BuscaPé, líder em comparação de preços na América Latina
OBSOLETISMO Imprimir Enviar para um amigo
Avaliação desta obra: / 0
RuimÓtimo 
 
Escrito por Sebastião Antônio Baracho, em 24-09-2007 13:56
Avaliação média    (0 voto)
Visitas 2313    
Favoritos Nenhum

Se me fosse dado o poder de dirigir a humanidade eu o faria, sem nenhum remorso, retornar a idade da pedra ou dos homens das cavernas, desde que, de antemão, tivesse uma equipe competente e todos os conhecimentos atuais armazenados e prontos para serem ministrados de forma modificada.

A primeira providência a ser tomada, seria uma verdadeira lapidação de todas as jaças e arestas do saber humano da contemporaneidade, jogando numa lixeira de cratera maior do que a do maior vulcão da terra, tudo que não contribuísse para a máxima de "não fazer ao meu próximo, ou distante, nada que não desejasse que ele fizesse comigo"...


Os que nasceram em cidade histórica cercada por uma muralha de casarões debruçados sobre estreitas ruas, remotas passagens de carros de bois e tropeiros a guiarem seus animais de carga tendo na frente uma madrinha com um sinete de som indefinido e mouco. Estão acostumadas a ver o povo andar pelas ruas praticamente, uns atrás dos outros, e sabe muito bem a respeito do desuso das coisas num flagrante destoarem com o aprendizado escolar, cujos ensinamentos, pela ordem natural das coisas, necessitam acompanhar a modernidade.
Nos primeiros dias da freqüência Aos bancos escolares, o imberbe aluno já começa a sentir a grandiosidade da diferença do que aprendeu com a sua iniciante "vidinha" de observação do seu cotidiano, em contradição com a cátedra escolar que lhe vai sendo ministrada qual um escoar de conta-gotas de um remédio até então desconhecido para ele.
Em casa, ouvira dizer sobre contas de "mais", subtrair e multiplicar bem como, a de "menos", contudo, na escola lhe disseram que aquilo tudo era matemática. Aprendera, também, que língua era para falar ou para comer, na escola lhe disseram que língua era idioma a ser decorado.
Com o passar do tempo, o aluno vai se amolgando às novidades e acabará por desligar-se por completo do sistema que o levara ao banco escolar, no final, será menos um a manter as tradições recebidas dos antepassados, essas, ficarão a cargo dos que não se ilustraram no aprendizado metódico e moderno ou, ficará atribuída a pessoas alheias aos costumes antigos sem terem feito parte do mesmo em seu nascedouro, dessa forma, sem ter percorrido pelos meandros espinhosos e difíceis do viver com o umbigo preso ao passado.
As coisas modernas nos levam a desprezarmos as nossas origens pela influencia exercida com a facilidade de ganho de tempo tão necessário ao sistema capitalista, entretanto, essa mesma facilidade, é uma faca de dois gumes:
Se ganha em conforto e rapidez e, perde-se na ciência da observação, avaliação e comunhão das pessoas entre elas mesmas, para um porvir mais feliz.
Longe de eu desdenhar o progresso, ele é necessário em tudo que se projete com intenção de melhoria de quaisquer situações, entretanto, tal evolução teria que ter sido desde o início, quando o homem passou a conhecer o fogo e a roda e a se alimentar com talheres, planejado com a única finalidade do bem estar e viver do ser animal, racional, irracional e até dos vegetais, sem permitir que ninguém levasse vantagem em tudo em desfavor de muitos, porque, sempre que alguém ganha, outro (ou outros) terá que perder!
Se me fosse dado o poder de dirigir a humanidade eu o faria, sem nenhum remorso, retornar a idade da pedra ou dos homens das cavernas, desde que, de antemão, tivesse uma equipe competente e todos os conhecimentos atuais armazenados e prontos para serem ministrados de forma modificada.
A primeira providência a ser tomada, seria uma verdadeira lapidação de todas as jaças e arestas do saber humano da contemporaneidade, jogando numa lixeira de cratera maior do que a do maior vulcão da terra, tudo que não contribuísse para a máxima de "não fazer ao meu próximo, ou distante, nada que não desejasse que ele fizesse comigo".
A segunda meta seria acabar com todas as leis, quaisquer que sejam elas, validando apenas o decálogo dado por Deus a Moisés, onde transcorreriam todas as sanções das leis abolidas atuando nos desobedientes aos ditames da nova antiga lei.
Tenho certeza que, cumprindo o decálogo com convicção, mesmo não tendo nenhuma crença religiosa humana ou divina, desnecessário se tornariam todas as leis feitas pelos homens até agora. Até o trânsito de veículos teria regulamentação nos dez mandamentos em sua parte de resumo "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo" quem ama a Deus ou, ao próximo, não dirigirá embriagado, não causará acidentes nem lesionará ninguém, nem aos animais!
As leis de proteção à natureza, ao menor, uso de drogas, código civil, eleitoral, e muitas outras, todas elas continuariam com suas sanções, porém, tendo por base o decálogo referido.
A terceira meta seria a divisão de rendas, pelo simples fato do Criador do universo nos ter permitido nascer sem roupas num planeta nos doado igualitariamente, se todos são seus filhos, por qual razão uma minoria seria dona de quase tudo numa "casa" que não é só dele e sendo igualmente irmão dos desprezados?
A prova maior desse disparate é que, quando somos levados para a eternidade, partimos daqui sem nenhuma vantagem ou bens materiais, os quais ficarão na "casa", dessa forma, fica provado que nem os ricos são donos de suas riquezas.
A penúltima proposição seria a moradia, alimentação e terra distribuídas para todos através de órgãos governamentais que, para tal, após a divisão das rendas, aparassem as desigualdades ainda existentes. Primeiro, acabando com fábricas dentro das grandes cidades que seriam locais apenas de moradias e lazer, segundo, atuando qual um gestor distribuindo os trabalhos para todos, respeitando as horas ou dias de folga e entretenimentos, terceiro, as terras públicas seriam imediatamente distribuídas ás pessoas competentes a fazê-las produzir para o bem comum.
A última proposta seria a saúde pública, trabalhar para o saneamento de todas as doenças eliminando o mal e não o doente, empregando o possível com os estudos científicos para o término de todas as doenças antigas, novas e as futuras.
Nas escolas, haveria uma metodologia específica para cada cátedra com os docentes só ministrando aulas inerentes a matéria desejada pelos alunos discentes de sua classe, dentro de um rigoroso cumprimento, preestabelecido alusivo a matéria de cada ensinamento, dessa forma, por exemplo, um aluno de matemática não teria que receber nenhuma aula de línguas, higiene, religião e outras estranhas a matemática.
Durante meu pequeno período escolar, ensinaram-me matérias das quais nunca tive o conhecimento de seu uso no meu cotidiano, por exemplo: binômio de Newton, climas e relevos estrangeiros, capitais do mundo todo, quando, na verdade, poucos conhecem as cidades que são vizinhas a sua de moradia etc.
Tudo o que me referi, desde o parágrafo em que me foi atribuído o poder de dirigir a humanidade, é uma utopia e ficará aqui constante só como "faz de conta" uma vez que, para cumprir-se às metas propostas, alguém teria que ser um super-homem sem nenhuma fraqueza, e ter no cérebro o mais perfeito e criativo computador do universo, porém, se caso isso fosse possível, tenho certeza de que a humanidade seria feliz e o céu mudar-se-ia para a terra, com o comando sendo transferido para Deus por minha própria iniciativa.
Como não é possível acontecer como está consignado, nos resta tentar apenas melhorar a nossa vivência na terra, começando pela família e o círculo de nossas amizades, ou seja, atuando como o resultado de uma pedra jogada num lago aonde os círculos vão se aumentando até chegarem às margens, momento em que os bons sentimentos se propagarão absorvendo e ensinando aos mais destoados da vida em comum, para o bem de todos!
Para não deixar a imagem de um ilusionista "Dom Quixote", um bobo da corte ou um contador de "faz de conta", devo deixar de falar para dizer, explicando, porque me extrapolei em enxovalhar o progresso, tal como ele se nos apresenta o fazendo da seguinte forma:
Não tendo sido dado ao desenvolvimento o sentimento de progredir na direção e a favor de todos, ele virou apenas peça de manobra de grupos, financeiros em primeiro lugar e afortunados em segundo, onde, apenas os usufrutos lhes eram repartidos, enquanto o labor e os impostos ficavam nas costas dos menos afortunados e, mesmo... Miseráveis!
Antigamente, um latoeiro tinha uma profissão digna e reembolsável, hoje, nem existe mais e poucos sabem de sua anterior existências, foram absorvidas pelos automatismos das fábricas de aço inoxidável e plástico afins.
Os ferreiros, com seus foles e bigornas a temperar o aço, sumiram do mapa.
As locomotivas e os barcos a vapor, que transportavam mais barato quase tudo, praticamente desapareceram também.
Os chapéus de vários tipos, bonés e boinas, estão, praticamente, desaparecidos, exceção feita a alguns militares.
As gravatas, caixas de fósforos, canetas tinteiro, lápis, lapiseiras, mata-borrões, estão extintos ou em fase de superação em desfavor deles.
Os Jeeps, carroças, jardineiras, coches ou carruagens, motonetas, já estão, praticamente, em desuso.
Meias, pijamas, toucas, camisolas, ceroulas, brilhantinas, grampos, costeletas, carteiras, lenços, óculos escuros, cachecóis, estão seguindo o cortejo obsoletista.
Tarzan, O Coiote, Capitão Marvel, Gibis, Super Homem, Contos da carochinha etc. já se desvaneceram das prateleiras.
Laqueadores de móveis, marceneiros, carpinteiros, carapinas, datilógrafos, amansadores de animais, vigilantes noturno de ruas, caixeiros viajantes, vendedores ambulantes de quinquilharias e até produtos alimentícios, remendões-sapateiros, concertadores de pequenos rádios portáteis, alugadores de bicicletas, trocadores de coletivos. E, centenas de outras profissões, cujo mister se prende a fabricação ou concerto de peças facilmente trocáveis por outras novas que possam ser divididas em várias prestações mensais, estão em fase terminal.
Em nome do progresso, inúmeras famílias foram massacradas, profissões foram sepultadas, usos e costumes foram modificados, porém, qual um gigantesco tear, o progresso continua desfiando suas teias sobre o fuso, a bel prazer dos arquitetos do capitalismo que, na ponta, recolhem a produção dividindo entre eles e deixando da maçaroca apenas os detritos para o acotovelamento dos povos.
Primeiro, o lucro, depois o estudo para a proteção aos trabalhadores, mas, nunca, a divisão das benesses do desenvolvimento para todos.
Já não estou pensando em recuar ao homem da caverna, poderia, ao menos, retroceder à época em que havia latoeiros, ferreiros e outros e, tão logo o desenvolvimento fosse acabando com seus trabalhos, assimilá-los à máquina do progresso onde poderiam prestar serviços indispensáveis dado ao fato da maturidade adquirida em seus trabalhos sem as facilidades da cibernética emergente, o que ocorre na atualidade, os datilógrafos estão sendo escamoteados quando, o certo, seria infiltrá-los na computação informática como digitadores.
Enquanto a humanidade aceitar que o progresso desenvolvimentista esteja algemado ao capital, dessa forma, ao lucro fácil, os seus benefícios só terão um caminho:
Os cofres dos mais poderosos, em detrimento de toda a maioria carente de suas vantagens e, a moralidade, ficará sepultada em suas engrenagens gananciosas.
A continuar dessa forma, é preferível viver em cantões das cidades históricas, ombreando com as pessoas simples, que nada ou pouco conhecem das novidades progressistas, retirando seu sustento da terra ou de pequenos serviços prestados a quem ainda não foi flechado pelas setas do progresso dos senhores do capitalismo selvagem.
Se progresso é ato ou efeito de progredir, o que se espera dele é que, pelo menos, ele inicie seus efeitos a partir de algo já conquistado para melhorar e, não, retirando tudo de quase todos.
Eu se recebesse procurações de todos, não teria condições de reiniciar tudo a partir dos homens das cavernas, como relatei no meu "faz de conta", contudo, muitos governos, que se ufanam de serem fortes, bem poderiam retroceder à "idade dos latoeiros e ferreiros", dando uma reviravolta geral para o bem comum.
Não vale a desculpa de nosso país ser quase um continente, para tal, uma simples lei, poderia dividi-lo em estados soberanos sem prejuízo para a autonomia federativa e, cada Estado, retornar a idade referida e modificar a forma de conhecimento, distribuição e aprimoramento errado que vem sendo dada ao progresso atual.

Publicado em : Crônicas, Crônicas
Quote this article in website Favoured Send to friend

Comentários (0)

Nenhum comentário

Adicionar comentário

< Anterior   Próximo >