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| Viva a Flor de Sequóia! |
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O que está havendo? De uns tempos para cá, virou rotina ouvir que o planeta Terra está doente. Cientistas advertem que os efeitos do "aquecimento global" já estão acontecendo e a culpa é nossa, do próprio homem. A destruição ambiental causada pelas ações humanas, sobretudo o agravamento do "efeito estufa" pela emissão de poluentes, é um tema que domina, cada vez mais, as discussões e os noticiários dos meios de comunicação de massa. Existem aqueles que sugerem atitudes quase desesperadas em defesa do planeta, que estaria moribundo. Nesses ínterins, precisamos - tal qual borboleta que pousara em flor de sequóia - perceber que a Terra é um ser vivo. Há quem não sabe!
A borboleta completa o ciclo de vida em 25 dias. A flor de sequóia dura meses. Se o inseto passar a vida pousada na flor, morrerá sem notar as fases em que ela desabrocha, viceja e perde forças indicativas de que é um ser vivo. Acontece o mesmo com o homem em relação ao planeta onde habita. Vivemos tão pouco se comparado com a sua existência, que somos induzidos a achar que a Terra é algo inanimado. Mas é o contrário, ela teve infância, alçou a estágios intermediários e um dia atingirá o auge da maturidade. O filósofo italiano Pietro Ubaldi fez comparação similar, na obra intitulada "A Grande Síntese". A atmosfera, nos primórdios, era densa e quente em demasia. Com o passar dos milênios foi-se resfriando. Ao mesmo tempo, solidificava-se a crosta que veio a formar ilhas e continentes. Então, as águas se acomodaram nos pontos mais baixos do globo. Como diz a gênese bíblica, as terras se separaram das águas. Naquele período geológico, não havia condições para a existência humana. O homem é novo diante de outras espécies que o precederam. Algumas ainda estão aí. É o caso dos escorpiões. Outros não, como os dinossauros, desaparecidos há 60 mil anos. Só há 10 mil anos o planeta se tornou ambiente salubre ao homem. A época dos dinossauros era imprópria para homens assim como a nossa época é imprópria para dinossauros. Resumindo: o Jardim do Éden referido na Bíblia se forjou passo a passo, com o surgimento de florestas, mares, animais e ar rarefeito, adequado à respiração. Fomos educados para conviver nesse jardim, de acordo com os sucessivos tomos históricos. Em pleno século 21 - Neste novo limiar, encontra-se o homem moderno que abandonou as cavernas para morar nas metrópoles, substituiu o arco-e-flexa pelos tratados de paz, trocou o machado de pedra pela tecnologia industrial. Em sentido quase literal, um homem que criou asas percorre o planeta dentro de um pássaro de metal, o avião. Vai ao espaço e volta, em naves inteligentes, tal qual andorinha que sobe às alturas e volta ao mesmo ponto de onde partiu. Ou seja, a humanidade é uma família com mais de seis bilhões de indivíduos intelectualmente distintos. Entretanto, praticamos atos que levam à destruição do ecossistema, ao efeito estufa, ao aquecimento terrestre. Agimos como borboleta incauta que roesse a flor onde pousara, causando-lhe feridas irreparáveis, e nela expelisse excrementos que geram fungos nocivos aos elos vitais. Assim agredida, a flor teria suas defesas naturais enfraquecidas, começaria se degenerar, tornando-se objeto desfalecido, impróprio para o pouso de um próximo espécime. Fato semelhante acontece quando o homem derruba ou queima florestas, quando contribui para emissão de gases poluentes ou destrói construções milenares da natureza. Ora, o mundo é um encadeamento harmônico. Se essa harmonia é agredida, há reação semelhante ao "efeito dominó" - uma pedra cai e derruba as demais, em seqüência, e nenhuma fica de pé. Comparemos: quando florestas são destruídas, além dos vegetais que perecem, espécies animais ficam sem abrigo e sem alimento. Perdem as condições de se reproduzir e também desaparecem. Sem o frescor sombroso das árvores, a umidade evapora e as nascentes perdem vigor. Na medida em que diminui o volume das águas, secam rios, morrem peixes. Cada situação vai provocando outra e mais outra, indefinidamente. Os rios estão para o solo como os vasos sangüíneos para o corpo humano. Significam oxigenação e metabolismo. Entretanto, pesquisadores denunciam que o ar está prejudicado, sobretudo pela queima de carvão e combustíveis derivados do petróleo, produtores de fumaça e gases, soprados no meio ambiente. Também são fontes de poluição os dejetos e esgotos derramados nas águas. Conseqüência: Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), instituição que agrega 2.500 especialistas internacionais do assunto, a temperatura média do planeta subiu de 13,78 para 14,50 graus, nos últimos cem anos. Na atmosfera há partículas que filtram o excesso de calor solar. Elas formam a camada de ozônio. Essa camada vem sendo destruída pelos poluentes, inclusive pelos gases dos produtos em spray. Com a destruição do véu protetor, acontece uma evaporação exagerada e o superaquecimento global. É o chamado "efeito estufa". Tem mais: derretem-se as geleiras do planeta - dos pólos, por exemplo. - que escorrem para os oceanos, fazendo-os subir de nível. Assim, as cidades litorâneas sofrem alagamento por ondas gigantes, os tsunamis. Por outro lado, intensificam-se estiagens ou enchentes em diferentes regiões e países. Alerta: o grito dos ambientalistas há de ser ouvido. Alguma atitude precisa ser tomada, para frear o colapso climático. Em 1997 foi assinado, no Japão, um tratado internacional, o Protocolo de Kyoto, que estabelece índices de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) pelos países industrializados, em 5,2% até 2012. O Brasil participa do acordo e, em julho último, o governo lançou o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), comprometendo-se com o combate do efeito estufa. Os projetos brasileiros preconizam a diminuição de 200 milhões de toneladas de CO2 nos próximos 10 anos. Entretanto, nenhuma ação será suficiente na defesa do planeta azul - nossa flor de sequóia - sem que germine consciência ecológica nos corações-e-mentes de todos nós. Eu acredito! [1] Artigo, assinado por Ildefonso Sambaíba, publicado no almanaque anual (2008) "Ecos Marianos", da Editora Santuário (S. Paulo / Brasil).
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