| A Mente Mente |
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- Olá, como vai?
- Vou bem, e você? - Estou indo... - Indo pra onde? - É apenas uma expressão: Estou indo... Estou indo, às vezes bem, às vezes não tão bem. Na verdade, nem sei bem, como estou indo... - Amigo, pensando melhor, eu também não estou lá tão bem assim... É que respondi sem pensar, afinal, é apenas um cumprimento, não é mesmo? - Pois é..., estava pensando agora, o quanto eu já falei por aí e não percebi o que estava dizendo. - É que o dia-a-dia enche as nossas cabeças com tanta coisa, que elas acabam sem espaço para pensar... É uma boa piada, não acha? - Você me lembrou do monge que conheci, quando estive visitando um templo zen-budista em Brasília. O cara me disse umas coisas, que parecia estar "viajando num baseado". - Por quê? Ele gosta de piadas? - Gosta, mas não é isso! O cara falou que a cabeça (a mente, como ele disse), sem que se perceba, produz infinitos pensamentos num só instante e a gente pega carona num deles e passa a agir, instintivamente, sem ter idéia da dimensão da coisa. - Isso é piração! - Também achei, mas ele me fez ficar parado por quinze minutos, tentando não pensar em nada e a verdade é que não passei nem meio. Pegava-me sempre pensando em algo, sem nem mesmo perceber quando o assunto havia chegado. Parece que a cabeça tem desejo próprio. - Ah, mas isso não é novidade... Todo mundo sabe que a cabeça não pára. Agora, que a gente fique agindo, sem saber o que está fazendo é outra coisa. - Pois é, eu também pensava assim, mas, aquele exercício mexeu comigo: Os pensamentos surgem do nada! Foi aí que o monge me despertou para algo que nunca havia percebido: Se tudo o que eu faço é resultado de um pensamento, e se este pensamento não tem uma origem definida, então, o que resulta dele não tem consistência. - Amigo, você está "viajando"... - Mas, foi o que eu falei: parece uma "viagem num baseado". Parece delírio. - Para mim, está claro que nossos pensamentos e atitudes se relacionam ao contexto em que estamos. Se temos algo a fazer, então pensamos e fazemos. O pensamento depende do que se faz. - Eu acreditava nisso, fielmente, mas depois do exercício, comecei a ter a impressão de que estou sendo manipulado. Então, eu não tenho um sentido próprio? Sou resultado de um contexto? O que eu penso, o que eu sinto, o que eu faço, são apenas resultados de tudo o que está fora de mim? É tudo impressão? - Cara, você está complicando o que é simples. Somos o que somos. Apenas isso! - Perdoe-me, mas isso parece indiferença à sua própria condição de ser. - Não é, não. A questão é que não adianta ficarmos criando perguntas para o que não tem respostas. - Interessante você falar assim, pois, foi exatamente o que o monge comentou, ao explicar que a mente tende a descartar aquilo que não lhe faz sentido. Ela simplesmente desdenha, não vê importância, para não se desestabilizar. Este é mais um motivo para que eu me sinta enganado por minha própria cabeça. - Isso é paranóia! Até parece que você quer responder a questão de quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? Não vai chegar a lugar algum. Desculpe a minha franqueza, mas tudo isso é coisa de quem não tem o que fazer... É coisa da cabeça vazia. - Minha nossa! Você está repetindo tudo o que ouvi do monge. Ele disse que para entender o sentido dessas coisas é necessário ter a cabeça vazia. É necessário parar de pensar para perceber que não somos apenas o que pensamos ser. - Bem, a conversa está boa, mas eu tenho que ir. Os compromissos me chamam! - Ok. Foi muito bom lhe encontrar. Muito obrigado pelos esclarecimentos! - Não tem de quê! ???
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