Dizem que sou os seus desejos agigantados
Que não mais se couberam nas carnes
E que se explodiram invisivelmente
Para fora do corpo,
Um ser terrivelmente morto,
Decomposto por tudo aquilo que amava,
Recomposto pela resistência de tudo aquilo que
Refutava,
Um ser disposto a ser entregue à turba de
Gente,
Uma coisa sem gosto que navega sem esbarrar na
Multidão,
Perdidamente apaixonado pela carne viva sem a
Sua,
Um olhar que não se fixa,
Um eterno lembrar relembrar,
Dois braços e duas pernas acorrentados na
Invisibilidade,
Um grito guardado para o depois de amanhã,
A verde cor que ninguém percebe passar,
A sinfonia calada meio ao caos urbano,
Um trotar de passos do animal humano
Sem barulho,
O espelho meticulosamente preso ao céu,
Desatado dos firmes apertos de mão, só porque
Amou.
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