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Sexta, 03 Set 2010
Escrito por: Adnanda
Adnanda

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E por falar em vinho...

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Adoro vinhos. Não gosto dos suaves. Dão-me dor de cabeça. Para mim os melhores são os tintos secos, em temperatura ambiente. Sempre tenho uma garrafa em casa. Normalmente tomo sozinha, para desestressar e ter uma bela noite de sono. Tomo ao som de uma boa música, acompanhado de um macarrão temperado com azeite, alcaparra, tomate seco, champignon e alecrim - para dar aquele sabor especial. Não sou de cozinhar. Não gosto. Mas cozinho de vez em quando. Poucos experimentaram os meus macarrões. Os de sábado à tarde, com direito a mim de sobremesa, apenas um privilegiado. Ele bem que gostou, mas preferiu ficar com a comida típica. Sem vinho, sem sobremesa.

Não lavo, não passo, nem dou faxina em casa. Sempre tive quem fizesse isso por mim. Moro sozinha desde os 25. Não há nada melhor que ter o próprio espaço, organizado do seu jeito. Às vezes me sinto só, mas algumas vezes não há companhia melhor que a solidão, sempre acompanhada de uma taça de vinho.

Tenho alguns amigos espalhados por diversos Estados desse país. Hoje me encontro na Bahia. Antes estive no Rio de Janeiro. Não sei por que vim parar aqui. Não sei também por que fui parar no Rio. Nem que diabos meu pai foi fazer em Brasília.

Meu amor está no Rio. Estive com ele na semana passada. Ele não gosta de vinho seco. Só bebe os suaves, tintos e baratos - são mais docinhos. Ele gosta de mim como eu sou. Nós vamos nos casar. Ele aceitou o meu pedido. Ele sabe que eu não gosto de serviços domésticos e me aceitou mesmo assim. O outro também sabia e me trocou pela empregada.

Meu amor me admira por eu ser assim, desregrada e um pouco desastrada. Ele gosta de me ver tomando vinho, nua no sofá, enquanto vejo filmes dos anos 80. Ele gosta dos meus cabelos curtos e do meu percing na sobrancelha. Nos amamos sem exageros. Só na cama nos excedemos. Todos deveriam se exceder.

Não sabemos se teremos filhos. Já quis muito ter um dia, mas hoje acho que filhos não combinam com meu estilo de vida. Nem com o do meu amor. Ele é músico e eu burocrata. Na cama sou laissaz-faire. Deixo ele me usar da maneira que preferir. Ele também me deixa fazer o que quiser. Juntos, somos democráticos.

Nosso relacionamento é aberto, como o de Sartre e Simone de Bovoir. Gosto dele na medida certa, mas Bovoir sofria calada, por medo de perder Sartre. Eu não tenho medo de perder o meu, porque sei que nunca vou perdê-lo. Ele também sabe que não vai me perder. Somos autoconfiantes.

Não temos ciúmes, nem sentimentos de posse. Confiamos um no outro e contamos tudo um ao outro. Ele sabe que eu fico com outras pessoas. Eu também sei que ele faz o mesmo. Não me importo. Ele também não. Estou tomando minha taça de vinho agora. Ele está no Rio ensaiando uma banda. Amanhã é o grande dia e em agosto nos veremos outra vez.



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E por falar em vinho...
Qua, 01 de Julho de 2009

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Comentários (3)
  • zegertrudes  - Que tal um merlot?
    avatar
    Gostoso como escreve. Vou ler outros....Tenho um conto que tem muito haver com vinho...(Sobre o manto da embreaguez).Tin tin, e saúde. :woohoo:
  • Jomar
    avatar
    A maneira singular como a sua literatura flui é interessante. Imagino que vc seja uma aprendiz do seu próprio diário. Parabéns!
  • LucelioGarcia  - Olá
    Todos nós temos um sonho de poder ser assim, meio sem destino e sem horários. Adorei. Parabéns
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