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Escrito por José Emir de Souza Soares, em 06-07-2008 08:20
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Divirjo de mim mesmo, às vezes, aliás, muitas vezes, quase sempre por motivos simpáticos a minha cultura extemporânea que me invade o cérebro de meia idade, apesar da capacidade sempre ativa que ativa todos os meus neurônios ou são os meus neurônios que me deixam ativados, de maneira que procuro o semelhante que passa pela minha rua, (sentido proprietário apenas de que nela eu moro), me identifico, me explico e dou uma carona para o sujeito que já vai indo de bem com a vida e de maneira esdrúxula tento me afastar da senhora que me persegue pela noite adentro tentando impor em mim suas idéias falaciosas, mas com o despertar do relógio ela se toca e me toca na memória que gosto mesmo de alvoroço, do retoço que me estimula a enfrentar todos os obstáculos que me são propostos. Ah vida boa, boa vida, tanto faz se vai ou se vem, é boa da mesma maneira, apesar de muitos não concordarem que ela se fecha de maneira intelectual para todos, mesmo que o todo seja apenas um, pois me recuso a aceitar as vernaculices da vida que me atropela de maneira indelicada tentando me dizer sai da frente que eu quero passar, pois nem você e ninguém mais pode me impedir de prosseguir na minha caminhada rumo ao desconhecido, que é mais conhecido que qualquer outra coisa, mas os teimosos insistem em dizer que não sabem, que não conhecem e que não existe. Barbárie, sempre existirá, de maneiras diversas, controversas e de até um pouco as avessas visto que o pródigo está mais próximo de qualquer um, basta apenas que saibamos identifica-lo, corteja-lo, amá-lo ou despreza-lo. A opção é absolutamente particular, melhor seria dizer submissa ao meu pensar ou ao pensar de quem é mais adaptado ao estilo contemporâneo da vida que momentaneamente se leva, ou seria melhor dizer, que se vive, eu não gosto de me colocar em dúvida com nada, mas tenho que ter consciência que sou apenas um figurante do universo, a minha parte estou tentando fazer, mas eu não sei direito qual é o meu papel, aliás, mais uma vez devo confessar que estou convicto de que ninguém sabe qual o papel que terá que interpretar, qual o texto que terá que decorar, alguns tem boa memória que não é o meu caso, pois acho as vezes que fui produzido desta maneira para não me lembrar de determinadas coisas, fatos, conversas, acontecimentos, amores, rancores, odores, favores ou até mesmo de alguns senhores, o que é mais provável, pois a nossa vida nada mais é de que um teatro, pois estamos sempre contracenando com outra pessoa, ora discutindo, ora conversando, ora sorrindo, ora mentindo um para o outro; ora aceitando defeitos e atingindo determinados conceitos que nos mostram que estamos aos poucos, mas bem aos poucos evoluindo. Como disse anteriormente nossa vida é um permanente teatro, às vezes estamos participando da cena, outras estamos apenas assistindo, aliás, na maior parte do nosso tempo aqui neste planeta somos meros expectadores, de histórias mirabolantes, verdadeiras ou ficciosas, e às vezes também facciosas, não sei se existe esta palavra "ficciosa" mas estou tentando dizer ficção de outra maneira. A gente às vezes também tem esta mania de querer inventar, aí me dou por conta de que além de permanentes atores, também somos inventores, mesmo que o inventado não seja reconhecido, não tenha patente ou marca registrada, mas somos inventores, de muitas coisas, de palavras, de frases, de atitudes, de amores verdadeiros ou platônicos, não importa, nesta questão não importa, pois o bom mesmo é amar, é se divertir, e curtir a vida em toda a sua plenitude e para que isto aconteça é indispensável que o amor apareça. A vida se veste de cores coloridas, o tempo se descontrola, quando queremos que ele passe devagar ele acelera, mas na realidade quem se descontrola mesmo somos nós, picados pelo vírus do amor, planejamentos tudo ao sabor da aventura espetacular de viver a pleno com um ser humano ao nosso lado, isto é que é incrível, vivemos, nós seres humanos, num permanente estado de guerra com nossos semelhantes, mas tudo por um motivo simples, não encontramos entre todos estes semelhantes um único ser que tenha o poder de nos modificar por dentro e por fora, mais especialmente por dentro, que é a parte mais primorosa e primordial da nossa constituição geral. Assim posso eu continuar a discorrer sobre vários e vários assuntos, tentando mostrar para os outros que temos qualificação intelectual, mas o que interessa mesmo é nos mostrarmos desprovidos de intelectualidade e providos de emocionalidade em termos absolutos e inquestionáveis, porque somos apenas seres humanos não no sentido de querer nos diminuir perante a qualquer outra coisa, mas perante a força maior que está acima de nós, que pensarmos estar acima de nós, talvez esteja do outro lado da nossa morada, ou a nossa frente, mas somos tão pequenos que não conseguimos enxergar um palmo a frente de nossos olhos, visão oculta pela nossa ilusão de pensar que somos únicos, insuperáveis, insubstituíveis, incomparáveis, grande tolice ditada pela nossa idiotice de raciocinar de modo contrário achando que o que está guardado dentro do armário é inquebrável porque está sob os olhos atentos do homem racional que não admite a perda do material por considerá-lo mais importante que o sopro divino. Não sei se me faço entender, penso apenas que tento ser diferente do que vejo todos os dias a minha frente, a minha volta, no lado esquerdo ou direito, talvez eu tenha a pretensão de ser diferente, mas não é pretensão, eu quero mesmo ser visto como o sujeito que para na rua para ajudar alguém a atravessá-la de maneira segura, quero ser visto como o sujeito que deu o último e único vintém que havia no bolso para alguém comprar um alimento, quero ser visto como o sujeito que tirou o seu casaco e deu de presente para alguém que estava com frio, aliás, que há muito tempo sentia frio; quero ser visto e lembrado como o sujeito que nunca teve vergonha de dizer para alguém eu te amo, mesmo não sendo retribuído da mesma forma; quero ser visto, conhecido e lembrado como o sujeito que permitiu a passagem do sentimento pelas minhas veias e foi se alojar no coração da outra pessoa que anseia por um bom motivo para viver. E qual o melhor motivo que não seja amar? Existem muitas controvérsias a este respeito, respeito a todas, mas permaneço com a minha intacta, indestrutível, indiscutível, verdadeira, por ser, não apenas uma quimera, também pudera ser, mas não se assegura nada mais que um sonho que não se luta para torná-lo real. Este sou eu, imprevisível, defectível, sensível, de médio nível cultural, social e emocional. Sou assim, porque assim fui planejado pelo Senhor do Universo, meu verso mais espetacular que sempre utilizo para me inspirar e criar algo novo, bom apreciável. Assim é a vida, assim sou eu, assim deveríamos todos ser, cordiais, amáveis, amantes, amados, amadores, amadurecidos pelo tempo que não nos deixa velhos pelo contrário nos deixa mais novo para externar de maneira mais sábia a nossa visão do mundo.


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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Comentários (3)
Postado em Tania, em 27-07-2008 19:50, , Membro Registado
oi EMIR 
Muito bom o seu texto e tema tambem. Acredito que tens razão, quando comentastes que temos alguma coisa em comum na maneira de escrever. 
Gostei muito desse seu jeito de colocar sua maneira propria de pensar. 
abraços 
Tania
 
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Postado em Catucha, em 07-07-2008 15:45, , Membro Registado
José Emir, lendo o que escreves pecebe-se o quanto especial você é.E que bom que assim o é, uma pessoal especial que ama a vida e ama o amor, mesmo que não o tenha "ainda" para amar.Que Deus o conserve assim e lhe abra caminhos de luz.Gostaria de ter um livro seu, deve ser uma leitura muito boa para a alma. Um abraço.
 
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Postado em Manilkara, em 06-07-2008 16:50, , Membro Registado
"Este sou eu,imprevisível,defectível,sen sível,de médio nível cultural,social e emocional".Posso divergir? Divergirei então:o seu criador pus a materia prima,o resto foi seu compromisso e sua tarefa,e se alguem me dizer que vc é apenas criação de alguém,continuarei divergindo (guerreira como sou,rebelde)Não!este ser me vejo à minha frente tem muito trabalho,tem muito bom acabamento para ser apenas um projeto,este ser se "recriou" para chegar a ser o que é:um produto final de primeira. 
É assim como eu vejo, acredito e não submeto a outros pareceres.  
Gosto deste ser como está 
Manilkara
 
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