
Excelente Bruno, adorei!
Já estava nos meu favoritos, só não havia comentado aqui, parabéns!
Bjos
| Cipriano e a Mulher Fantasma |
|
| Literatura - Contos - Terror |
Escrito por brunoresenderamos |
Sáb, 04 de Julho de 2009 14:40 |
![]() Uma mulher possui muito mais poderes e mistérios do que um homem pode imaginar. Sábios são os lábios do que não se detém em analisá-las. Nessa aventura não se enveredam nem os loucos nem os filósofos... Fossem fantasmas não assustariam tanto. O sonho de Olívia era um dia poder perscrutar os astros e ter ciência de como tudo começou além da estratosfera. Não por acaso sonhava projetar o seu quarto com um imenso teto de vidro para vislumbrar o céu e deixar-se levar ao sabor da noite em pura contemplação até que o sono viesse tomá-la por completo. Ela podia demonstrar certo distanciamento da realidade quando, mesmo em seus encontros amorosos, os parceiros lhe apontavam as estrelas para ensaiar um pouco de romantismo; isso porque, sem o saber, motivava a sonhadora a tirar os pés do chão e esquecer-se da presença deles. A partir daí passava a ignorar o rapaz, o que muitas vezes causava certo embaraço ao pobre galanteador. Um dia desses, sem se perceber sozinha a mirar os clarões do poente, vendo-se seduzida por tanto mistério, decidiu seguir rumo ao bairro do Baiuiquerê. Como que entorpecida pelos efeitos luminares do arrebol, adentrou a área menos frequentada da cidade. Chegando num dos lugares mais ermos do bairro, a neblina forjava a sua silhueta aos olhos dos estranhos mendigos que se abeiravam às construções abandonadas da região. Ali, esfregando as mãos para escaparem junto à fogueira do imenso frio daquela noite, um meninote contava-lhes historinhas do além. Olívia não os via. Coincidentemente, em altos gracejos, ria-se do caso da mulher fantasma, um mito na região, contado pelo esmilingüido moleque. Diziam que nunca uma mulher, mesmo do além, em sã consciência, visitaria aquele gueto conhecido como "Parque das Cabeças", porque era justamente ali o lugar em que se desovavam os corpos das vítimas do tráfico de drogas. Comumente, por ação de uma gangue local, adotaram deixar só as cabeças dos adversários dependuradas nos muros da quadra abandonada. Riam em demasia da lorota de Cipriano, o neguinho de calça curta que lhes furtava vez ou outra a atenção com os causos que lia nos gibis achados no lixão... O causo havia sido publicado num blog que freqüentara pela manhã, o "Contos das Almas". Estava numa Lan House da vila, próxima à escola. Quando começaram a caçoar do menino ex-detento da FEBEM, o vulto de Olívia cresceu aos seus olhos, com a imensa bruma e o vento envolvendo-a e os chapiscos intermitentes das luzes do poste revelando, em meia face, o olhar sorumbático daquela alma lunática, não restou ninguém... A correria, os saltos, a puladeira, o desespero, nada lhe tirou o olhar pensante. Parecia mergulhar no objeto dos seus sonhos, a escuridão celestial... Continua... Publicado em 2008 - Contos Fantásticos vol. 6 Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : ![]() |
| Última atualização em Dom, 05 de Julho de 2009 10:30 |