelham através do tempo? A alma não tem vaidades. A beleza é uma flor que já nasce admirada. Enquanto o homem apressa sua eternidade O tempo usufrui de sua falta de humildade, E assim, sem poder descobrir-se A humanidade volta à cata de Deus Até no fim do mundo.
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