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Sábado, 04 Set 2010
Escrito por: juliocarrara
juliocarrara

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ORGASMO DOS DEUSES E OUTRAS POESIAS

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1. ORGASMO DOS DEUSES

Na penumbra, deitado ao seu lado, me debrucei
sobre ti para lhe desejar boa noite.
Estremeci quando senti o perfume
que exalava de seus lábios rosados

Não resisti a tentação e colei meus lábios aos seus
mesmo sabendo que poderia não ser correspondido
Fiquei embriagado com aqueles lábios macios
e através deles me entreguei aos seus encantos

Para minha surpresa, você me aceitou
Nossas bocas sedentas nos desvendavam
em silêncio, sem pronunciarmos uma palavra
exceto pela nossa respiração ofegante
e pelo bater descompassado dos nossos corações
Minhas mãos percorriam aquele corpo quente
e com a ponta dos dedos tateava sua pele alva

Coloquei a mão sobre o seu sexo
Meus dedos ficaram úmidos
Levei-os até a boca para sentir o gosto
e depois até as narinas que traduziam
o aroma dos seus desejos

Nossas mãos se movimentavam freneticamente
Os gemidos aumentavam gradativamente
Até explodirmos num orgasmo dos deuses

Existem coisas que não conseguimos falar
Palavras, muitas vezes, não são suficientes
Para expressar tudo o que realmente sentimos
Não se trata apenas de uma noite de prazer
É mais, muito, muito, muito mais...

Quero me enroscar novamente no teu corpo
Mergulhar nos seus lábios e me perder
Entre um milhão de beijos.


2. ASSASSINEI A AURORA

Assassinei a aurora quando ela surgiu no céu.
Despertou em mim uma ânsia doentia
de aniquilar os projetos sujos
da sabedoria suburbana

São progressos regressivos a todos
Quase julgam cientistas e visionários
Nesta sujeira pairada sobre o árido fracasso
submergimos o fim em nossas frentes

Somos a maioria e nada podemos fazer
Fugi dos bosques frutíferos e das árvores alucinadas
A evolução chegou tão feroz
que eu nem percebi

O progresso é o futuro
O progresso é a fome
O progresso é a morte


3. ATROZ

Lobos ruivantes no êxtase da imaculada noite
nas espreitas observam a lua de diamante
No cume da montanha há um palácio exilado
com altares de ouro e desgraus de safiras

Requintados são seus aposentos
A fachada coberta de terra e limo
Uma rústica arquitetura medieval

A rainha pratica joguinhos obscenos
com as crianças insanas
presas em calabouços sinistros

O campo é celestial
e há um labirinto que me conduz até você
O que fazer no submisso solo vegetal?

Me estirar em folhas secas se neste
arido amor ártico
Me perdi na simetria do amanhecer



4. MÁSCARAS

Foi do alto que eu vi a Terra em preto e branco
Com chagas funestas e doenças venéreas
E este novo mundo vil
Se esconde na noite eterna

Não voltarei a entrar nesta mórbida decadência
Com estes seres que se julgam inteligentes com tua intelectualidade
Nos transformando em animais
De tuas próprias ganâncias
Postado por Julio Carrara às 20:05 0 comentários


5. TEU FÉRETRO

Tu partiu para nunca mais voltar
Não se despediu, apenas me abandonou
Foi conversar com os arcanjos
Estou aguardando o nosso encontro
Pobre encontro fúnebre.
Dei-lhe flores e um leito
Me pus a chorar na tua frente
pela primeira e última vez
Não sentirei mais o teu calor
Não verei mais os teus olhos
Vou me embriagar até vomitar
E depois dormir e te encontrar em meus sonhos
Para depois
Agonizar em uma profunda agonia
Tentar contornar minha minha tristeza
E esperar a morte



6. MUNDO ESTRANHO

Nas ruas por onde passamos
Ficou integralmente a nossa história
Um tempo único
Para te amar

É um vício de contigo estar
Nas vésperas da solidão
Procuramos amores falsos
Um olhar excedente
As janelas trancadas
E as angústias abertas

Tua incompreensão foi excêntrica
É difícil saber quem nos ama
Milhares de vezes passei em vão

É nascer e morrer
É romper barreiras
de um mundo estranho
É submergir esperanças famintas
e ser manipulados como fantoches
E assim esperamos sobras de amor



7. LOBO GUERREIRO

Prepara-se o combatente
Lobo da noite
Com tua legião de guerreiros
As estrelas escurecem
por entre as nuvens
E a lua a luzir o teu caminho
No selvagem bosque dos mortos
Estrelas errantes
Cavalos galopantes
Com voracidade
Esconde tua sina
Repleta de fascinação
Com amores escondidos
No peito
Ou amores escondidos
No coração


8. JARDIM DE PEDRA


Subi em uma hora inusitada
Caminhos estreitos e tortuosos
A solidão era fatal

As sombras como trevas me assustavam
Na vasta jornada encontrei jardins abertos ao céu
Com rosas vermelhas mortas
e espinheiros vivos

Com garras afiadas me feriram com dor
Roubei o amor
e conheci os teus desejos

A carcaça se perdeu no pó
Está a carne deitada à aurora
Se foi agora para um dia regressar com teus sonhos ancestrais
que morrem e nascem a todo momento


9. SONO OU SONHO?

Na alta hora
A madrugada bela
Esperamos o sono
E junto o sonho

Estimulamos-o segui-los
Os signos invadem o destino
Fui conquistado e não conquistei

O tempo está passando e não podemos resistir
Os inimigos são mais fortes
E tua imagem insensata
É um abismo para o meu amor

O espelho reflete o medo turbulento de amanhã
Por trás pode estar a morte
Ou a ânsia de viver


10. ALEGRIA

Contigo está tudo bem
Um banho de bálsamo
Um sorriso aliviado
Sonhos curtos
Que se encontram no amanhecer

As épocas foram boas
O passado de alegrias passageiras
Foi breve o tempo
Mas eterno para se guardar

Guardei bem tua simetria
Amar agora é sofrer
É mais que me condenar
nesta paixão

Estar só, sobretudo feliz
Tua felicidade é lúcida
e minha insensibilidade deve-se
ao tempo de tua desesperança


11. AMOR

Tudo o que restou
foi uma história
para ser contada
com satisfação

O amor está
solto nas emoções.
Sentirei o mundo
e os sonhos


12. DESTINO

O que é o Destino?
Uma guerra com a vida.
Se encontram e separam.
Queremos ser eternos
e eterna é a solidão


13. DEGUSTAREI MEU TRANSE

Desperdício de vida é viver sem ti
Adormeço na crise da minha angústia
Meu corpo sem teus desejos
Não sinto os seus prazeres

A vastidão é ampla e as noites são insignificantes
Tua ausência me deixa despovoado
Minha cama se torna inútil
E todos se tornam metáforas

O destino é prudente
e tem forças equívocas
Meu amor nasceu antecipado
e criou raízes

Sigo minha vida com todo o vigor
Eu acredito no futuro
e me contento com todos os sentidos
que ele me condiz


14. TEMPO DE NÃO ESQUECER

Quando vou esquecer
que você me esqueceu?
Por favor, guarde as lembranças
em um canto de teus sonhos

Não ouvirei mais o teu nome
nem os teus ecos
Não sentirei a brisa suave
e o sopro delirante do tempo em que ficamos

Não haverá mais palavras
e nem me verá só
Tentarei estar inteiro
e ver as cidades com a multidão

Falar do amor na ausência do amor
Falar do pânico e do fim
E depois contar histórias felizes
com desfechos tristes.


15. ETERNIDADE

Deita-se o dia
Levanta-se a noite
A alma ausente da carne
honrando tua transgressão

Longe do medo e da dor
O tempo integral
E a hora impura por detrás
a eternidade se encontra


16. INOCÊNCIA

Debater com a fome
e com as sombras que rondam o vazio
Pensamentos ermos estendem-se

Mãos impuras
Ruas estreitas e solitárias
As casas escuras e trancadas

A falta de pão e de companhia
E da carne para a minha orgia
Vagando na memória perdidas lembranças

Das vaginas úmidas e entreabertas
que se perdem
na pureza da mulher


17. ESTÁTICO

Imóvel
Circula o tempo
em torno da vida
E a mente em torno do tempo

A espera ansiosa
de um dia ilustre
A espera medíocre do amor
Música suave para a solidão

Não me castigo por não lutar
com armas fortes
e um coração fraco

Tudo se transformou entre nós
O amor em ódio
As alegrias em tristezas
As fronteiras em caminhos desconhecidos

O fim para um novo começo
Aqui regeneramos o caos
e não se encontra a dádiva
E aí está a morte



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ORGASMO DOS DEUSES E OUTRAS POESIAS
Sex, 21 de Março de 2008

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