Crepúsculo das Estrelas - Parte 2 Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Victor Oliveira, em 27-12-2007 11:33
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Capítulo 3: Sombras de um Futuro

No instante em que Calisto lembrou-se do que iria acontecer, sentiu as mesmas vibrações que sentira antes. Ela iria desmaiar e teria outro de seus sonhos a respeito do futuro. Todas as gerações da família de Abel tiveram dons especiais, e mesmo distante 2999 anos agora no presente, não poderia ser diferente. Nesses desmaios não tão constantes, Calisto podia ver claramente o que iria acontecer após algum tempo. O sonho já era sempre o mesmo durante os últimos meses antes daquela missão, mas ela nunca tinha coragem de seguir adiante e sempre acordava no instante em que todo o desenrolar dos fatos iria terminar em uma única saída: a "Verdade". Não era uma simples verdade, era a mais importante de todas: o sentido de estarem ali e o motivo de tudo isso ter começado na época de Abel. Era demasiado forte para ela saber, e tinha muito medo do que poderia descobrir. Mas, na atual situação, era preciso...
O sonho era sempre o mesmo, o que levou ela a tomar providências e construir o robô protótipo que agora a acompanhava. Após adormecer por completo no prédio residencial, ele novamente havia começado. Seus novos amigos haviam trazido ela até ali, visto que havia desmaiado nos campos do lado de fora do complexo e estavam muito preocupados.
Na prisão residencial de Thor, novos fatos começavam a se denserolar. Ele estava em modo de hibernação, parcialmente desligado. Mas, de repente, duas antenas que se encontravam encaixadas às costas se desprenderam e subiram para cima de sua cabeça. Instantâneamente, Thor acordou de seu sono regenador. As antenas começaram a emitir sons e piscar.
- Essa não. Já está acontecendo. Preciso avisar a senhorita Calisto! - Thor.
Seus protocolos de comportamento normalmente não permitiriam isto, mas agora a situação estava em nível de emergência. Puxou fortemente cada braço para um lado e se desprendeu do cipó que o prendia. Correu em disparada da porta e literalmente a atropelou. Foi um grande estrondo. Lá fora, muitas pessoas que passeavam por ali, ficaram muito assustadas com o gigantesco robô que agora corria pela cidade. Um alerta foi emitido para os Sábios.
- Eu sabia que ele era perigoso. Precisamos tomar medidas drásticas! - sábio 1.
- Isso; antes que o povo saiba a verdade. - sábio 2.
Calisto, que estava bem confortável em um quarto preparado para ela, recuperava a consciência aos poucos. Mas, quando notou que estivera desmaiada, deu um grande salto e pôs-se de pé. Logo sentou na cama e começou a chorar...
- Eu vi... não pode ser... agora sei a Verdade! - Calisto.
- Que verdade Calisto? - Arthem.
- Não é simplesmente uma verdade, é "A Verdade". Mas ainda não estou preparada para lhes contar isso.
O robô transformou-se em nave na frente de todos e se dirigiu velozmente para o complexo decadente de Airland Vector. Por onde ele passava criava uma rajada de vento poderosa que derrubava algumas pessoas. Enquanto isso, no espaço, o monolito gigante continuava sua jornada. Por onde ele passava, distorcia as leis da gravidade ao redor, e tanto empurrava como atraía para si resíduos e outros pedaços maiores de poeira estelar. Se dirigia rapidamente, na velocidade da luz, para o Setor Sigma.
Lá fora, armas antigas foram reativadas. Os sábios lançaram redes magnéticas de armas que pareciam canhões, que foram ao encontro do robô. Elas caíram sobre ele, abrindo-se logo em seguida, enterrando suas esferas pontiagudas no chão em instantes. Thor estava preso. O desastre se aproximava, e ele precisava avisar Calisto. Só ela continha a programação exata para funcionar o aparelho que havia dentro dele, e que no momento seria a única esperança da humanidade. Calisto ouviu o barulho de tumulto lá fora, e pediu para Arhtem e Mithra irem com ela. Algo estava acontecendo. Ao abrir a porta selada, deparou-se com uma multidão ao redor do robô preso.
- Esperem! O que vocês estão fazendo? - Calisto.
- Esse ser escapou de sua prisão, destrui um pedaço do complexo e agora estava correndo pela cidade feito louco. Tivemos que fazer algo.
- Correndo? Esperem, deixe-me falar com ele.
A multidão abriu espaço até os captores, que por sua vez a deixaram passar.
- Ele é perigoso. Vai contar tudo. Dêem uma descarga máxima. - sussurou Azrhaim, líder dos Sábios e ex-líder militar.
Quando Calisto se aproximou mais para perguntar o que houve, apenas ouviu um sussuro do robô que já jazia no chão, devido às descargas elétricas.
- Está... vindo... - Thor.
- Thor! O que houve! Me conte! O que fizeram com ele? - Calisto.
- Ele era perigoso senhorita Espacial, e creio que você também. Apenas não nos mostrou ainda do que é capaz! - Azrhaim.
- Como sabe se sou perigosa? - Calisto.
- Você sabe a "Verdade". Eu também sei. Mas isso representa um perigo para nosso povo que agora vive em paz. Não queremos que aconteça uma nova guerra, queremos? - Azrhaim.
- A... "Verdade"... Acho que compreendo... - Calisto.
- À todos que presenciaram este fato: "Está decretada a prisão preventiva de Calisto e seu ser mecânico conhecido por Thor. Ela será exilada na Torre Norte, longe de nós, para nosso bem. Ela é uma Espacial e altamente perigosa! Quem desobedecer esta lei, irá junto com ela!" - gritou Azrhaim.
- Mas, o que ela fez? - Arhtem.
- Isso é injusto! - Mithra.
- Injusto é como vivíamos antes, meus jovens. Levem-na! - Azrhaim.
Os captores arrastaram a carga sem vida do robô por toda a selva que havia fora do complexo residencial. Calisto foi presa e levada junto. Foi preciso mais de vinte homens para puxar e empurrar o robô inerte. No caminho Calisto ficou pensando se era justo que ninguém soubesse o que estava para acontecer. Mas, talvez assim, fosse mais rápido e ninguém sentiria nada.

Então, anoiteceu...

Era uma linda noite, com suas estrelas brilhantes... Estrelas brilhantes? Todos notaram que a noite estava estranha. Saíram de seus complexos e se dirigiram para as sacadas. Uns murmuravam com outros sobre o que estava acontecendo. Uma escuridão se abateu sobre a Terra, e as estrelas já não brilhavam mais. Algo havia tapado seu brilho. Na penumbra, Azrhaim saiu de seu complexo residencial, olhou para cima e disse:
- Droga! Ele já está aqui. O robô estava certo. Se "Proteus" entrar em contato com os "Elitrons", estaremos perdidos! - Azrhaim.
No céu, o que parecia ser uma sombra, exibiu-se a todos e mostrou ser o que era. Várias luzes se acenderam na estrutura, revelando um caminho intricado, aparentando ser uma cidade predial em toda a extensão do monolito. As pessoas saíram para fora de suas casas e observaram atentamente a gigantesca estrutura que agora estava sobre suas cabeças. Ninguém conseguia compreender o que significava aquilo, visto que toda tecnologia havia sido dizimada.

Na Torre Norte...

- Thor, acho que agora que já não temos saída, eu posso contar a verdade para você. Eu sabia que tudo isso iria ocorrer. Só não queria acreditar. A onda de choque criada pelo Elitron, mesmo que não fosse planejada, iria acordar Proteus, a última raça de seres que faltava aparecer. Assim como os Neotrons usavam os humanos, os Elitrons usavam organismos vivos, tais como esse que expeliu a onda de choque, que acabou com toda a tecnologia. E agora Proteus... - Calisto.
- O que ele usa para atingir seus objetivos? - Thor.
- A energia dinâmica do universo: estrelas, planetas, buracos negros, nebulosas, e tudo o que estiver dentro dela...
- Incluindo os Neotrons e os Elitrons?
- Isso. Ele é a força mais poderosa de todas, por isso os Elitrons o temem e evitam entrar em contato direto com ele. Exatamente por isso, eles não se expõem, e raramente interferem em algum assunto, a menos que seja necessário, e mesmo assim, somente um deles aparece. Já os Neotrons eram muitos, então não se preocupavam em dar as caras.
- E o que eu tenho a ver com tudo isso?
- Proteus agora entrará em modo de espera, para reunir todo o material universal, orgânico, genético, robótico e estelar que precisa, para dentro de um ano expelir toda essa massa condensada e criar um novo universo, exaurindo toda sua força e desaparecendo para sempre... Você foi criado para combatê-lo enquanto ele está em modo de espera. Você possui um cristal interno, que precisa ser recarregado.
- Recarregado com o quê?
- Com a energia que criou o "Phenômemon E.S". Temos que encontrar aquela criatura, que agora está solta pelo espaço e transferir sua energia para seu cristal.
- Certo. Mas, diga-me: O que irá acontecer conosco se eu falhar?
- Um novo universo será criado e tudo o que vimos, sentimos, vivemos, nosso ser, fatos, eventos, alterações históricas, épocas, planetas, reinados, irá desaparecer por completo, sem deixar nenhum vestígio e o Setor Sigma deixará de existir e tantos outros.
- Você viu mais além?
- Sim. O novo universo será inexplorado e haverá um sistema central, perto de Andrômeda. Será chamado de Sistema Solar, constituído por oito planetas e um asteróide de translação irregular, que será considerado como planeta também. Não haverá mais nada. Apenas um jardim, num planeta que será chamado de "Terra". Talvez a única lembrança que restará de nossa época.
- Então...
- Sim. Nós somos apenas cobaias. Somos um teste. E agora que descobriram do que os novos seres precisam, que serão chamados de "humanidade", não precisam mais de nós. Vão recomeçar tudo do zero, mas desta vez, de um modo correto, cujos resultados foram colhidos durante todos esses anos de eventos, tendo a minha família como membros principais e ajudantes indiretos em seu jogo de xadrez. Somos apenas peões. Já houve tanta coisa. Tecnologias, guerras, descobertas, seres alienígenas. Já foi testado tudo. E agora chegou a hora da reconstrução. Nem mesmo os alienígenas irão interferir mais, sabendo que sua criação será  perfeita. Eles viram que sua interferência prejudicou muito o andamento da experiência. Eles irão viver por si mesmos, sem auxílio externo. E toda nossa história...terá morrido. Essa é "A Verdade". Entendeu agora por que os Sábios não querem divulgar isso? Estamos todos condenados, e eles não querem espalhar o pânico. Por isso resolvi tentar mudar a história do meu jeito. Você é a última esperança de todo esse universo conhecido.
- Isso é realmente impressionante e aterrador!
- Mas primeiro precisamos dar um jeito de sair daqui.
No centro da cidade...
Proteus ligou todas as suas luzes externas e iniciou o processo de recolhimentos dos materiais. Uma rajada de matéria azulada rasgou o céu e atravessou todo o planeta. Nesse instante todos já estavam olhando o fenômeno. Apenas um minuto depois, uma rajada de cor vermelha foi disparada no lado contrário. E para finalizar, uma rajada esverdeada foi lançada em direção oposta às outras duas. No céu, o que parecia ser um turbilhão cinza se formou. Agora restava apenas um ano para todos os seres vivos...

Capítulo 4: A decisão mais difícil

- Isso é ruim, muito ruim. Mas felizmente tínhamos nos preparado para essa hora. Colegas, plano A em ação! - Azrhaim.
O povo ao redor corria de um lado para outro sem saber o que fazer. Então, chamando todos à si, Azhraim coordenou uma reunião de emergência. Todos se reuniram e ele explicou qual era seu plano. Eles haviam preparado um sistema de armas escondido que não fora afetado pela onda de choque. Ainda funcionaria perfeitamente. O complexo encontrava-se embaixo de Airland Vector.
- E todos esses anos não sabíamos disso? Por que? Poderíamos ter nos preparado melhor para essa situação! - Arthem.
- Meu jovem. Isso não era para ser de entendimento público. Queríamos evitar o pânico.
- Sim, mas agora não sabemos o que fazer...
- Nós cuidaremos de tudo. Não se preocupe. Já estava tudo planejado.
- Quer dizer que vocês já sabiam que essa onda de choque destruiria toda a tecnologia e que esse monstro apareceria?
- Sim. Mas não tenho mais tempo para explicações. Precisamos agir. Saia da minha frente garoto!
- Mas por que então não avisar os outros?
- Garoto. Qual raça você gostaria que sobrevivesse e reinasse suprema no universo? Nós, é claro! Homens! Vamos para o setor T-1, agora!
O destacamento de sábios e outros que conheciam o plano de emergência começaram a agir. Arthem e Mithra concordaram que isso não era uma coisa boa, e como era muito espertos, resolveram ir até a Torre Norte para libertar Calisto e Thor, visto que os guardas também haviam sido requisitados para a missão principal. A noite estava muito clara, devido aos três raios que pairavam sobre o céu como se fossem uma aurora boreal. Não encontraram muitas dificuldades em atravessar a floresta com toda a luz que as energias ofereciam.
- Você acha que estamos fazendo o que é certo? - Mithra.
- É claro. Você concorda comigo que preferimos confiar nela do que nos Sábios. - Arthem.
- Sim. Eles sempre foram muito esquisitos, e agora sei o motivo. Eles estão escondendo muitas coisas de nós. Espero que Calisto nos explique. - Mithra.
A Torre Norte estava bem em sua frente. Na porta central, Arthem usou seu computador portátil para destravar a porta.
- Se eles achavam que só eles tinham truques na manga, eles nem desconfiam do que um colecionador como eu pode ser capaz. - Arthem.
- Você tinha todo esse tempo esse mini-laptop e nunca me falou? - Mithra.
- Era perigoso. E iriam tirá-lo de mim, se um deles descobrisse.
- Você é cheio de surpresas irmão!
- Você ainda não viu nada...
Conseguiram chegar rapidamente à cela de Calisto.
- Calisto! Acorde Calisto! Moça! - Mithra.
- O que... o que vocês estão fazendo aqui?
- Libertando você! Espere um pouco.
Arthem tinha em seu laptop todas as coordenadas e códigos especiais de todos os complexos que um dia eram vivos. Como colecionador, ele havia mantido este escondido durante anos, desde que o achou, numa base militar desativada.
- Está acontecendo algo lá fora, e achamos que você saberá nos dizer do que se trata! - Arthem.
Calisto olhou para fora e notou que o processo todo já havia começado. Precisava agir rapidamente. A partir dali, teriam apenas um ano.
- Thor, está tudo online?
- Sim senhorita Calisto. Estamos pronto para nossa missão.
- Que missão? - Arthem.
- É! Que missão? Os sábios iniciaram uma e ninguém sabia disso. - Mithra.
- Eles iniciaram uma missão?
- Sim. Disseram que já sabiam que isso iria ocorrer e que estariam executando um plano "A" quando chegassem à sua instalação subterrânea.
- Eles já sabiam que isso iria ocorrer? Como? Eu achava que somente meus sonhos revelassem o futuro. Espere...
- O que foi? - Mithra.
- Minha missão original. Agora entendo. Estava tudo planejado. Como não percebi isso antes. Idiota.
- Não estou entendendo. - Arthem.
- Minha missão supostamente era averiguar o planeta-santuário Vega, visto que ele não pertencia a nenhum dos planetas conhecidos. Os governantes de meu planeta temiam que pudesse haver um ataque surpresa vindo de um planeta que ninguém desconfiaria. Mas agora entendi, que fomos atraídos como um rato farejando queijo em uma ratoeira. Alguém de fora, que sabia que a onda de choque iria desbaratar todas as tropas, fez com que a maioria delas, senão todas, estivessem no lugar certo, na hora certa. A consequência de tudo isso foi que as duas maiores armadas do antigo Império foram dizimadas. E essa pessoa, de fora, seria a única que teria tecnologia disponível e dominaria os outros através de sua supremacia mecânica. Só estava esperando chegar o momento certo. E este momento chegou.
- Então... - Mithra.
- Então... - Arthem.
- Sim. O novo império, comandado por Azhraim, começa hoje... E vocês, ou pelos menos a maioria, estará sob o comando dele, visto que nunca lidaram com tecnologia antes. Como eu não percebi isso antes. Droga.
- Calisto, precisamos saber a Verdade. Viemos aqui libertá-la porque confiamos em você. Por favor, nos diga. O que está havendo? - Arthem.
- Tudo bem, ainda temos algum tempo. Mas, espero que a Verdade não os surpreenda tanto a ponto de não quererem mais viver...
Na base militar secreta...
- Ótimo. Tudo está ocorrendo exatamente como havíamos visto na máquina do tempo recolhida dos destroços de Megatera. Apenas precisaremos destruir esse monstro e nossa supremacia como imperadores da galáxia estará selada! - Azhraim.
- Mestre! Os canhões de fusão estão prontos!
- Ótimo. Preparem-se para atirar!
- Senhor. O povo está em pânico e pede explicações!
- E desde quando nos explicamos aos civis? E aliás, estamos garantindo a sobrevivência da vidinha miserável deles! - Azrhaim.
- Sob o nosso comando?
- Exato! A Elite dos Sete reinará suprema! Éramos apenas espectadores, mas agora chegou nossa hora de agir! Um jogo de xadrez sem dois lados, não é um jogo de xadrez! Desta vez, a vitória da partida será nossa! Desde que Abel roubou os projetos de Ramsés e nos trouxe, tenho esperado por esse momento! Foi uma eternidade, mas agora é a hora. Não existe mais força militar ou tecnológica além da nossa. Os planetas robóticos deixaram de existir e sobrou muita coisa para ser conquistada.
- Uoy era a eurt redael!!!
- Obrigado, mas cuidado para que ninguém ouça você falando em nossa língua natal, ou teremos problemas!
- Sim senhor! Nada de língua "Titã" até terminarmos com tudo!
Na floresta...
- Senhorita Calisto! Captei ondas sonoras vindas do parque central de Airland Vector. E também alguém estava conversando em uma língua totalmente diferente de tudo o que já vi.
- Vamos, rápido! Antes que seja tarde demais!
Saindo da floresta e se dirigindo para a área habitacional, pela primeira vez Calisto olhou para o objeto que pairava sobre o planeta. E, após tanto tempo, um sentimento que estava adormecido, acordou. Ela sentia medo. Aquela estrutura era gigantesca e teriam que lutar contra ela. E apenas um simples robô poderia resolver tudo. Ou não. Dúvidas pairavam sobre sua cabeça nesse instante. Mas, ao avista certa pessoa ao longe, controlando armas antigas, suas dúvidas se dispersaram...
- Azhraim! O que pensa que está fazendo? - Calisto.
- Não haverá novo universo! Com a estrutura que preparei durante todos esses anos, aqui mesmo, embaixo da Terra, nada nos impedirá de governar este universo! - Azhraim.
- Está louco? Já viu o tamanho dessa coisa? Eu possuo a chave para nossa salvação, mas preciso procurá-la em outro planeta. O robô possui um cristal de energia concentrada em seu peito. Precisamos apenas recarregar com a onda de choque que nos atingiu dez anos atrás.
- Pelo orgulho Titã não deixaremos que essa criatura sobreviva!
- Titã?
- Droga. Deixei minhas emoções me controlarem e acabei dizendo o que não devia.
- O que são vocês afinal?
- Quer mesmo saber?
- Sim, ainda temos algum tempo.
- Já ouviu falar em Megatera não é? Há poucos anos atrás, uma humana descobriu a existência de nosso planeta de animais. Era para ter ficado em segredo, mas aquela moça realmente tinha uma habilidade especial.
- Espera aí. Megatera não era o lar dos insetos gigantes?
- Sim. Nossos animais de estimação.
- Mas, vocês...
- Alguns anos luz à frente de Megatera, encontra-se nosso planeta, Titã. Ou pelo menos encontrava-se. Uma entidade vinda do passado, denominada apenas por "Grande Mente", nos encontrou e absorveu toda a energia de nosso planeta para sua própria sobrevivência. Devido ao nosso metabolismo, ela ficou gigante. Nosso planeta seria destruído em breve, então resolvemos guardar o máximo possível de energia restante para reconstruí-lo. Diminuímos nossos corpos ao tamanho humano e reservamos energia para uma revanche futura. Acabamos por encontrar um planeta distante o suficiente de todos os eventos que esse setor sofria, apenas aguardando o momento certo de voltarmos para nossa terra. Então, uma entidade de outro universo ávida por energia nos encontrou. Era um simples átomo que ao absorver nossas energias estocadas, ficou gigantesco. Após completar o processo e ficar do tamanho de um planeta, ele iniciou o mesmo processo que está ocorrendo agora e após o período de um ano, o inevitável aconteceu. Suas rajadas voltaram para dentro de si mesmo, contorceu-se, e explodiu...criando um novo universo, no evento que denominamos "Big Bang". O mesmo ocorrerá aqui, dentro de um ano. Mas não vamos deixar desta vez. Iremos recuperar nossas energias que estão dentro do monstro.
- Vocês eram gigantes?
- Sim.
- Eu previ que tudo isso iria ocorrer e estou preparada para destruí-lo e liberar a energia que está contida dentro dele. Não acho que a máquina que vocês construíram irá detê-lo. Eu possuo a chave para nossa salvação. Tenham paciência. Se vocês atacarem ele agora, talvez nunca mais saberemos como destruí-lo. Eu posso ajudá-los. Deixem-me tentar. Peço apenas seis meses até encontrar o organismo que liberou a onda de choque. Por favor...


Publicado em : Literatura - Contos, Diversos
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