Depois de publicar um artigo sobre a experiência de escrita de meu primeiro romance (vide: http://www.autores.com.br/2010011129118/Literatura/Dicas-para-novos-autores/o-primeiro-romance-a-gente-nunca-esquece.html), percebi uma forte resistência relacionada ao planejamento prévio de uma obra. Parece haver um certo preconceito ao fato de se esboçar o romance antes de efetivamente começar a escrevê-lo, como se o simples ato de planejar, fosse um demonstrativo de incapacidade ou inexperiência do autor.
Tenho ouvido com alguma freqüência argumentos como: “são meus personagens que definem o caminho que seguirão”; ou, “minha história flui de forma natural”, dentre outros. Eu concordo com todas estas afirmações, e sei muito bem o que é um personagem “implorando” por uma determinada ação, mas isso não ocorre em detrimento da elaboração de um bom projeto literário.
Acredite, a construção civil, a exemplo da literatura, já viveu a fase do "estado da arte" em que não havia métodos padrões. As coisas simplesmente eram construídas à partir da experiência do mestre de obras. Contudo, ao longo dos anos, percebeu-se que havia um padrão na forma dos melhores mestres de obras trabalharem. Graças a isto, hoje a engenharia é requisito básico, para levantar qualquer construção. A literatura está sofrendo algo semelhante em nossos dias. Podemos nos aproveitar destes métodos, ou tentar inventar a roda.
Algo entre 20% e 30% do orçamento total da construção de uma casa é gasto em duas coisas que o morador, em geral, sequer sabe que existe: Projeto e Alicerce! Apesar de serem itens que você não precisará mais ver, depois que a obra estiver concluída (um fica na gaveta da prefeitura, o outro debaixo da terra), duvido que aceitaria a “pechincha” de economizar esta pequena fortuna, na construção de uma casa para você e sua família.
Considere seu livro a obra civil em construção e os leitores a sua família. O que está disposto a oferecer-lhes? Uma casa cujo acabamento demonstre inúmeras mudanças do projeto ao longo de sua execução? Ou pior, paredes que não suportem seus próprios pesos, prontas a ruírem ao primeiro solavanco de uma crítica literária?
Em meus artigos vou “pular” algumas questões bastante óbvias e já bem difundidas, como: a importância da leitura, domínio da língua, fundamentação dos personagens, bons diálogos e correlatos. Não estou preocupado se o autor é bom escritor ou não. Focarei esta série de artigos no aspecto prático e estrutural da escrita de um romance, mostrando que qualquer pessoa pode escrever um romance estruturalmente bom, desde que faça um prévio planejamento, tenha paciência e força de vontade. Escrever um romance é 10% inspiração e 90% transpiração!
Na minha experiência em escrever o romance “O Império Invisível – As Duas Torres” (de aproximadamente 100 mil palavras) notei que as técnicas que vou apresentar a seguir, e que não foram inventadas por mim, viabilizaram não apenas a estruturação e coesão da narrativa, mas até mesmo o estabelecimento de prazos e estimativa de tamanho da obra.
Não subestime a importância de se saber o prazo de conclusão e o custo de publicação de uma obra. Muita gente tem uma visão “romântica” da escrita de romances (perdoem o trocadilho), mas para quem pensa em fazer literatura de forma profissional, precisa começar a enxergá-la também pelo aspecto comercial (se dá para viver só de literatura, aí já é outra história).
Em suma, os pontos estruturais que abordaremos nessa série de artigos são:
1) Problemática
2) Argumento
3) Premissa (Conceito)
4) Síntese (Storyline)
5) Sinopse
6) Escaleta (Step-Outline)
7) O Romance!
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