Rostos em brasa correndo pelas ruas de BH,
Lavrando ouro nas cozinhas dos fast-foods,
Construindo os palácios dos coroas tecnocratas.
Raça pura, raça viva em mim de pele branca
E de cara-pálida, de tanto espanto da pura
Hipocrisia,
Sedimentada em discursos solenes de não-discriminação.
São eles, batuqueiros e dançarinos, barulhos de
alegria no centro cinza da metrópole branca,
da cidade rica, limpa e higienizada; atrapalhando
o trânsito com o trança-trança de suas motos vermelhas.
Sim, são os senhores dos Srs., são os neo-alforriados,
Foram realmados com almas negras, belas, vislumbrantes;
Passageiros dos coletivos agonizantes,
das naus negreiras motorizadas, marinheiros do asfalto.
E quem não viu Isabel, há de vê-la agora, morena e faceira,
Jogando com os seus e com os nossos,
com todos, somos nós um só, um povo de paz, de príncipes e princesas sentados à mesa do bar da esquina.
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