Na solidão da sala,
No silêncio dos porões,
Nos serões dos quartos em penumbra.
Quanto ouro guardado
Na quietude dos jardins,
Na imobilidade das pedras,
Nos bancos de cimento abandonados.
Quanto ouro guardado
Nas vias da cidade adormecida,
Nos museus invisitados,
Nos livros deixados sob o pó das estantes.
Quanto ouro guardado
Nas vicissitudes do coração,
Na embriaguez da alma chorosa,
Nos balcões amanhecidos de saudade.
Quanto ouro guardado,
Para deleite dos cupins sazonados,
No púlpito de angico
Lavrado a canivete e gritos...
E imolações!
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