Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará. Lucas 9:23-24.
Em pelo menos quatro ocasiões separadas, registradas nos Evangelhos, o Senhor Jesus chama a seus discípulos a negar a vida da alma, a entregá-la à morte, e todo aquele que nasceu de novo e que quer seguir ao O Senhor e ser perfeito, reconhece plenamente que isto é o que deve ser feito para obedecer a Deus. O Senhor Jesus menciona a vida da alma em todas essas chamadas, embora com ênfase diferente em cada uma. Como a vida da alma apresenta-se de várias formas, o Senhor dá ênfase a uma diferente a cada vez. Todo aquele que queira ser um seguidor do Senhor deve prestar atenção ao que Ele diz. Está instando os homens a que entreguem sua vida natural na cruz. E quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á. Mateus 10:38-39.
Ao dizer "vida" se entende ser a vida da alma. Esses versículos nos chamam a renunciar à vida da alma e entregar à cruz por amor do Senhor. O Senhor Jesus explica como os inimigos do homem serão os de sua mesma casa; como o filho, por amor do Senhor, se enfrentará contra seu pai, a filha contra sua mãe, a nora contra a sogra. Isto constitui uma cruz e a cruz denota ser crucificado. Nossa inclinação natural é querer a nossos amados e nos deleitar com eles. Somos felizes ao escutá-los e estamos ansiosos de responder a suas chamadas. Mas o Senhor Jesus chama a não nos rebelar contra Deus por causa de nossos amados. Quando o desejo de Deus e o desejo do homem estão em conflito, temos que tomar nossa cruz, por amor ao Senhor, e entregar nossos afetos anímicos à morte, embora a pessoa que amamos seja íntima para nós e embora sob circunstâncias ordinárias resistiríamos em feri-la. O Senhor Jesus nos chama desta forma a que sejamos desapegados de nosso amor natural. É por esta razão que Ele declara em Mateus 10:37: Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim.
Falando de modo estrito, não podemos amar simplesmente porque os objetos de nosso afeto são aqueles a quem amamos com amor natural. Por mais próximos e amados que sejam nossos pais, irmãos, irmãs, esposas e filhos, são postos na lista como proibidos. Este amor humano flui da vida da alma que se adere aos desejos do coração e reclama amor em troca. O Senhor sustenta que esta vida da alma deve ser entregue à morte. Embora nós agora não vejamos a ele, Ele quer que nós O amemos. Ele quer que neguemos nosso amor natural. Ele quer que nos desprendamos de nosso amor natural para outros a fim de que nós não amemos com nosso próprio amor. Naturalmente, Ele quer que amemos aos outros, mas não com nosso afeto natural anímico. Se amamos, que seja por amor ao Senhor e não por amor a eles. Nos chega uma nova relação no Senhor. Nós temos que receber do seu amor a fim de poder amar a outros. Ou seja, nosso amor deve ser governado pelo Senhor. Se Ele quiser que o façamos, devemos amar inclusive a nossos inimigos; se Ele não nos pedir que o façamos, não podemos amar nem mesmo a nossos queridos de casa. Ele não quer que nosso coração esteja apegado a nada, porque quer que O sirvamos livremente. Romanos 12:11: No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor.
Sendo esta nova relação de amor a que se impõe, a vida da alma deve ser negada. Isto é uma cruz. Ao obedecer dessa maneira a Cristo, chegando a prescindir de nosso afeto natural, o amor natural do crente sofre intensamente. Esse tipo de pena e de dor passam a ser virtualmente uma cruz para ele. As feridas do coração são profundas e são muitas as lágrimas derramadas quando se tem que abandonar ao que se ama. Isto inflige intenso sofrimento a nossas vidas. Para a alma é terrivelmente repulsivo renunciar aos próprios amados por amor ao Senhor! Mas, por meio deste mesmo ato, a alma é libertada da morte; sim, inclusive chega a desejar morrer; e assim o crente é libertado do poder da alma. Ao perder seu afeto natural na cruz, a alma cede o terreno ao Espírito Santo, para que possa derramar no coração da nova criatura o amor de Deus e capacitá-lo para amar em Deus e com o amor de Deus. Observemos que, humanamente falando, esta expressão da alma é completamente legítima, porque é totalmente natural e não é contaminada, como o pecado. Esse amor que mencionamos não é o mesmo que compartilhamos com todos os homens? O que tem que de ilegítimo em amar aos da própria família? Por isso sabemos que nosso Senhor está nos chamando a vencer aquilo a que naturalmente e até legalmente temos direito por amor a Deus. Deus quer que O amemos mais que ao nosso Isaque. É claro esta vida da alma é dada pelo Criador; entretanto, Ele deseja que nós sejamos governados por este princípio de vida. As pessoas do mundo não podem compreender por que; só o cristão que está perdendo-se gradualmente na vida de Deus pode compreender seu significado. Quem pode imaginar que Deus pedisse a Abraão que sacrificasse a Isaque, quando Deus mesmo o havia dado? Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. Gênesis 22:2.
Os que captam o coração de Deus não tentam se agarrar aos dons ministrados por Deus; mas sim desejam descansar em Deus, o Doador de todos os dons. Deus não quer que nos sintamos apegados a nada, exceto a Ele, mesmo que seja homem, coisa ou algo que Ele mesmo nos tenha dado. Muitos cristãos estão bem dispostos a abandonar a Ur dos Caldeus, mas são poucos os que conseguem ver a necessidade de sacrificar no monte Moriá o que Deus lhes deu. Esta é uma das lições penetrantes da fé e se refere a nossa união com Deus. Ele requer de seus filhos que abandonem tudo para que possam ser totalmente dEle. Seus filhos têm que desprender-se não só do que sabem que é prejudicial, mas também entregar à cruz tudo o que é humanamente legítimo como o afeto, a fim de que possamos estar inteiramente sob a autoridade do Espírito Santo. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Romanos 8:14.
A exigência de nosso Senhor é extremamente significativa, pois não é verdade que o afeto humano é tremendamente incontrolável? Se não o consignarmos à cruz e o perdermos, o afeto pode passar a ser um obstáculo formidável para a vida espiritual. Os sentimentos humanos mudam como muda o mundo. São facilmente estimulados, por isso podem dar ocasião para que o santo perca seu equilíbrio espiritual, afetando sua paz de espírito. Temos, pois, que aborrecer nossa vida da alma e recusar seus afetos, para nos vermos livres de toda rédea. A demanda do Senhor difere completamente de nosso desejo natural. Até o órgão que gera o amor, a vida da alma, deve ser aborrecido também. Este é o caminho espiritual. Se verdadeiramente levamos a cruz, não seremos controlados nem influenciados pelos afetos da alma, mas sim seremos aptos para amar no poder do Espírito Santo. Foi assim que o Senhor Jesus amou a sua família quando esteve na terra. Vamos ler em Mateus 16:24: Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.
Uma vez mais nosso Senhor está chamando seus discípulos a que tomem a cruz, apresentando sua vida da alma à morte. Enquanto em Mateus 10 a ênfase era no afeto da alma, aqui em Mateus 16, é o eu da alma que é destacado. Pelos versículos precedentes, vemos que o Senhor Jesus estava naquele momento revelando a seus discípulos o seu futuro encontro com a cruz. Movido por seu intenso amor ao Senhor, Pedro balbuciou: "Senhor, tenha compaixão de ti mesmo". Pedro pensava no homem, insistindo para que seu Mestre evitasse a dor da cruz na carne. Pedro não tinha chegado a compreender que o homem deve centrar-se nas coisas de Deus, mesmo numa questão como a morte em uma cruz. Falhou em compreender que o interesse em fazer a vontade de Deus deve suplantar qualquer interesse próprio. Sua atitude foi mais ou menos esta: "Embora ao morrer na cruz esteja obedecendo à vontade de Deus e cumprindo Seu propósito, entretanto, não é necessário pensar em si próprio? O Senhor não percebe a dor que terá que sofrer? Senhor, se compadeça de si mesmo!" Qual foi a resposta do Senhor a Pedro? Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. Mateus 16:23.
Repreendeu-o severamente e declarou que uma idéia tal como o compadecer-se de si mesmo só podia ter se originado em Satanás. Em seguida, continuou dizendo a seus discípulos: "Não sou eu só o que irá à cruz, mas sim todos vocês que querem me seguir e ser meus discípulos terão que ir a ela também". Daí que sempre que escolhemos o caminho estreito da cruz e sofremos por amor a Cristo nossa vida da alma sofrerá perda. É assim que perdemos essa vida. Só dessa maneira pode a vida espiritual de Cristo ser entronizada pura e suprema, empreendendo dentro de nós tudo o que é agradável a Deus e benéfico para os homens. Isaías 52:7. Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!
O levar a cruz é contínuo, pois somente assim o nosso Deus irá reinar no trono do nosso coração. A cruz que condenou o pecado à morte é um fato consumado: tudo o que nos resta é que a reconheçamos e a percebamos. Mas a cruz por meio da qual nos desprendemos de nossa vida da alma é diferente. O negar-se a si mesmo não é uma questão já feita e completamente terminada; temos que experimentá-lo diariamente. Isso não significa que não se chegue a perder nunca a vida da alma, ou que só será perdida lentamente. Simplesmente fala do fato de que a cruz que trata da vida da alma opera de modo diferente da que trata do pecado. E qual é a razão? É que a morte para o pecado foi realizada em nosso favor por Cristo; quando Ele morreu, nós morremos com Ele. Mas o negar a vida da alma não é uma coisa já consumada. Requer que tomemos nossa cruz diariamente por meio do poder da cruz de Cristo e decidamos diariamente negar-nos a nós mesmos até que seja eliminada. É por isso que a cruz deve ser levada diariamente. Conhecer mais da boa vontade de Deus e conhecer mais do eu proporciona à cruz mais terreno em que operar. Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 2 Coríntios 4:10.Graça e paz da parte de Cristo. Pr. maurio Maciel.
Em pelo menos quatro ocasiões separadas, registradas nos Evangelhos, o Senhor Jesus chama a seus discípulos a negar a vida da alma, a entregá-la à morte, e todo aquele que nasceu de novo e que quer seguir ao O Senhor e ser perfeito, reconhece plenamente que isto é o que deve ser feito para obedecer a Deus. O Senhor Jesus menciona a vida da alma em todas essas chamadas, embora com ênfase diferente em cada uma. Como a vida da alma apresenta-se de várias formas, o Senhor dá ênfase a uma diferente a cada vez. Todo aquele que queira ser um seguidor do Senhor deve prestar atenção ao que Ele diz. Está instando os homens a que entreguem sua vida natural na cruz. E quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á. Mateus 10:38-39.
Ao dizer "vida" se entende ser a vida da alma. Esses versículos nos chamam a renunciar à vida da alma e entregar à cruz por amor do Senhor. O Senhor Jesus explica como os inimigos do homem serão os de sua mesma casa; como o filho, por amor do Senhor, se enfrentará contra seu pai, a filha contra sua mãe, a nora contra a sogra. Isto constitui uma cruz e a cruz denota ser crucificado. Nossa inclinação natural é querer a nossos amados e nos deleitar com eles. Somos felizes ao escutá-los e estamos ansiosos de responder a suas chamadas. Mas o Senhor Jesus chama a não nos rebelar contra Deus por causa de nossos amados. Quando o desejo de Deus e o desejo do homem estão em conflito, temos que tomar nossa cruz, por amor ao Senhor, e entregar nossos afetos anímicos à morte, embora a pessoa que amamos seja íntima para nós e embora sob circunstâncias ordinárias resistiríamos em feri-la. O Senhor Jesus nos chama desta forma a que sejamos desapegados de nosso amor natural. É por esta razão que Ele declara em Mateus 10:37: Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim.
Falando de modo estrito, não podemos amar simplesmente porque os objetos de nosso afeto são aqueles a quem amamos com amor natural. Por mais próximos e amados que sejam nossos pais, irmãos, irmãs, esposas e filhos, são postos na lista como proibidos. Este amor humano flui da vida da alma que se adere aos desejos do coração e reclama amor em troca. O Senhor sustenta que esta vida da alma deve ser entregue à morte. Embora nós agora não vejamos a ele, Ele quer que nós O amemos. Ele quer que neguemos nosso amor natural. Ele quer que nos desprendamos de nosso amor natural para outros a fim de que nós não amemos com nosso próprio amor. Naturalmente, Ele quer que amemos aos outros, mas não com nosso afeto natural anímico. Se amamos, que seja por amor ao Senhor e não por amor a eles. Nos chega uma nova relação no Senhor. Nós temos que receber do seu amor a fim de poder amar a outros. Ou seja, nosso amor deve ser governado pelo Senhor. Se Ele quiser que o façamos, devemos amar inclusive a nossos inimigos; se Ele não nos pedir que o façamos, não podemos amar nem mesmo a nossos queridos de casa. Ele não quer que nosso coração esteja apegado a nada, porque quer que O sirvamos livremente. Romanos 12:11: No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor.
Sendo esta nova relação de amor a que se impõe, a vida da alma deve ser negada. Isto é uma cruz. Ao obedecer dessa maneira a Cristo, chegando a prescindir de nosso afeto natural, o amor natural do crente sofre intensamente. Esse tipo de pena e de dor passam a ser virtualmente uma cruz para ele. As feridas do coração são profundas e são muitas as lágrimas derramadas quando se tem que abandonar ao que se ama. Isto inflige intenso sofrimento a nossas vidas. Para a alma é terrivelmente repulsivo renunciar aos próprios amados por amor ao Senhor! Mas, por meio deste mesmo ato, a alma é libertada da morte; sim, inclusive chega a desejar morrer; e assim o crente é libertado do poder da alma. Ao perder seu afeto natural na cruz, a alma cede o terreno ao Espírito Santo, para que possa derramar no coração da nova criatura o amor de Deus e capacitá-lo para amar em Deus e com o amor de Deus. Observemos que, humanamente falando, esta expressão da alma é completamente legítima, porque é totalmente natural e não é contaminada, como o pecado. Esse amor que mencionamos não é o mesmo que compartilhamos com todos os homens? O que tem que de ilegítimo em amar aos da própria família? Por isso sabemos que nosso Senhor está nos chamando a vencer aquilo a que naturalmente e até legalmente temos direito por amor a Deus. Deus quer que O amemos mais que ao nosso Isaque. É claro esta vida da alma é dada pelo Criador; entretanto, Ele deseja que nós sejamos governados por este princípio de vida. As pessoas do mundo não podem compreender por que; só o cristão que está perdendo-se gradualmente na vida de Deus pode compreender seu significado. Quem pode imaginar que Deus pedisse a Abraão que sacrificasse a Isaque, quando Deus mesmo o havia dado? Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. Gênesis 22:2.
Os que captam o coração de Deus não tentam se agarrar aos dons ministrados por Deus; mas sim desejam descansar em Deus, o Doador de todos os dons. Deus não quer que nos sintamos apegados a nada, exceto a Ele, mesmo que seja homem, coisa ou algo que Ele mesmo nos tenha dado. Muitos cristãos estão bem dispostos a abandonar a Ur dos Caldeus, mas são poucos os que conseguem ver a necessidade de sacrificar no monte Moriá o que Deus lhes deu. Esta é uma das lições penetrantes da fé e se refere a nossa união com Deus. Ele requer de seus filhos que abandonem tudo para que possam ser totalmente dEle. Seus filhos têm que desprender-se não só do que sabem que é prejudicial, mas também entregar à cruz tudo o que é humanamente legítimo como o afeto, a fim de que possamos estar inteiramente sob a autoridade do Espírito Santo. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Romanos 8:14.
A exigência de nosso Senhor é extremamente significativa, pois não é verdade que o afeto humano é tremendamente incontrolável? Se não o consignarmos à cruz e o perdermos, o afeto pode passar a ser um obstáculo formidável para a vida espiritual. Os sentimentos humanos mudam como muda o mundo. São facilmente estimulados, por isso podem dar ocasião para que o santo perca seu equilíbrio espiritual, afetando sua paz de espírito. Temos, pois, que aborrecer nossa vida da alma e recusar seus afetos, para nos vermos livres de toda rédea. A demanda do Senhor difere completamente de nosso desejo natural. Até o órgão que gera o amor, a vida da alma, deve ser aborrecido também. Este é o caminho espiritual. Se verdadeiramente levamos a cruz, não seremos controlados nem influenciados pelos afetos da alma, mas sim seremos aptos para amar no poder do Espírito Santo. Foi assim que o Senhor Jesus amou a sua família quando esteve na terra. Vamos ler em Mateus 16:24: Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.
Uma vez mais nosso Senhor está chamando seus discípulos a que tomem a cruz, apresentando sua vida da alma à morte. Enquanto em Mateus 10 a ênfase era no afeto da alma, aqui em Mateus 16, é o eu da alma que é destacado. Pelos versículos precedentes, vemos que o Senhor Jesus estava naquele momento revelando a seus discípulos o seu futuro encontro com a cruz. Movido por seu intenso amor ao Senhor, Pedro balbuciou: "Senhor, tenha compaixão de ti mesmo". Pedro pensava no homem, insistindo para que seu Mestre evitasse a dor da cruz na carne. Pedro não tinha chegado a compreender que o homem deve centrar-se nas coisas de Deus, mesmo numa questão como a morte em uma cruz. Falhou em compreender que o interesse em fazer a vontade de Deus deve suplantar qualquer interesse próprio. Sua atitude foi mais ou menos esta: "Embora ao morrer na cruz esteja obedecendo à vontade de Deus e cumprindo Seu propósito, entretanto, não é necessário pensar em si próprio? O Senhor não percebe a dor que terá que sofrer? Senhor, se compadeça de si mesmo!" Qual foi a resposta do Senhor a Pedro? Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. Mateus 16:23.
Repreendeu-o severamente e declarou que uma idéia tal como o compadecer-se de si mesmo só podia ter se originado em Satanás. Em seguida, continuou dizendo a seus discípulos: "Não sou eu só o que irá à cruz, mas sim todos vocês que querem me seguir e ser meus discípulos terão que ir a ela também". Daí que sempre que escolhemos o caminho estreito da cruz e sofremos por amor a Cristo nossa vida da alma sofrerá perda. É assim que perdemos essa vida. Só dessa maneira pode a vida espiritual de Cristo ser entronizada pura e suprema, empreendendo dentro de nós tudo o que é agradável a Deus e benéfico para os homens. Isaías 52:7. Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!
O levar a cruz é contínuo, pois somente assim o nosso Deus irá reinar no trono do nosso coração. A cruz que condenou o pecado à morte é um fato consumado: tudo o que nos resta é que a reconheçamos e a percebamos. Mas a cruz por meio da qual nos desprendemos de nossa vida da alma é diferente. O negar-se a si mesmo não é uma questão já feita e completamente terminada; temos que experimentá-lo diariamente. Isso não significa que não se chegue a perder nunca a vida da alma, ou que só será perdida lentamente. Simplesmente fala do fato de que a cruz que trata da vida da alma opera de modo diferente da que trata do pecado. E qual é a razão? É que a morte para o pecado foi realizada em nosso favor por Cristo; quando Ele morreu, nós morremos com Ele. Mas o negar a vida da alma não é uma coisa já consumada. Requer que tomemos nossa cruz diariamente por meio do poder da cruz de Cristo e decidamos diariamente negar-nos a nós mesmos até que seja eliminada. É por isso que a cruz deve ser levada diariamente. Conhecer mais da boa vontade de Deus e conhecer mais do eu proporciona à cruz mais terreno em que operar. Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 2 Coríntios 4:10.Graça e paz da parte de Cristo. Pr. maurio Maciel.
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