Kelton, Kelmon e Kelson. Nomes estranhos realmente. Mas os irmãos se colocam e tem uma amizade forte e sincera. Até durante a infantil situação de perseguir, passarinhos, galinhas, patos, marrecos, cachorros, gatos, principalmente esses últimos. Faziam questão de caçá-los, até por serem mais ariscos. Quando um distraia, coitados dos animais, eles não eram parecidos. Iguais. Em tudo, nos detalhes dos rostos, uma mesma pinta do lado direito, bem na junção do nariz. Não se podiam dizer quem era um ou outro. Impressionante a condição de vê-los, constatar o erro e se dizer – bem, estou convencido, quem é quem afinal? – isso com todos os amigos, parentes, vizinhos e até com o padre local que os benzeu. Se é que teve certeza que os fez em todos. Porque o temperamento deles sim era diferente. Perseguiam iguais aos animais, quanto a isso sem sombra de dúvida, vendo bem nenhuma até. Viam os três correndo ao mesmo tempo atrás deles. Agora, quem bateu primeiro com o taco especial de jogo. Quem estrangulou, em segundo e quem estripou em terceiro. Sim, eles faziam isso, desde crianças, desde pequeninos. Uns monstros diriam todos. Quanto a isso, bem, todos tinham certeza. Uma trinca capeta, violenta e pior, unida em tudo. Para bater, nunca para apanhar. Porque quando um era enfrentado, e se pegava com algum malandro, corria e não se sabia, agora, nesse instante, quando pegou à esquerda na esquina, parou e resolveu lutar ali mesmo, seria ele mesmo. Ele quem? O Kelton, sim sou eu, o Kelmon, está aqui mãe e o Kelson, sou eu, a senhora já me deu banho. Quer maior confusão? Até para escrever e falar sobre eles.
Na infância, foram se destacando, um corria mais, o outro mais forte e o terceiro mais esperto. Tudo bem, diriam todos, incluindo os pais, simples, da roça e que contavam com os três para a sua lida diária de enxadas, ancinhos, alfanjes e outros materiais de cortes, que, nas horas vagas, poucas, faziam na corrida em cima dos animais. Era só pedir para trucidar, melhor, - vamos comer frango hoje, escutavam da mãe - pronto, melhor ainda, a diversão chegou e os três se precipitavam, discutindo, empurrando, se jogando um em cima do outro para ver quem conseguia. Ela ficava realmente preocupada, com os três, com os seus cabos de alfanje, pequenos, doados a eles de criança, na roça, pelo pai, para brincar de carpir, agora um instrumento, cada dia, mais perigoso. Fiquem longe, os meus meninos estão caçando, ela diria. E todos já não precisavam mais esse aviso. Ficavam longe e pronto. E a coitada da galinha já chegava assim, cortada no pescoço, quem caçou primeiro e cortou com o troféu da cabeça da coitada e os outros dois empurrando, batendo em suas costas e dizendo parabéns.
- Pare com isso Kelton.
- Sim, mãe.
- Ele não é o Kelton, mãe, sou eu.
- Parem com isso, rindo. Eu não quero saber, melhor, vou dizer assim sempre, rindo e os três jogando, ou melhor, um deles jogando o corpo da galinha na pia e o outro, um deles, com o troféu, indicando que foi ele o vencedor. Ele quem. Eu, o Kelson. Não, o Kelton e não o Kelmon. Ela ria e ficava com isso. O pai fazia o mesmo.
- Vocês três são meninos danados de ruim, falava, mascando o fumo. Cuspia para fora, casa simples e de sempre muito trabalho. Embaixo do sol, constipados e queimados por ele.
- Pai!
- Diga filho.
- Não sabe quem é e não importa. Nós vamos embora. Tem um homem que nos ofereceu trabalho. Muito dinheiro.
- Muito dinheiro. Vocês são broncos, mal sabem ler e escrever. Vão arrumar emprego com quem, vão fazer o que afinal.
- Pai, pegando em seu braço esquerdo e apertando. Nesses instantes, quando os dois lhes davam um não, ou sequer um mínimo de contrariar as coisas, eles pareciam ser um só. Os outros dois sentaram-se à frente dele, falando e marcando firme no olhar.
- Pai, o outro falou. Vamos embora, nós três. Temos empregos. Muito dinheiro, falou firme. E aprendemos a ler e a escrever, nós três. Não pode nos avaliar, não pode dizer nada, o senhor é que é burro total. E a mãe também. A firmeza com que falam, eles pressente e na pele, sentem o peso do falar. Não importa quem. São iguais. Olha de um para outro com o mesmo desamparo.
- Filhos, estão certos, ela falou mansamente, sabe fazer assim, para tirar o peso dos três em cima do marido.
- Vamos embora, mãe, um deles saiu da bancada, apertou em seus braços, fez carinho em seu cabelo branco, envelhecida precocemente, quarenta anos de idade. Os meninos como chamam, já com dezessete e mais uns dias dezoito. E ela sabe o quanto se preocupou com as suas andanças pelas matas, pelas caçadas e toda a vizinhança a reclamar deles e de suas investidas. Não procurou, não deixavam os três, de saber o que era. Só escutavam que havia reclamação. Mas as amigas, vizinhas, mesmo o padre, prefeito, o único policial da cidade e principalmente o delegado não gostava, fazia força para não atender esses comandos. São os gêmeos, confirmavam. Têm certeza. Absoluta. Tem mesmo certeza. Sim.
- O senhor vem ou não vem? Duas galinhas mortas. E o meu porco também. Não o meu marido, infelizmente, deveria pegar esse “bebum”, mas o meu porco. O macho. E eles o estriparam.
- Está bem, confirmado. E não ia, o delegado. Quem? Ele, o delegado, nem pensar! Com os gêmeos, nunca. Eu não vou e quem quiser me forçar a falar com eles, eu peço demissão. Da comarca do qual era o responsável, com cinco cidades pequenas em derredor. E quem iria assumir, pelo menos, as interpretações melhores nas brigas de casal, recolher algum deles pinguço durante o dia e forçar o seu Maneco, único funcionário da prefeitura local, de mil e quinhentas pessoas, salvo morte hoje que contamos, possa ter a solução. Não, não vou e ficava por isso mesmo.
- Mãe, nós vamos, está tudo certo. Ela aceitou a brincadeira e sorriu. Um sorriso de medo, mas disfarça bem. Afinal os alimentou até agora, no seio até um ano de idade. E não sabe, não tem certeza, se um deles não ficou faltando. São iguais. Até de ontem para hoje. De todos os tempos. E pior, muito pior, se vestem do mesmo jeito. Quem pode saber quem é quem? Eu, mãe, o pai, coitado, bebe de vez em quando para esquecer essa tortura. E o parto foi ruim também. Quando saíram, rápidos, um atrás do outro, segundos de diferença, até nisso combinaram. Vamos nascer juntos. Não me mataram, mas faltou pouco.
- Está bem filho, está bem.
- Adivinha!?
- Kelmon, Kelson ou Kelton, brincou e ele riu.
- Não acertou!
- Mas só tenho três filhos, como não acertei.
- O primeiro, não acertou mãe.
Ele se virou, ajudou a arrancar mais as penas da galinha, com os dentes, ela acha horrível. Os outros dois fizeram o mesmo. Com os dentes, um puxando de um lado e o outro do outro. Não se importam com o sangue na boca. Aliás, parece que é o que mais apreciam. O sangue. E se ele está em suas mãos, alguém sofreu algum acidente. Se não fatal, o pequeno local que a Arlete, coitada, metida a enfermeira, cuida na casa dela. Posto de Saúde, diz com orgulho. O prefeito dá uma verba de duzentos e cinqüenta reais por mês, para cuidar. E a maioria é obra, das despesas estou afirmando, com as estripulias dos gêmeos, quando pequenos, sabe seis até os dez anos, muitos curativos nos outros, sabem, preciso contar, entre os dez e os quinze anos. E agora, dos dezesseis em diante, alguns crimes na região. Tudo leva a crer brigas de terras e alguns coitados mortos com requintes de selvageria. E o delegado, bem, muito bem ele está em sua delegacia. Aliás, um cubículo para os presos, três por quatro e mais um, esse enorme, cinco por quatro para ele, sua escrivaninha, velha e acabada, antiga e um telefone. Escrever, na mão. Máquina, para que, o pessoal, a maioria pelo menos é analfabeta. Rincão escondido, terras boas para lavoura e pasto. E a vinda dessa turma, coitados, em uma época melhor de distribuição de terras pelo governo. Mentira, gente, pura mentira. Eles não deram nada. Ficaram na dívida. Quem diria e precisa disso? Nós ficamos, tivemos filhos e perdemos a terra. Tudo de latifundiário agora. Ou roubador de terras, a gente é analfabeto mesmo, nem sabemos do que se trata.
- Então está certo, pai, nós vamos. Para a capital, ouviu?
- Sim, filho, ouvi. E a sua mãe também.
Os três sorriram, largaram a galinha e os três engoliram, fazendo festa com a língua, pondo para fora e voltando com ela, mastigando a pena. E engoliram ao mesmo tempo. E se abraçaram, murmurando alguma coisa que eles não entendem. Os pais não entendem, porque os três ficam satisfeitos. Saíram.
- Pai!
- Sim, o que é bem zangado.
- O que será desses meninos, pai?
- Não importa. Vão embora e nos dão sossego. E quando saírem nós fará o mesmo. Vamos nos livrar dessa cruz em nossa vida. Essa sua barriga, acusou.
- E esse seu pinto, seu besta.
- Não sou o culpado, a mãe é que é maldita. Ela levantou a faca ameaçando.
- Não sou nada, você é que teve uma vida pior que a minha. Esse seu amargor, falou arrastada, essa sua mania de maldizer a tudo e a todos. Eu falei, vamos rezar antes. Tu não quiseste e deu no que deu. Três capetas em nossa vida. E vão nos matar qualquer hora. Se não de morta matada de morte morrida no susto, sentenciou.
- Então estou certo. Vamos embora depois deles. Voltaram, rindo, só com as cuecas molhadas, tomados banhos fora, primeiro no lago e depois na mangueira.
- Vamos comer que hora mãe. Ela olhou. Um pergunta e os outros dois esperam a resposta também.
- Mais quinze minutos filhos. Quinze minutos.
- Galinha com sangue, mãe, não esqueça.
- Já separei filhos. Já separei, olhando para o pai.
- Sem sal, tira o gosto, mãe, falou o outro.
- Já sei, vão se arrumar. Vão sair?
- Vamos. Foi só, não dão satisfação e nem lhes perguntam mais nada. E no quarto, três brutos, se batem o tempo todo. E saem de lá, de novo, arrumados do mesmo jeito. Calça jeans amarrotada, a camisa xadrez, pior ainda, as botas, compradas a duras penas e que usam para passear, o lenço no pescoço e os ferros nos pulsos e nos dedos. Anéis com pontas, perigosas, malditas, com a total e brutal mensagem de que vamos trabalhar em nosso ofício atual. Eles não sabem, mas quase que tem a certeza. Mais alguém vai morrer na região, ou simplesmente desaparecer.
Jantaram, até que se comportam na mesa. Espera a mãe servir, o pai depois e finalmente eles. Um pouco de sangue de galinha para cada um, um bom pedaço dela, coitada, era poedeira. Não escolhem a que pegam primeiro é a que vai para a panela. E arroz, milho, alface e alguns tomates. Tudo da própria horta. E as frutas também. Alimentam-se corretamente. Por isso são assim, também, fortes. Nisso fazem questão. E estão sempre, a partir de uns meses atrás, com dinheiro no bolso. Eles sabem. Não mostram, não mostram para os pais, mas eles sabem. Não entram no quarto de jeito nenhum também. Mas sabem. Pai e mãe sempre sabem.
- Até logo, mãe, apertando, um atrás do outro a ela que agradece e ao pai, com tapas em suas costas. Fazem questão de dizer quem manda na casa com essa atitude. Ele vai para frente nos três. A mesma pancada, o mesmo jeito e os mesmos calos nelas. E saem, ajustando o chapéu, pela porta miserável do casebre mais ainda.
- Não adianta chorar. Eu já avisei. Com eles só na morte, mostrando a alfanje.
- Não vai matar nossos filhos, homem. É pecado.
- E não é o que fazem? Ficaram matadores. Está matando gente, mulher. Não está vendo que as pessoas estão sumindo. É sua culpa. Ela chorou mais ainda.
- Eu sempre rezei, homem, não me maltrate mais ainda. Eu não fui a culpada.
- Eu também não. Eu também não, quase gritou, levantando-se novamente e empurrando o prato, com pouco nele. Consegue se alimentar, faz força, mas parece que o caminho pela garganta está cada dia mais fino, porque arranha quando engole, por mais que mastigue. - E pare de chorar, mulher, que merda isso tudo.
- Bata na boca e reze, homem, está falando bobagens.
- Qual delas, de matar esses três ou do que disse em seguida?
- Nas duas coisas, levantando-se, enxugando as lágrimas no avental, rústico e um pouco sujo. Aliás, no barro batido da casa, no barro batido das paredes, na miséria das poucas coisas, tudo é sujeira. Ou pó, quando o sol inclemente como hoje fez suspender as partículas de poeira. Aliás, eles nem partículas conhecem. Eu que invento essas frases para melhorar a vida deles. Eu sei de tudo, fui o culpado também.
- O que está dizendo, pai.
- Nada, estou resmungando, como eles.
- Está vendo, é você o culpado.
- Vou fazer com você o que eles fazem e pronto se ficar me aborrecendo, mulher.
- Está bem, terminando de tirar os pratos quando olhou para ele e não fez questão de pegar de volta para terminar. Jogou na pia os restos, tirou com a mão depois que lavou e lá se foi, com ela cheia jogar para as galinhas, as chamando.
Nessa hora, qualquer hora é para alimentar. E elas não fazem questão de medir esse horário também, disputa os restos no mesmo cacarejar. Ela se deitou na rede e ficou olhando para fora. A lua é bonita, o céu estrelado. Lá em cima deve ser maravilhoso, bonito, tudo frondoso e com os anjos voando. Aqui em baixo, bem, tudo ao contrário. Não viu, sentiu agora, que o marido já não estava na casa. Não se importou. Estava dormindo, faz assim. Eles costumam voltar de madrugada e fazem barulho como se ninguém morasse com eles. Hoje não vai ser diferente. Onde está o pai afinal? Dormiu depois de olhar mais alguma luz da lua. Porque a vela, bem, está pequena. E só usamos pouco mesmo. Vai estar escuro quando estiver dormindo. Para que a vela acesa? Desperdício.
*o*
- O senhor não vai sair do carro, seu Onofre.
- Não precisa, Kelton.
- Kelson.
- Não precisa, menino.
- Não somos meninos, somos homens. O que o senhor precisa?
- O Vandeir.
- O que toma conta de todos? Aquele intrometido?
- Sim.
- Quanto o senhor vai nos dar.
- Mil reais.
- Que besta que é, senhor Onofre. Por esse preço nós vamos fazer isso com o senhor por nos tratar como bestas. Ele levantou mais um pouco o vidro do quase caminhão, um quatro por quatro. Latifundiário, se considera poderoso. No meio do mato, escondido, sozinho com os três, bem, esse não é bem o modo de tratar com eles.
- Quanto quer?
- Ele é conhecido. É só morrer e mostrar ou tem que desaparecer? Um deles, não importa. Falou feio até, com requinte de que conosco não importa o jeito. Só o dinheiro.
- Pois bem, três mil reais. Um para cada. Não viu de onde surgiu, mas o alfanje, pequeno, de criança, surgiu no vidro e fez a raspagem, tirando aquele assobio, parece um, de pássaro, esticando e esticando, devagar e bem devagar.
- Cinco mil, para cada um.
- Cinco mil, estão loucos ou o que?
- Cinco mil, seu Onofre. Nós sabemos por que quer matar o homem. Nós sabemos fazer contas, fique sabendo. E a quantidade de terra que vai possuir.
- Está falando bem. De onde são vocês afinal?
- Bem, aprendemos seu Onofre. Já foi o tempo que mandava nos dar tiro de sal, não é. Nós sabemos. E quer o nosso serviço. Cinco mil para cada um.
- É muito caro!
- Vai ficar barato, seu Onofre. Por favor, estamos preparados. Não nos faça voltar sem o nosso dinheiro. Escutou um balanço e foi o que lhe pareceu. Confirmou pelo espelho retrovisor. O pneu atrás foi cortado e o automóvel, quase um caminhão, ficou um pouco de lado. Ele se apavorou.
- Está bem, está bem.
- Trouxe o dinheiro?
- Só tenho dez mil. Ele viu a mão de um deles para frente. Já esperava mais, errou no cálculo. Fez a oferta de três mil para cada um. Não deu. Estão me saindo muito caro. Vou precisar tomar providências. Abriu um pouco o vidro e lhes passou o dinheiro. Foram para frente do carro e viram o pacote, conferiram e puseram os dedões para cima. Dois, porque o outro mostrou o alfanje. E estavam rindo, satisfeitos. Um tiro foi ouvido e um deles caiu baleado. Ele ligou o carro. De onde veio o tiro, eles são espertos, para lá voou os dois alfanjes, quase de imediato. Quando o carro saiu, desviou do que estava caído, mas não morto, porque passou e viu-o tentando se levantar. O resto do dinheiro vai pegar hoje. Hoje mesmo. E quem será que está tentando matar esses três. Deve ser algum louco, isso sim. Eles são loucos e esse que fez isso é pior.
- Acertou um delegado.
- Cala a boca, homem, eu acertei um, não três. Esqueceu.
- Não, cuidado, gritou. Não deu tempo. O alfanje encontrou o peito dele. O ajudante, policial se apavorou e saiu correndo. O terceiro alfanje, quando ele olhou para trás, estava correndo atrás dele também. O chapéu branco, a camisa xadrez, a bota fazendo barulho e finalmente, sentiu forte o bater na sua omoplata. Caiu e desfaleceu. Se estivesse acordado, veria que estava sendo arrastado. Os dois, um do lado do outro, amarrado na árvore. E as lanternas que haviam trazido, bem, de frente deles e escondendo os três.
- Quem eu matei, falou bravo, tentando se desvencilhar.
- Ninguém, com os três à sua frente. E se o meu irmão morrer, já sabe.
- Sei, sei. Mas ainda acabo com vocês.
- Acho melhor, delegado, não fazer ameaça, pode sumir. E você, seu idiota. Como acha que vai ficar?
- Não podem fazer nada. Sou policial.
- É mesmo, é policial, rindo e os outros dois fizeram o mesmo, um deles amparado pelos irmãos.
- Sua vez, um deles falou.
- Está bem, Kelton.
- Não fale o meu nome, você não sabe o meu nome.
- Estão bem, Kelson e Kelmon, rindo. E foi para cima do ajudante do destrambelhado, nesse instante, delegado. E o alfanje fez o serviço completo. Mal teve tempo de chorar. Voltou, se apoiou de novo nos dois. - Estou morrendo, vocês sabem. Ele me acertou feio.
- Deixa ver. Que nada, não vai morrer não. Só vai ficar marcado. Vai ter que ficar sempre com a camisa, brincou um e o outro riu. Senão, completando, vão saber quem é você.
- E quem sou eu?
- O Kelson, o Kelton e o Kelmon, riram os três. Delegado, delegado, continuou voltando a atenção para ele. Eu acho que hoje é o seu último dia. Nós avisamos. Não se meta conosco. Escutaram um barulho nas suas costas e se jogaram no chão. Novo tiro e não os acertou. O delegado abriu os olhos. Ele, o pai chegou. Apontou novamente e atirou. Não acertou novamente. E outro tiro. Eles se levantaram.
- Pronto, pai, chega. Quer fazer o que? O delegado, coitado, foi o último a ver aquilo, aquele verdadeiro absurdo. O cano da arma ficou perto da sua testa. Ele até que rezou, eles ouviram muito bem. Mas não adiantou. Parece que a bala que entrou por dentro dele não tem lá muita vontade de obedecer a anjos. Só a demônios. E se foi.
- Então, pai, tudo bem? Esse desgraçado me acertou.
- Quem?
- Não importa o senhor não precisa ficar sabendo. E volte para casa, precisamos trabalhar. Em mais um ano ou dois, o senhor compra de volta as terras que perdeu. E o senhor Onofre vai ser o último. É o que tem mais dinheiro mesmo. Vamos acabar com todos e ficar ricos. Vai embora pai, vai preocupar a mãe.
- Está bem, estou indo.
- E porque deu três tiros?
- Para avisar vocês que eu estou vivo e acerto quando precisar. Eles riram, abraçaram o pai que lhes devolveu as tapas nas costas. O que estava ferido, bem, gemeu um pouco. O pai tirou o lenço do pescoço e fez a amarra. Nem se importou. É mesmo forte essa trinca. Separados, ele de volta para o casebre e os três para cumprir o contrato. E mais um sumiu, simplesmente, na região. Obra de ajuda, pai e filhos. Conhecem-se. E mais ainda a região. Toda ela ocupada pelos inimigos do senhor Onofre. Peões, invasores de terras e outros latifundiários. Uma verdadeira riqueza, só para acionar os seus alfanjes. Adoramos fazer.
Crie um banner deste artigo em outros sites
Para criar um banner deste artigo em outro site,
copie e cole o texto abaixo em sua página.
Visualizar :






