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Sábado, 04 Set 2010
Escrito por: juliocarrara
juliocarrara

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ADEGA DOS ANJOS

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PERSONAGENS:

MADELEINE

FRANÇOIS

VALENTINE

PADRE GASTON

PADRE JEAN-PIERRE

BISPO

CHARLES

JOVEM

LOCAL: França.

ÉPOCA: Século 18.

CENÁRIO: O cenário é composto por diversos ambientes. Cada ambiente pode ser apenas sugerido por poucos elementos que entram e saem conforme as necessidades das cenas. Um altar ao fundo do palco num plano elevado é o único elemento fixo da cenografia.

PRÓLOGO

(BLACK-OUT. ENTRA EM CENA MADELEINE COM UMA LANTERNA. ELA DIRIGE O FOCO DE LUZ DO OBJETO PARA DIVERSOS LUGARES E FIXA A LUZ PARA UM ALTAR. AJOELHA-SE DIANTE DELE. FOCO SOBRE ELA SOBE EM RESISTÊNCIA. ELA TEM UM VÉU QUE COBRE O SEU ROSTO)

MADELEINE - Formosa Virgem Maria, que meteu uma noite com o Espírito Santo ao lado de São José, o cornudo adormecido, de onde veio o doce Jesus, esse fodedor de Madalena, a puta pública. Santa Maria, virgem como eu, agradeço por essas deliciosas fodas. E vós, Madalena, obtém para mim a graça de foder tanto quanto vós, na coninha ou no ânus, quinze ou vinte vezes por dia sem me cansar e sempre gozando... Doce Jesus, modelo dos alcoviteiros, fodedor obstinado, complacente da ardente e exemplar puta Madalena que era tão apaixonada por vosso pênis e por vossos culhões sagrados, conservai minha coninha sempre estreita e acetinada, meus seios sempre firmes, minha pele, meu ânus, meus braços, minha boca aveludada, o pênis do meu pai sempre duro, seus culhões sempre cheios e minha coninha sempre quente e úmida. Amém.

(FAZ O SINAL DA CRUZ E SAI. BLACK-OUT)
CENA 1

(LUZ SOBE EM RESISTÊNCIA REVELANDO OS APOSENTOS DE VALENTINE. EM CENA, ESTÁ MADELEINE E VALENTINE, UMA NOVIÇA, COM UM LIVRO NAS MÃOS)

VALENTINE - Tu verás qual é a força dos meus exercícios espirituais e por quais graus de penitência o bom padre me leva a me tornar uma santa. E não duvidarás dos êxtases que são uma conseqüência dos mesmos exercícios. Que meu exemplo, cara Madeleine, possa operar em vós a força de desligar inteiramente o vosso espírito da matéria para colocá-lo unicamente em Deus. O santo homem vai chegar e Deus com ele. Escondei-vos neste gabinete, de onde poderá ouvir e ver até onde a bondade divina consente em se estender a favor de sua vil criatura pelos piedosos cuidados de nosso padre.

(OUVE-SE BATIDAS NA PORTA. MADELEINE ESCONDE-SE NO GABINETE. LOGO EM SEGUIDA O PADRE GASTON ENTRA)

PADRE GASTON - Bom dia, minha cara irmã em Deus! Que o Espírito Santo e São Francisco estejam convosco. (VALENTINE VAI CAIR EM SEUS PÉS, MAS ELE A ERGUE E A FEZ SENTAR-SE JUNTO DELE) É necessário que eu vos repita os princípios básicos pelos quais deveis vos guiar em todas as ações de vossa vida. Já vos disse, cara irmã, que eu vos distingui de todas as minhas penitentes, vossas companheiras e foi por esta razão que eu não temi vos revelar os seus mistérios mais ocultos. Eu vos disse, irmã, esquecei-vos e abandonai-vos. Esquecendo o corpo é que se chega à união com Deus: a se tornar santa e a operar milagres. Não posso vos dissimular, que em nosso último exercício eu percebi que o vosso espírito ainda está ligado a carne... Muito bem, podemos começar. Cumpri bem os vossos deveres e estais certa de que com a ajuda do cordão de São Francisco e de vossa meditação, este piedoso exercício acabará numa torrente de delícias. Ajoelhai-vos e descobri essas partes da carne que são o motivo da cólera de Deus. A mortificação que elas sentirão unirá intimamente o vosso espírito à Ele. Eu vos repito: esquecei-vos e abandonai-vos.

 

(VALENTINE AJOELHA-SE. EM SEGUIDA LEVANTA AS SAIAS E A COMBINAÇÃO MOSTRANDO SUAS NÁDEGAS BRANCAS)

PADRE GASTON - Levantai mais alto a vossa combinação. (ELA OBEDECE) Assim. Agora juntai as mãos e elevai o vosso espírito com a idéia da eterna felicidade que lhe é prometida... Sua alma já entrou em contemplação, doce irmã?

VALENTINE - Sim, Padre Gaston. Sinto que o meu espírito se desliga da carne e vos suplico que comece a santa obra.

PADRE GASTON - Estou contente convosco. Está na hora de começardes a gozar do fruto de vossos santos trabalhos. Não me escutai, mas deixai-vos conduzir. Com o cordão de São Francisco, vou expulsar tudo o que resta de impuro em vós.

(MADELEINE OBSERVA A CENA. EM SEGUIDA O PADRE GASTON DESABOTOA SUAS CALÇAS E TIRA O SEU PÊNIS, APROXIMANDO-O DAS NÁDEGAS DE VALENTINE. PROFERINDO PALAVRAS NUM TOM DE EXORCISMO, INICIA A PENETRAÇÃO)

PADRE GASTON - (DEPOIS DE ALGUNS MINUTOS) Vosso espírito está contente, santinha? Quanto a mim, vejo os céus abertos, eu...

VALENTINE - Ah, padre, sim... Gozo da felicidade celeste. Sinto que o meu espírito está completamente desligado da matéria. Expulsai, padre Gaston, tudo o que resta de impuro em mim... Estou vendo os anjos... Estou sentindo o cordão... não aguento mais... estou quase morrendo. (GOZA)

(PADRE GASTON CONTINUA PENETRANDO, ARFA, GAGUEJA E DIZ ALGUNS VERSÍCULOS DURANTE O COITO ATÉ O MOMENTO EM QUE EJACULA. TIRA O PÊNIS DE DENTRO DE VALENTINE, LIMPA O ESPERMA, DEIXA CAIR A BATINA E COM PASSOS TRÔPEGOS DIRIGE-SE PARA O ALTAR)

PADRE GASTON - Levante-se e cubra-se, minha santinha. E venha agradecer ao Senhor pelos favores que d'Ele acabou de receber.

(VALENTINE CUMPRE AS ORDENS E AGRADECE JUNTO AO PADRE, QUE APÓS ALGUNS SEGUNDOS, SAI. VALENTINE ABRE A PORTA DO GABINETE POR ONDE SAI MADELEINE)

VALENTINE - Ah, Madeleine. Que felicidade! Eu vi o paraíso aberto. Quantos prazeres em troca de um momento de dor. Pela virtude do santo cordão, minha alma estava quase desligada do meu corpo. Eu te asseguro que o senti penetrar até o meu coração. Não duvide, eu passaria para sempre para a morada dos bem-aventurados.

(MADELEINE NÃO DIZ UMA PALAVRA. ESTÁ BASTANTE PERTURBADA. BEIJA VALENTINE E SAI, ENQUANTO A ÚLTIMA AJOELHA-SE NOVAMENTE NO GENUFLEXÓRIO E DIRIGE O OLHAR PARA O LIVRO)

CENA 2

(FOCO EM FRANÇOIS QUE ESTÁ SENTADO NUMA POLTRONA BERGÈRE)

FRANÇOIS - Minha filha que hoje encontra-se num convento e que só vejo aos domingos, provocava desejo em mim desde os 10 anos. Quando sua mãe, ainda não sifilítica, deitava e fodia com seu amante, enviava Madeleine para a minha cama. A criança tinha uma coninha lindíssima. Adotei como regra beijá-la todas as noites, após abrir suas coxas assim que ela adormecia. Introduzia minha língua com leveza, mas sem lamber. Ela deitada de lado, suas nádegas sobre minhas coxas e o meu caralho duro entre as suas. Ela, sentindo-se incomodada, segurava o meu pau, adormecida, e me fazia gozar. Mas ninguém foi mais casto do que ela. Assim, aproveitava o seu sono para descobri-la, admirar sua deliciosa coninha que um bonito pêlo começava a sombrear. Eu não via a hora de fodê-la, torná-la minha amante e ser o mais feliz dos homens. Não existe no mundo prazer comparável ao de mergulhar o pau duro de tesão até o fundo da coninha aveludada de uma filha querida, que mexendo a bunda com coragem, goza divinamente. Ah, minha Madeleine, que falta eu sinto da sua coninha...

(FOCO CAI EM RESISTÊNCIA)

CENA 3

(MADELEINE, AGACHADA NUM CANTO, SE MASTURBA)

MADELEINE - Aos 10 ou 11 anos sentia uma inquietação; desejos cujo objetivo não conhecia. Em geral, nos reuníamos, meninos e meninas de minha idade, num sótão ou em algum quarto afastado. Ali fazíamos pequenos jogos: um de nós era eleito o professor. A menor falta era punida com chicote. Os meninos tiravam as suas calças, as meninas arregaçavam as saias e combinações, olhávamos atentamente um para o outro. O pênis dos meninos servia de brinquedo. Nós o pegávamos com a mão inteira, com ele fazíamos bonecas, beijávamos este pequeno instrumento cujo uso e preço estávamos muito longe de conhecer. Por sua vez nossas bundinhas eram beijadas. Somente o centro do prazer era negligenciado. Por que esse esquecimento?

(MADELEINE ESTÁ QUASE GOZANDO E É SURPREENDIDA PELO BISPO)

BISPO - Jamais leve a mão a esta parte pela qual mijais, que não é outra coisa, senão a maçã que seduziu Adão e que realizou a condenação do gênero humano pelo pecado original. Ela é habitada pelo demônio, é a sua morada, o seu trono. Logo a natureza cobrirá essa parte com um pêlo feio, como o que serve de morada para os animais ferozes para, com essa punição, marcar que a vergonha, a escuridão e o esquecimento devem ser o seu destino. Tomai cuidado, ainda com mais precaução, com esse pedaço de carne dos meninos de sua idade: é a serpente que tentou Eva. Que vossos olhares e vossos toques jamais sejam maculados por esta besta feia. Ela vos picaria e vos devoraria de modo infalível, mais cedo ou mais tarde.

MADELEINE - O quê? Seria mesmo possível que aquilo fosse uma serpente e tão perigosa quanto dizeis? Ela me pareceu tão doce. Eu lhe asseguro que ela tinha somente uma boquinha e nenhum dente...

BISPO - Acreditai no que vos digo. As serpentes que tivestes a temeridade de tocar ainda eram muito jovens, muito pequenas para realizar o mal de que são capazes. Mas elas se esticarão, engordarão e se lançarão contra vós: é aí que deveis temer o efeito do veneno que têm o costume de lançar com uma espécie de furor e que envenenaria o vosso corpo e a vossa alma... Você deve combater suas paixões com armas do jejum, da prece e do cilício. Agora pode ir, Madeleine.

(MADELEINE SAI)
CENA 4

(FOCO SOBRE FRANÇOIS SENTADO NA POLTRONA BERGÈRE)

FRANÇOIS - Eu tinha 14 anos. Meu corpo estava um pouco mais formado e há mais de dois anos eu queria meter com a minha irmã. Como não consegui comer minha irmã, porque ela era estreita demais, marquei um encontro noturno com minha cunhada, a mulher do meu irmão. O encontro estava marcado para aquela mesma noite. Estávamos em nossa fazenda e o meu irmão, viajou a negócios. Na mesma noite, meu pai sentiu-se mal. Depois de tê-lo socorrido e temendo incomodá-lo, minha mãe foi deitar-se ao lado da nora. Esta, vendo-a adormecida, levantou-se devagarzinho para vir se deitar comigo, enquanto eu, preparei-me para ir até ela. Não nos encontramos. Coloquei-me ao lado da mulher que encontrei na cama. Ela estava de costas. Montei na adormecida e meti. Fiquei surpreso ao ver que o meu pau entrou fácil. Ela me apertou, deu umas traseiradas sonolentas e disse: "Nunca me destes tanto prazer!". E gozei feito louco. Quando cheguei até a minha cama, vi minha cunhada me esperando. Aí eu compreendi que a mulher que eu havia comido e gozado dentro, a mulher que tinha tirado a minha virgindade, a mulher que eu havia engravidado e que me deu uma filha de nome Madeleine... era a minha própria mãe.

CENA 5

(MADELEINE E PADRE JEAN-PIERRE SENTADOS EM UM BANCO)

PADRE JEAN-PIERRE - O que me contastes, Madeleine, tem maiores conseqüências do que pensais. Não posso vos esconder que há coisas horrorosas no que vistes no quarto de Valentine. O Padre Gaston é um homem astuto, um infeliz que se deixa levar pela força de suas paixões. Ele caminha para a perdição e acarretará a de Valentine. Contudo, devemos lastimá-los mais do que censurá-los. Nem sempre somos mestres em resistir à tentação, em geral a felicidade e a desgraça de nossa vida são decididas pelas ocasiões. Portanto, ficai atenta para evitá-las. Deixai o Padre Gaston e todas as suas penitentes, sem falar mal de nenhum deles. A caridade assim o quer. Esse padre enganou Valentine, correu o risco de torná-la mãe, substituindo o cordão de São Francisco pelo membro natural do homem, que serve para a procriação. Com isso ele pecou contra a lei natural que nos prescreve amar o nosso próximo como a nós mesmos. Será amar o próximo, como ele fez, colocar Valentine na possibilidade de ter a reputação perdida e de ficar desonrada o resto da vida? Estou de acordo que esse homem deva ser punido. A punição de um homem que perturba a ordem estabelecida, deixa impressões na alma. Ficai sempre atenta e nunca perdeis de vista as lições que estou vos dando. Lembrai-vos que tudo o que se diz num tribunal da penitência deve ser tão sagrado para o penitente quanto para seu confessor e que revelar a menor circunstância disso a alguém é um pecado enorme.

MADELEINE - Sim, Padre.

PADRE JEAN-PIERRE - Agora pode ir.

(MADELEINE SAI. POUCO DEPOIS, ENTRA VALENTINE, CABISBAIXA)

VALENTINE - Mandaste me chamar, Padre?

PADRE JEAN-PIERRE - Sim, Valentine. Sente-se, por favor. Sinto-me na obrigação de alertá-la em relação as atitudes do Padre Gaston para convosco... É notável em vós a sua paixão dominante. Essa paixão, unida a uma natureza terna, a fez escolher o partido da devoção como o mais apropriado ao seu projeto. Tu amaste a Deus como se ama um amante. Suas maneiras modestas há muito haviam lhe dado a reputação de ser muito virtuosa e para vós tudo o que favorecia essa paixão tornava-se uma verdade incontestável. Assim são os fracos humanos: a paixão dominante, pela qual cada um é afetado, sempre absorve todas as outras. Eles somente agem em conseqüência desta paixão, ela os impede de perceber as noções mais claras, que deveriam servir para destruí-la.

VALENTINE - Destruir-me? Como?

PADRE JEAN-PIERRE - A semelhança dos seus objetivos e dos do Padre Gaston bastavam para uni-los. Certamente vós, Valentine, estava de boa-fé, mas Gaston sabia ao que se ater: a amável figura de sua nova penitente o seduziu e ele percebeu que, por sua vez, seduziria e enganaria um coração flexível. Logo ele fez o seu plano. Gaston tem muito talento para o púlpito. Os seus discursos são cheios de doçura, de unção. Possuía a arte de persuadir. Ele o empregava essa persuasão para adquirir a reputação de convertedor. E de fato, um número considerável de mulheres e de moças do mundo abraçaram o partido da penitência sob a sua direção.

VALENTINE - Ele me assegurou que eu me transformaria numa santa. O cordão de São Francisco iria purificar-me de todas as minhas impurezas.

PADRE JEAN-PIERRE - (DIRIGE-SE ATÉ O GABINETE E DE UMA GAVETA RETIRA UMA CAIXA DE VELUDO CARMESIM) O verdadeiro cordão é este, Valentine e não àquele que o Padre Gaston lhe mostrou.

(ABRE A CAIXA. O CORDÃO NÃO É OUTRA COISA SENÃO UM PEDAÇO BASTANTE GROSSO DE CORDA, DE OITO POLEGADAS)

VALENTINE - Eu não serei santa? O cordão de São Francisco era falso? O Padre Gaston me enganou esse tempo todo?

PADRE JEAN-PIERRE - Sim. E levou-a a submeter-se durante vários meses aos seus impúdicos enlaçamentos, enquanto vós acreditava somente estar gozando de uma felicidade puramente espiritual e celeste.

VALENTINE - Eu vou falar com ele imediatamente. E levar esse fato ao conhecimento do nosso Bispo.

PADRE JEAN-PIERRE - Calma. Não se precipite. Toda excitação é perigosa. É preciso agir com cautela. Agora só lhe peço um pouco mais de tempo e paciência, irmã Valentine. Tudo tem a sua hora. Mais cedo ou mais tarde, cairá a máscara do Padre Gaston e ele irá responder por todos os seus atos libidinosos.

CENA 6

(DOMINGO. MADELEINE ESTÁ NA CASA DE SEU PAI, FRANÇOIS. AMBOS ESTÃO SENTADOS. ELE BEBE UM CÁLICE DE VINHO)

MADELEINE - Só aqui em vossa casa tenho sonhos que me deixam toda, não sei como...

FRANÇOIS - E isso lhe causa prazer?

MADELEINE - De certa forma, sim.

(FRANÇOIS LEVANTA-SE E APROXIMA-SE DA FILHA POR TRÁS. ACARICIA OS SEUS CABELOS, BEIJA O SEU PESCOÇO. SUA MÃO ESQUERDA ENTRA PELO DECOTE DA JOVEM ONDE ELE APALPA SEUS SEIOS ENQUANTO A MÃO DIREITA DESCE ATÉ A VAGINA DA MESMA)

MADELEINE - (TENSA E SÉRIA) Papai. Eu vou sair do convento. Eu quero me casar.

FRANÇOIS - Só terás a minha assinatura depois que eu te enlevar.

MADELEINE - (ENCOLHE-SE) Não. (FRANÇOIS AGARRA A FILHA, A FORÇA) Pelo menos assine isto. (MOSTRA-LHE UM PAPEL)

FRANÇOIS - Assino se te enlevar. E quero, inclusive, o prazer da tua parte.

MADELEINE - Agora sei que os meus sonhos eram provocados por vós. (DEITA-SE DE COSTAS NA CAMA) Satisfazei-vos, então. Enlevai-me, mas quero estar virgem no dia do meu casamento.

(FRANÇOIS ABRE AS PERNAS DA FILHA. COM UMA MÃO SE MASTURBA E COM A OUTRA, MASTURBA A FILHA. DEPOIS DE UM TEMPO, AMBOS GOZAM)

MADELEINE - Se fosseis mais rico, renunciaria ao casamento e poderia me dedicar a vossos prazeres. Mas preciso de um marido para deixar de ser um estorvo pra vós.

(FRANÇOIS COMOVIDO, BEIJA-A DOS PÉS A CABEÇA: SAPATOS, PERNAS, COXAS, TRASEIRO, SEIOS, PESCOÇO, BOCA, TESTA E FINALMENTE A VAGINA. LENTAMENTE SE LEVANTA, ASSINA OS PAPÉIS QUE ENTREGA PARA FILHA. ELE BEIJA A BOCA DA FILHA E COLOCA A MÃO NOVAMENTE EM SUA VAGINA. ELA SAI. FRANÇOIS ESTATELA-SE NA POLTRONA, ONDE SUSPIRA, ALIVIADO)

CENA 7

(FOCO SOBRE O PADRE GASTON)

PADRE GASTON - Para ser perfeito cristão é preciso ser ignorante, acreditar cegamente, renunciar a todos os prazeres, as honras, às riquezas, abandonar os seus pais, os seus amigos, guardar a sua virgindade. Numa palavra, fazer tudo o que é contrário à natureza. Contudo, essa natureza, com certeza, opera somente pela vontade de Deus. Que contradição a religião supõe num ser infinitamente justo e bom!

CENA 8

(MADELEINE COM UMA MALA NAS MÃOS DESPEDE-SE DO BISPO, DO PADRE JEAN-PIERRE E DE VALENTINE)

MADELEINE - Jamais renegarei minha fé. Mas nunca tive vocação para o celibato. Muito menos o desejo ardente de tornar-me freira. Estou seguindo o meu coração e os meus instintos. E eles dizem que eu devo me casar e constituir uma família. E viverei em função dessa família. Se permanecesse aqui, seria infeliz. E Deus não fez os Homens para serem infelizes, não é mesmo? Agradeço-lhes do fundo de minh'alma pelos ensinamentos que tive aqui. Sempre que puder, virei fazer-lhes uma visita.

PADRE JEAN-PIERRE - Venha sempre que puder.

VALENTINE - Sentirei sua falta. Obrigada por tudo.

BISPO - Seja feliz, Madeleine. E que Deus vos abençoe.

MADELEINE - Amém. Algo me diz que estou indo ao encontro daquilo que realmente procuro. Não devo desprezar minha intuição. Farei aquilo que acho que deve ser feito. Adeus.

TODOS - Adeus.

(MADELEINE SAI. SAEM TODOS, MENOS O PADRE JEAN-PIERRE)

CENA 9

(FOCO SOBRE O PADRE JEAN-PIERRE)

PADRE JEAN-PIERRE - A vida de um homem é comparada a um jogo de dados. O lance de dados é o quadro de todas as ações de nossa vida. Um dado empurra o outro, ao qual imprime um movimento necessário, e de movimento em movimento, por sua primeira ação, é determinado de forma invencível para uma segunda, uma terceira. A vontade do homem é insensivelmente obrigada a fazer estas ou àquelas ações durante o decorrer de sua vida, cujo fim é o lance de dados.

CENA 10

(MADELEINE, CHARLES, UM SENHOR DE MEIA-IDADE E UM JOVEM FORTE E BELO)

CHARLES - Enfim sós. (SEGURANDO MADELEINE PELO PESCOÇO E EM SEGUIDA COLOCANDO-A DE QUATRO E ERGUENDO O SEU VESTIDO) Firme como um pau. (PARA O JOVEM) Ainda é virgem... Ah, como ganharia dinheiro com essas duas joinhas se elas fossem desbravadas. O que achais, meu jovem? Desejais experimentá-la?

JOVEM - Sim.

CHARLES - Hoje vai ser desvirginada. Não lhe disse que o pêlo da sua joinha era mais acetinado do que seda? Lá dentro deve ser mais macio ainda. (VIOLENTAMENTE OBRIGA MADELEINE A FICAR DE JOELHOS) Vamos, preciso de prazer! Vê como fico com tesão diante desta sua joinha? Ah, desgraçada. Bem que arrancaria esse botãozinho se não temesse estragá-lo... E então, rapaz, pode fodê-la.

(O JOVEM TIRA O PÊNIS E MOSTRA PARA ELA. É UM PÊNIS ENORME: GRANDE E GROSSO. ELA SE ASSUSTA E TENTA FUGIR, MAS CHARLES AGARRA-A E DÁ-LHE UM PONTAPÉ)

CHARLES - (PARA O JOVEM) Teu caralho é do tamanho ideal. Por isso cedo a minha esposa por cinco luíses uma virgindade que vale mil. Primeiro terás que meter na joinha: é do que necessito com a maior urgência. Amanhã podes comer o cu dela. Fique sabendo que o seu marido a adora... (PARA ELA) Se sou rude com você é para tornar-te mais flexível às minhas vontades... Ficarás encantado...(PEGA UM POTE COM MANTEIGA, COLOCA MADELEINE DE QUATRO E PASSA A MANTEIGA NA VAGINA DELA) ... e nada de piedade. Ela é como as putas: é preciso espancá-la para que cumpra o seu dever.

(O JOVEM PEGA A MANTEIGA, LUBRIFICA O PÊNIS E PENETRA MADELEINE, QUE DÁ UM GRITO ALTÍSSIMO, ENQUANTO CHARLES SEGURA-A. O JOVEM BOMBA-A FRENÉTICAMENTE ENQUANTO O SANGUE QUE SAI DA SUA VAGINA ESCORRE PELO CHÃO)

CHARLES - Ah, sua perdida.... ah, puta. Está fodendo, desgraçada? Que bela trepada, meu garanhão....

MADELEINE - Pára. Está doendo!

JOVEM - Ela está beliscando a minha vara... Que bucetinha... Um cetim! Ah, estou fodendo. Mexe o traseiro. Mexe essa buceta deliciosa. Mexe sobre mim. Não estou aguentando. Vou gozar... Aaaahhh...

(OS MOVIMENTOS TORNAM-SE CADA VEZ MAIS BRUTAIS. CHARLES E O JOVEM GOZAM QUASE AO MESMO TEMPO. MADELEINE CAI NO CHÃO, CHORANDO MUITO)

JOVEM - As que me disseram que teu pai te desvirginou são umas mentirosas. É mais virgem do que uma menina recém-nascida. Gostaria que todos estivessem aqui para comprová-la.

CHARLES - Agora tu és uma puta, Madeleine. Sua joinha irá render-me muito dinheiro... Eu gostaria que todo mundo te fodesse. Você não é larga o suficiente.

(O JOVEM TIRA DO BOLSO UM SAQUINHO COM MOEDAS E ENTREGA PARA CHARLES)

CHARLES - Olhai. Ela está toda borrada. É da natureza das gatas: elas mordem e gritam quando tratamos bem delas.

(O JOVEM SAI. CHARLES SENTA-SE NUMA CADEIRA, PASSA O DEDO NO CHÃO E LAMBE O SANGUE DE MADELEINE, QUE CONTINUA CHORANDO. EM SEGUIDA ELE ESTENDE OS PÉS COLOCANDO-OS NAS COSTAS DA MULHER, COMO SE ESTA FOSSE UM PUFF. EM SEGUIDA, COMEÇA A BRINCAR COM AS MOEDAS. PEGA UMA MOEDA E JOGA PARA MADELEINE, COMO SE DESSE ESMOLA PARA UM MENDIGO, RINDO ÀS GARGALHADAS.)

CENA 11

(FOCO SOBRE O PADRE JEAN-PIERRE)

PADRE JEAN-PIERRE - Todos estão de acordo que Deus sabe o que deve acontecer durante a eternidade. Mas, dizem, que Deus somente conhece o resultado de nossas ações depois de ter previsto que abusaríamos de sua misericórdia e que cometeríamos essas mesmas ações. Desse conhecimento, todavia, resulta o fato de que Deus, fazendo-nos nascer, já sabia que estaríamos infalivelmente perdidos e eternamente infelizes. A razão me diz que Deus não está sujeito a nenhuma paixão. Entretanto, no Gênesis, no capítulo 6, fazem Deus dizer que se arrependeu de ter criado o Homem, que a sua cólera não foi ineficaz. Deus parece tão fraco, na religião cristã, que não pode reduzir o Homem ao ponto que gostaria: ele pune pela água, em seguida pelo fogo, o Homem continua o mesmo; Ele envia profetas, os Homens ainda são os mesmos; Ele tem somente um filho único, ele o envia, contudo os Homens não mudam em nada. Quantas coisas ridículas a religião cristã atribui a Deus...

(ENTRA VALENTINE)

VALENTINE - Padre Jean-Pierre, está chegando a hora do meu encontro com o Padre Gaston. O que devo fazer?

PADRE JEAN-PIERRE - Aja como se nada tivesse acontecido. No momento exato, o Bispo e eu, invadiremos os vossos aposentos e desmascararemos esse libertino.

(PADRE JEAN-PIERRE SAI E VALENTINE DIRIGE-SE PARA O GENUFLEXÓRIO. ABRE O LIVRO E FINGE LER. OUVE-SE BATIDAS NA PORTA. EM SEGUIDA ENTRA O PADRE GASTON)

PADRE GASTON - Bom dia, minha cara irmã em Deus! Que o Espírito Santo e São Francisco estejam convosco. (VALENTINE VAI CAIR EM SEUS PÉS, MAS ELE A ERGUE E A FEZ SENTAR-SE JUNTO DELE) Repetirei mais uma vez esse ensinamento: esquecendo o corpo é que se chega à união com Deus: a se tornar santa e a operar milagres. No nosso último encontro vossa alma entrou em contemplação, desligou-se dos sentidos e seu espírito quase desligou-se da carne. Vamos começar, minha filha. Vamos repetir o nosso último exercício. Ajoelhai-vos e descobri essas partes da carne que são o motivo da cólera de Deus.


(VALENTINE AJOELHA-SE NUM GENUFLEXÓRIO COM UM LIVRO DIANTE DE SI. EM SEGUIDA LEVANTA AS SAIAS E A COMBINAÇÃO MOSTRANDO SUAS DUAS NÁDEGAS BRANCAS)

PADRE GASTON - Agora juntai as mãos e elevai o vosso espírito com a idéia da eterna felicidade que lhe é prometida. O vosso espírito ficará contente.

(PADRE GASTON PEGA UM BANQUINHO SOBRE O QUAL SE AJOELHOU. SOB A SUA BATINA, QUE ELE LEVANTOU E PASSOU EM SUA CINTURA, ESTAVA UM GROSSO E LONGO FEIXE DE VARAS. VALENTINE BEIJA-A. PADRE GASTON OLHA PARA AS NÁDEGAS DE VALENTINE E DEPOIS LEVANTA-SE INTERCALADAMENTE, RESMUNGANDO ALGUNS VERSÍCULOS)

PADRE GASTON - Com o cordão de São Francisco, vou expulsar tudo o que resta de impuro em vós.

(PADRE GASTON DESABOTOA SUAS CALÇAS E TIRA O SEU PÊNIS DURO, APROXIMANDO-O DAS NÁDEGAS DE VALENTINE E VAI INICIAR A PENETRAÇÃO. NESSE EXATO MOMENTO, PADRE JEAN-PIERRE E O BISPO INVADEM OS APOSENTOS)

PADRE JEAN-PIERRE - Basta! Acabou a farsa, padre Gaston.

(PADRE GASTON TEM UM SOBRESSALTO E IMEDIATAMENTE GUARDA O PÊNIS. VALENTINE LEVANTA-SE E UNE-SE AO PADRE JEAN-PIERRE E AO BISPO)

PADRE GASTON - Mas o que é isso? O que está acontecendo aqui?

BISPO - O Senhor está agindo de má-fé e corrompendo uma de nossas irmãs

PADRE JEAN-PIERRE - Tiraste a honra da irmã Valentine. Poderia engravidá-la e deixá-la perdida por toda a vida.

PADRE GASTON - É mentira.

VALENTINE - É verdade. O Padre Jean-Pierre mostrou-me o verdadeiro cordão de São Francisco... Nunca me senti tão suja.

BISPO - Que perfídia.

PADRE GASTON -Em momento algum desonrei essa mulher. Eu juro.

BISPO - Não jures em falso.

PADRE GASTON - Nunca violei a irmã Valentine.

PADRE JEAN-PIERRE - Valentine chamou Madeleine que escondeu-se no gabinete e viu tudo o que passou-se aqui.

PADRE GASTON - Madeleine nunca teve afeição por mim. Inventou essa história toda. E aproveitou-se da ingenuidade de Valentine, para ambas, me prejudicar. (PADRE GASTON AJOELHA-SE NO GENUFLEXÓRIO E REZA O "PAI NOSSO")

PADRE GASTON - Notre Père, qui est aux ciel, qui ton nom soit sanctifié; que ton regne vienne; que ta volonté soit faite sur la terre comme aux ciel. Donnez-nous aujourd'hui notre pain quotidien;pardonne-nous nos offenses, comme nous aussi nous pardonnons a ceux qui nous ont offensés; ne nous induis pas en tentation, mais delivre-nous du malin.Car c'est a toi qu'appartiennent, dans tous les siècles, la regne, la puissance, et la gloire. Amen.

 

BISPO - Reze bastante, Padre Gaston. Espero que reflita bastante sobre os crimes que cometeu. Encontrem-nos amanhã na cúria.

(SAEM TODOS, EXCETO O PADRE GASTON, QUE ABAIXA A CABEÇA, IMPOTENTE)

CENA 12

(MÚSICA ALTA. ENTRAM EM CENA CHARLES E O JOVEM CARACTERIZADO DE CARRASCO TRAZENDO MADELEINE COM UM CORPETE PRETO DE COURO. SEUS SEIOS, SUA VAGINA E SUAS NÁDEGAS ESTÃO DESCOBERTAS. ELA ESTÁ AMARRADA COM CORRENTES GROSSAS E TEM NA BOCA UMA BOLA VERMELHA QUE A IMPEDE DE GRITAR E MAIS OUTROS OBJETOS SADOMASOQUISTAS. AMBOS PENDURAM A MULHER DE PONTA CABEÇA NUM GANCHO DE FERRO. POR ALGUNS MINUTOS, O JOVEM BATE NELA COM UM CHICOTE. ELA PARECE UM PEDAÇO DE CARNE EXPOSTO EM UM AÇOUGUE. ELA DEBATE-SE APAVORADA ESSE TRECHO DA ENCENAÇÃO DEVE EXPLORAR BASTANTE AS PRÁTICAS SÁDICAS, DEIXANDO O PÚBLICO HORRORIZADO. DEPOIS DE UM BOM TEMPO, AMBOS RETIRAM MADELEINE DO GANCHO JOGAM-NA NO CHÃO. O JOVEM PISA NELA COM A BOTA, RETIRA A BOLA VERMELHA DA SUA BOCA E OBRIGA-A BEIJÁ-LA A MESMA BOTA. EM SEGUIDA CHUTA O SEU ROSTO. A JOVEM CAI ENSANGUENTADA. O JOVEM MALTRATA BASTANTE A GAROTA ENQUANTO CHARLES, COMO VOYEUR, SE MASTURBA. EM SEGUIDA O JOVEM PÕE NOVAMENTE A BOLA VERMELHA NA BOCA DE MADELEINE E COLOCA-A COM O TRASEIRO VOLTADO PARA CIMA)

CHARLES - Vamos lá, jovem fodedor. Desbrave a joinha de trás que ainda está virgem. Fode o cu dela. Agora.

(O JOVEM PASSA MANTEIGA NO ÂNUS DE MADELEINE, EM SEGUIDA ENFIA O DEDO ALI ALARGANDO UM POUCO O BURACO. PEGA UM CORDÃO CHEIO DE BOLINHAS E ENFIA BOLINHA POR BOLINHA DENTRO DELA ENQUANTO BATE NAS NÁDEGAS DA GAROTA. O JOVEM CHICOTEIA MADELEINE COM O PÊNIS)

JOVEM - Ah, que belo cu. Não é nada inferior à adorável buceta.

CHARLES - Está vendo, Madeleine? Estás sendo observada por um rapaz de vinte anos, belo como o amor. Belo fodedor, é preciso meter com firmeza. Vamos lá...

(O JOVEM BELISCA OS BICOS DOS SEIOS DE MADELEINE. DEPOIS DE UM TEMPO, ELE PUXA O CORDÃO TIRANDO AS BOLINHAS DO ÂNUS DELA. LUBRIFICA O SEU PÊNIS E METE NA GAROTA, QUE NÃO PODENDO GRITAR, EXPRESSA SUA DOR PELOS OLHOS, OUVIDOS, NARIZ, POROS)

CHARLES - Como é bonita fodendo. Parece uma deusa. Desbasta. Ela esperneia como nenhuma outra. Mais forte. Mostra o que sabes fazer...

(O JOVEM BOMBA CADA VEZ MAIS FORTE ATÉ CHEGAR AO ORGASMO)

JOVEM - Aí estás desvirginada, pequenininha. O seu carrasco colheu a sua rosa. É uma grande honra e felicidade para ti e para mim. Agora vejo-te como os devotos vêem sua Virgem Maria que, fodida pelo Espírito Santo, do qual foi puta, se tornou ainda mais virgem. Eis-te consagrada à vara de teu carrasco.

CHARLES - Suas joinhas foram desbravadas com êxito pelo jovem fodedor carrasco e estais pronta para agasalhar a todos os caralhos dos devassos franceses. Você foi feita para ser morta.

(VOLTA A MÚSICA. AMBOS GIRAM MADELEINE POR TODOS OS ESPAÇOS DISPONÍVEIS, TORTURANDO-A E SAEM DE CENA)

CENA 13

(CÚRIA. O BISPO ESTÁ SENTADO NUMA MESA AO LADO DO PADRE JEAN-PIERRE. COCHICHAM ALGO INAUDÍVEL. ENTRA VALENTINE, CUMPRIMENTA SEUS SUPERIORES E SENTA-SE DE FRENTE PARA ELES. TEMPO. LONGO SILÊNCIO. OUVE-SE APENAS O SOM IRRITANTE DE UM METRÔNOMO. ENTRA PADRE GASTON, CABISBAIXO E FICA PARADO NA PORTA. BISPO E PADRE JEAN-PIERRE DE FRENTE PARA ELE, ENCARAM-NO. VALENTINE DESVIA O OLHAR. PAUSA)

BISPO - Aproxime-se. (SOLENE) Como é do conhecimento de todos os presentes aqui nesta sala, um fato gravíssimo ocorreu nos aposentos da irmã Valentine. O Padre Gaston, aqui presente, aproveitando-se da ingenuidade da mesma, abusou sexualmente dela, usando um falso argumento de que essa ação iria purificá-la de todas as suas imperfeições e que com isso, em breve, ela se tornaria santa.

PADRE GASTON - Eu...

BISPO - Silêncio. O senhor deve responder apenas quando for interrogado... Valentine não foi a primeira a ser iludida. Outras irmãs foram submetidas nessa prática, mas omitiram-se, por vergonha ou medo de serem punidas. (COM A BIBLIA EM MÃOS) Padre Gaston, jura dizer a verdade, nada além da verdade?

PADRE GASTON - Juro.

BISPO - Há quanto tempo o senhor pratica esses atos?

PADRE GASTON - Oito meses.

BISPO - Quantas irmãs o senhor molestou?

PADRE GASTON - Valentine foi a terceira.

BISPO - E quais foram as outras?

PADRE GASTON - A primeira foi a Juliette, que deixou o convento pouco tempo depois. E a segunda foi Thèrése, a noviça que foi encontrada morta na passagem subterrânea que unia o convento ao seminário onde os noviços e noviças encontravam-se secretamente e onde entregavam-se a orgias.

BISPO - Thèrése morreu em virtude de um aborto que provocara voluntariamente. E como é do vosso conhecimento, diversos fetos foram encontrados neste local. As noviças ao descobrirem a gravidez, dirigiam-se até lá, onde abortavam.

PADRE JEAN-PIERRE - Por esse motivo e para evitar o encontro de noviços e noviças prestes a se ordenar, essa passagem subterrânea foi murada...

BISPO - O senhor sabia da gravidez de Thèrése?

PADRE GASTON - Sim.

BISPO - Foi o senhor que obrigou-a a abortar?

PADRE GASTON - Não. Ela contou-me o ocorrido e saiu correndo sem que eu pudesse tomar qualquer decisão. Foi aí que a encontraram morta.

BISPO - E mesmo assim o senhor continuou cedendo às tentações da carne. E se o mesmo houvesse acontecido com a irmã Valentine? O senhor tem consciência da gravidade deste problema?

PADRE GASTON - Não sei o que dizer. Estou sem forças. Não suporto mais esta situação. Dê-me logo a penitência e diga-me o que foi decidido em relação a mim.

BISPO - Ontem o clero se reuniu aqui neste Tribunal eclesiástico.. Pensamos, refletimos e em comum acordo chegamos a uma conclusão. Para não tornar pública essa situação e principalmente para evitar um escândalo que certamente iria enlamear o nome da nossa instituição e da Santa Igreja, o Padre Gaston... está absolvido das acusações que lhe foram imputadas

VALENTINE - (REVOLTADA) Não estás sendo justo.

BISPO - Justo para a Igreja nós sabemos que somos.

VALENTINE - E por que não para comigo?

BISPO - Porque a Igreja é maior.

(VALENTINE FICA CALADA, SEM ARGUMENTOS E CABISBAIXA)

BISPO - Como penitência, o Padre Gaston ficará trancado em seus aposentos à pão e água por sete dias, entregue às orações, se auto-flagelando e refletindo sobre as suas ações. E quanto a vós, irmã Valentine, não deverá pronunciar nenhuma palavra a respeito do que aconteceu entre vós e o padre em seus aposentos para quem quer que seja. Lembre-se sempre que numa situação em que envolve o nome da Santa Igreja, o silêncio é mais importante do que a prática da palavra... Podem ir.

(PADRE GASTON SAI. VALENTINE, CABISBAIXA TAMBÉM SAI. BISPO E PADRE JEAN-PIERRE ENTREOLHAM-SE)

CENA 14

(FRANÇOIS ASSUSTA-SE COM A ENTRADA ABRUPTA DE MADELEINE)

MADELEINE - (CORRENDO ATÉ ELE E ABRAÇANDO-O) Ó papai querido, salva-me. Sou a mais desgraçada das mulheres. Charles me obrigou a fazer coisas horríveis. Irei me dedicar a ti pelo resto da minha vida.

FRANÇOIS - Minha querida filha, ouvi rumores sobre o que Charles obrigou-lhe a fazer... Aceito com arrebatamento a sua dedicação por mim. Teus sentimentos para comigo encheram-me de gratidão e admiração. Vou te salvar.

MADELEINE - E como pretendes me salvar?

FRANÇOIS - Anulando o seu casamento. Você ficará livre desse monstro do Charles. Vivereis aqui comigo. Filha, filha divina! Reconheço a beleza da tua alma. Fodei com o seu pai, que eu seja o único a te foder... Tu és digna de foder com Deus, se Deus fodesse... Foder, foder...Que prazer dos deuses!

MADELEINE - Papai adorado, fode-me. Eu própria não agüento mais.


(FRANÇOIS COM VOLÚPIA DEITA MADELEINE NO CHÃO E SOBE NELA, PENETRANDO-A ATÉ ATINGIREM O ORGASMO)

MADELEINE - (PÕE-SE DE JOELHOS E REZA COM FERVOR) Meu Deus, agradeço-vos por ter me feito nascer de um pai tão bom! Devolvo a meu pai em prazeres deliciosos os cuidados que teve comigo em minha infância. Sou o bálsamo e o encanto da sua vida. Ele é o bálsamo e o encanto da minha. Abençoai-vos... (FAZ TRÊS SINAIS-DA-CRUZ, BEIJA O CHÃO E ERGUE-SE) Doce Jesus que metieis em Madalena, ela também era vossa filha e, em amor, como sabeis por experiência, nada é mais voluptuoso do que o incesto.

(BEIJAM-SE)


CENA 15

(MÚSICA SUAVE. CHARLES E O JOVEM, COMPLETAMENTE NUS, ENTRAM E ENCONTRAM-SE NO CENTRO DO PALCO. OLHAM-SE POR UM TEMPO E ACARICIAM-SE. SEUS GESTOS SÃO SUAVES. ABRAÇAM-SE AFETUOSAMENTE E EM SEGUIDA, BEIJAM-SE. DE REPENTE, TUDO SE TRANSFORMA. A MÚSICA TORNA-SE MAIS FORTE, AS CARÍCIAS MAIS VIOLENTAS. O JOVEM AMARRA AS MÃOS DE CHARLES COM CORRENTES, JOGANDO-O NO CHÃO COM O SEU TRASEIRO VOLTADO PARA CIMA. O JOVEM LUBRIFICA O PÊNIS COM MANTEIGA E PENETRA VIOLENTAMENTE EM CHARLES, QUE GRITA. O JOVEM SENTE UM PRAZER ENORME EM ENRABAR O HOMEM. CHARLES TENTA SE SAFAR, MAS É INÚTIL. O JOVEM METE FRENÉTICAMENTE ATÉ CHEGAR AO ÁPICE DO PRAZER. UM POUCO ANTES DO ORGASMO, O JOVEM TIRA UMA CINTA, COLOCA-A NO PESCOÇO DE CHARLES, ENFORCANDO-O. CHARLES MORRE E O JOVEM TIRA UM ANEL DO DEDO DELE E COLOCA O MESMO NO SEU DEDO)

EPÍLOGO

 

(CONTRA-LUZ DOURADA REVELA VALENTINE DE UM LADO DO PALCO E PADRE GASTON DO OUTRO LADO. VALENTINE COSTURA ALGO QUE O PÚBLICO NÃO IDENTIFICA DE IMEDIATO. PADRE GASTON COM UM CHICOTE SE AUTO-FLAGELA. A CENA PERMANECE ASSIM POR ALGUM TEMPO. FOCO SOBE EM RESISTÊNCIA SOBRE VALENTINE. SUA VAGINA SANGRA. ELA TERMINA DE COSTURAR O SEU ÂNUS E A SUA VAGINA. APÓS CONCLUIR A TAREFA, ELA ESTENDE OS BRAÇOS PARA A FRENTE E NOTA-SE DUAS CHAGAS ABERTAS NAS PALMAS DAS SUAS MÃOS DE ONDE JORRAM SANGUE. PADRE GASTON, EXAUSTO, QUEDA-SE NOS BRAÇOS DE VALENTINE. ESTA APERTA A CABEÇA DELE CONTRA O SEU PEITO, REPRODUZINDO FIELMENTE A IMAGEM DA PIETÀ. SOBRE ESTA IMAGEM, UM FOCO RECORTADO EM CRUZ. LUZ CAI EM RESISTÊNCIA DEIXANDO O PALCO NA PENUMBRA POR UM BOM TEMPO ATÉ O BLACK-OUT.)

FIM




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ADEGA DOS ANJOS
Qui, 13 de Março de 2008

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