(ainda haviam inocentes praças!).
As mãos em fogo transpirando.
O sorvete gelado.
Esquecidas as palavras.
Espinhas latejando na face esquerda
(: puberdade se pronunciando!).
o vão das pernas fumegando.
O primeiro beijo.
Os lábios ressequidos.
O gesto sem jeito.
Ploft! Ploft!
Duas bolas de sorvete ao chão.
O branco e o vermelho entrelaçados.
O vermelho e o branco
Misturados sobre os ladrilhos do passeio.
Mãos vazias e virgens que não se tocaram.
Mãos sem um apoio que se perderam
Sob a morbidez do nada a saber fazer.
Mãos vazias e virgens que não se doaram.
Mãos vazias e virgens que fugiram
Ante a liberdade tão próxima...
Os sorvetes!
Testemunhas frias e mudas e difusas
em cor-de-rosa
Esculpiram na lápide impassível da calçada
O epitáfio da natimorta verde paixão.
As entradas do cinema, amarelas e rotas,
Convertidas em fotografias amarelecidas,
Vertendo-me ao fundo do baú
E aos flashes das relembranças.
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