(Publicado em 1977 no Jornal do Brasil)
(uma estrela)
Cinema não é roleta ou jogo de dados onde, feita a aposta, fica-se torcendo pelo resultado, sempre imprevisível. Por exemplo: é matematicamente certo que O Obscuro Objeto do Desejo de Buñuel, seja um filme extraordinário, já que a roleta do mestre é viciada e ele não joga, ganha. Losey é a exceção que confirma essa verdade e seus filmes funcionam como apostas que alternam grandes resultados, como Cerimônia Secreta, ou O Mensageiro, como verdadeiros furos como O Criado ou esse Cidadão Klein. É incrível que ele tenha sido convencido pelo gangster Delon a dirigir um roteiro gasto e batido como esse, mas provavelmente foi o filme que teve oportunidade de fazer: Delon apareceu e fez a proposta, era pegar ou largar. E Losey pegou, certamente acreditando em sua cancha e na capacidade de dar a volta por cima e realizar um filme fino. Conseguiu, mas fez um filme fino e chato. A melhor saída é olhar para o fundo ou para as bordas do quadro, áreas reservadas à direção, já que no centro está Delon que pagando as contas e o salário de Losey, nos dá uma leitura (?) pessoal da coisa toda bem ao nível do argumento. Em compensação, existe , à sua volta, uma apuradíssima reconstituição de época e uma magnífica figuração para onde, com insistência, resvala a câmera de Losey, certamente fugindo da área de influência do big boss. Nesse jogo de esconde-esconde perde-se o filme, tornando-se impossível assisti-lo até o fim. Eu, pelo menos, saí no meio.
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