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O plástico bolha Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Larissa Redeker, em 29-05-2008 19:01
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Nota: conto publicado no número 5 da revista Scarium.

Savan interrompeu suas anotações quando ouviu alguns estalos. Um plec-plec seguido por outro plec-plec-plec. Tinha a certeza de que conhecia aquele som; era inconfundível. Esperou alguns segundos e, diante do silêncio que se seguiu, voltou-se para o monitor à sua frente.

Mal recomeçou a digitar, ouviu novamente: plec-plec. Agora os estalos se seguiam sem pausa e estavam bem próximos. Voltou-se e encontrou seu assistente junto à porta, com uma longa peça de plástico transparente nas mãos.

- O que é isso? – perguntou, um tanto secamente.

- Plástico-bolha – respondeu o rapaz. – Por quê? Nunca viu?

Savan estreitou os olhos. Jordi gostava de fazer seus superiores perderem a paciência.

- Sei muito bem o que é um plástico-bolha. Onde o conseguiu?

- Com o César.

- Aquele muambeiro – resmungou Savan. Mas no fundo tinha que admitir que, mesmo sendo conhecido por adorar encrencas, César era muito útil para a Ordem. – Tudo bem – continuou. – Mas vá brincar com esse negócio em outro lugar!

Jordi afastou-se com um sorriso maroto nos lábios. O velho mago tentou continuar com suas anotações. Em poucos segundos o plec-plec das bolhas de plástico sendo estouradas voltou a encher a sala.

- Jordi, o que foi que eu falei?!! – berrou Savan. E em resposta veio o silêncio.

Que não durou muito. O plec-plec não acabava. A coisa que Savan mais odiava era trabalhar com um barulho insistente como aquele. Tão insistente quanto os grilos que faziam sinfonia no jardim. Mas os grilos ele perdoava. Já Jordi era outra história.

- Se não parar com isso, vou dar um nó em seus dedos!

Jordi ignorou a ameaça pois sabia que aquele era um feitiço que Savan não sabia fazer. Assim como também não se deu conta de que o velho mago conhecia muitas outras magias.

Em sua sala, Savan apenas fechou os olhos, escolheu um bom feitiço e murmurou algumas palavras. Depois abriu os olhos e aguardou, com um sorriso vitorioso nos lábios finos.

Jordi soltou um berro quando estourou uma bolha e dela saíram vespas. No mesmo instante largou o plástico e desatou a correr por um longo corredor, seguido pelos insetos.

Quando Jordi já estava longe, Savan saiu de sua sala e encontrou o pedaço de plástico jogado no chão. Apanhou-o e voltou para frente de seu computador. Olhou atentamente para o texto que estivera escrevendo e, enquanto tentava reencontrar a linha de pensamento perdida por causa de Jordi, seus dedos começaram a estourar as pequenas bolhas de ar do plástico.

O plec-plec estava de volta, só que agora era mais divertido.


Publicado em : Literatura - Contos, Ficção
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Doutor.
É frio ...

A cidade está calada,

As árvores nuas.

Passos apressados pelas calçadas.

Das chaminés, uma fumaça, dança

como a provocar o frio.

Estou aqui fora

Vejo tudo pela vidraça que...
O Banho
Doçura do querer,
Afagos matinais,
Langor de viver
Nas margens ideais.


Sereno da cascata,
Brisa em profusão,
Coração em serenata
No dorso do ribeirão.


Água fria, envolvente!
Corpos numa imersã...
Invernia
Vento frio tocando minha face
Coração vadio, sem direito a apartes
O mar em ressaca,expurga suas feridas
Fim de semana na Serra, e nas calçadas, fim de vida...

Chuva inoportuna, que nos deixa sem guarida
Inverno de madrugadas profundas
Para quem...
Me Esqueça
de que adianta
arrenbentar-me em versos
que auxiliem a humanidade?
cansei-me esgotei-me exauri-me
que a humanidade se dane!

só quero agora
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