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Arte Teatro - Roteiros

Escrito por juliocarrara
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Qui, 13 de Março de 2008 16:34

PERSONAGENS:

HAMLET

HAMLET-MÁQUINA

FANTASMA (OFF)

OPHELIA

OPHÉLIA PUTA

GERTRUDES

LAERTES

CLÁUDIO

COVEIRO

CENÁRIO: Dois andaimes e uma escada separando os mesmos. Lixo eletrônico por todo o espaço cênico. O ambiente é sinistro. Uma Dinamarca destruída pela hecatombe nuclear. Esqueletos de seres humanos e de animais em diversos cantos.

CENA 1
(Três TVs transmitindo simultaneamente sua programação com chuviscos e distorções na imagem. Um rádio-relógio digital de onde se vê as horas e o barulho insuportável do despertador. Celulares tocando, ruídos de britadeiras, buzinas e freadas de carros, apitos de navios, trens se locomovendo nos trilhos, sons de CDs riscados, uma verdadeira poluição sonora que deverá durar cerca de dois minutos. De repente, tudo se silencia. Ao longe, sinos repicam. Ouve-se a Marcha Fúnebre distorcida SEGUIDA DA MARCHA NUPCIAL, TAMBÉM DISTORCIDA)

VOZ OFF - (METÁLICA) Os sinos anunciavam os funerais nacionais: assassino e viúva em passo solene atrás do caixão do nobre cadáver. O luto transformou-se em júbilo. O júbilo em voracidade. Em cima do caixão, o assassino trepou com a viúva.
(OUVE-SE GARGALHADAS, GEMIDOS DE PRAZER SEGUIDOS DE ORGASMOS, MESCLADOS COM PALAVRÕES E BLASFÊMIAS. LUZ SOBE EM RESISTÊNCIA, UMA LUZ SINISTRA, EXPRESSIONISTA, REVELANDO AS Ruínas da Dinamarca após uma hecatombe nuclear. Hamlet-Máquina, um robô COM a voz metálica ESTÁ NO ANDAIME, DE CABEÇA PRA BAIXO)
HAMLET-MÁQUINA - Aí vem o fantasma que me fez. O que quer de mim? Não te basta um funeral solene e oficial? O que me importa o teu cadáver? Talvez acabe mesmo chegando ao céu. O que é que está esperando? Os galos foram mortos. Não há mais amanhecer. Eu me deitei no caixão e ouvi o mundo girar no compasso da putrefação. (Deita-se no caixão. Vozes distorcidas em inglês. Num outro plano, entra Hamlet, VESTIDO DE PRETO.)
HAMLET- Pra onde me leva?

FANTASMA- (off) Escuta. Sou o espírito de teu pai condenado a vagar pela noite e a passar fome no fogo enquanto é dia até que os crimes cometidos em meus tempos de vida tenham sido purgados se transformando em cinza. Se você algum dia amou seu pai... Vinga esse infame assassinato.

HAMLET- Assassinato!

FANTASMA- (off) Dizem que fui picado por uma serpente. Mas saiba você, meu nobre jovem que a serpente cuja mordida tirou a vida de teu pai agora usa a sua coroa.

HAMLET - Meu tio!

FANTASMA- (off) Sim, essa besta incestuosa e adúltera. Eu dormia, de tarde, em meu jardim, como de hábito. Nessa hora de calma e segurança, teu tio entrou furtivamente, trazendo, num frasco, o suco dá ébona maldita e derramou no pavilhão de meus ouvidos a essência morfética que é inimiga mortal do sangue humano. Assim dormindo, pela mão de um irmão, perdi, ao mesmo tempo, a coroa, a rainha e a vida. Abatido em plena floração de meus pecados, sem confissão, comunhão ou extrema-unção, fui enviado para o ajuste final com todos os meus pecados pesando na alma.

HAMLET- Oh, terrível!

FANTASMA - (off) Se você tem sentimentos naturais não deve tolerar que o leito real da Dinamarca sirva de palco à devassidão e ao incesto.
(No outro plano)
HAMLET-MÁQUINA - A minha mãe, a noiva. Os seus seios - um roseiral; o ventre - o ninho de víboras.

FANTASMA - (off) Mas, seja qual for a tua forma de agir, não contamina tua alma deixando teu espírito engendrar coisa alguma contra tua mãe. Entrega-a ao céu. Adeus de uma vez! Lembra de mim.
(Sai.)
HAMLET-MÁQUINA - O ventre materno não é uma via de mão única. Agora eu te amarro as mãos às costas, pois me dá nojo o teu abraço, com o teu véu de noiva. Reconhece o fruto do teu ventre?

HAMLET - (Levanta-se.) Lembrar de ti!
(No outro plano)
HAMLET-MÁQUINA - Eu queria que minha mãe tivesse me poupado. Deveriam costurar as mulheres, um mundo sem mães. Nós poderíamos nos chacinar em paz, e com alguma confiança, quando a vida se torna longa demais para nós ou a garganta estreita demais para os nossos gritos.

FANTASMA - (off) Lembra de mim.

HAMLET - Ouve, vou apagar da lousa da minha memória todas as anotações frívolas ou pretensiosas.

FANTASMA - (off) Jure!

HAMLET - No livro e no capítulo do meu cérebro viverá apenas o teu mandamento.

FANTASMA - (off) Lembra de mim!

HAMLET - Ó traidor, traidor; desgraçado, sorridente traidor!

FANTASMA - (off) Jure!

HAMLET - Minha lousa! - preciso registrar que se pode sorrir e, sorrindo, ser canalha. Pelo menos, estou certo, aqui na Dinamarca.
(No outro plano)
HAMLET-MÁQUINA - A Dinamarca é uma prisão, entre nós cresce uma parede.

VOZ OFF - Há algo de podre no Reino da Dinamarca.

FANTASMA - (off) Lembra de mim!

HAMLET - Repousa, espírito confuso! Nosso tempo está desnorteado. Maldita a sina que me fez nascer um dia pra consertá-lo! Adeus, adeus!

FANTASMA - (off) Jure.

HAMLET - Está jurado. (Enterra a espada na terra)
(Vozes distorcidas em inglês num volume ensurdecedor)

CENA 2

(Hamlet-Máquina no caixão. No outro plano, Hamlet, num penhasco observa o mar.)
HAMLET-MÁQUINA - Eu era Hamlet. Estava parado à beira-mar e falava BLA-BLA com a ressaca. Atrás de mim, as ruínas da Europa.
(Ruídos de cardiógrafo. Em off, uma respiração ofegante.)
HAMLET - Ser ou não ser - eis a questão. Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz ou pegar em armas contra o mar de angústias e combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer, dormir. Talvez sonhar. Ai está o obstáculo! Os sonhos que hão de vir no sono da morte nos obrigam a hesitar. Pois quem suportaria os açoites e os insultos do mundo, podendo, ele próprio, encontrar seu repouso com um simples punhal? Senão porque o terror de alguma coisa após a morte - o país não descoberto, cujos confins jamais voltou nenhum viajante? E assim a reflexão faz todos nós covardes. E empreitadas de vigor e coragem, saem de seu caminho e perdem o nome de ação.
(O SOM DO CARDIÓGRAFO INDICA A MORTE DE UM PACIENTE. ENTRA OPHELIA QUE SE VIRA PARA HAMLET)
HAMLET-MÁQUINA - Ninfa, em tuas orações sejam lembrados todos os meus pecados.
(Entra Ophelia Puta. O seu coração é um relógio. ESTÁ NUA DA CINTURA PRA BAIXO)
OPHELIA PUTA - Eu sou Ophelia. Estou só com meus seios, minhas coxas, meu ventre. Com as mãos sangrando rasgo as fotografias dos homens que amei e que se serviram de mim na cama, mesa, na cadeira, no chão. Atiro minhas roupas no fogo. (Strip-tease de Ophelia PUTA) Quer comer o meu coração, Hamlet?
(Dança com Hamlet. A dança toma-se mais rápida e mais selvagem. hamlet-máquina trepa com ophelia PUTA dentro do caixão. hamlet observa a cena e se masturba. Gargalhadas saem do caixão. HAMLET-MÁQUINA, OPHELIA E HAMLET GOZAM. opHELIA OLHA PARA HAMLET)
HAMLET-MÁQUINA- O poder da beleza transforma a honestidade em meretriz. Vai prum convento. Ou prefere gerar pecadores? Que fazem indivíduos como eu rastejando entre o céu e a terra? Somos todos canalhas. Não acredite em nenhum de nós.

OPHÉLIA - Senhor, com que a beleza poderia ter melhor comércio do que com a virtude?
HAMLET- Eu te amei um dia.

OPHELIA PUTA- Realmente, senhor, cheguei a acreditar.

HAMLET-MÁQUINA - Pois não devia. Eu não te amei.

OPHELIA PUTA - Tanto maior o meu engano.

HAMLET - Se você se casar, leva esta praga como dote: Embora casta como o gelo e pura como a neve, não escapará à calúnia. Vai pro convento. Ou se precisa mesmo casar, casa com um imbecil. Os espertos sabem bem em que monstros vocês o transformam.

OPHELIA - Poderes celestiais, cure-o.

HAMLET-MÁQUINA - Já ouvi falar de como você se pinta. Deus te deu uma cara e você faz outra. Foi isso que me enlouqueceu. Afirmo que não haverá mais casamentos. Os que já estão casados continuarão todos vivos - exceto um. Os outros ficam como estão. Prum bordel - vai!
(HAMLET-MÁQUINA TIRA O PAU E OPHELIA PUTA CHUPA-O COM FUROR)

CENA 3

(Cláudio rezando latim. Entra Hamlet)
HAMLET - Eu devo agir agora; ele agora está rezando. E assim ele vai pró céu; E assim estou vingado. Um monstro mata meu pai e, por isso, eu, seu único filho, envio esse canalha ao céu. Isso é recompensa, não é vingança. Ele colheu meu pai impuro, com todas suas faltas florescentes. Não. Pára, espada, e espera ocasião mais monstruosa! Quando estiver dormindo bêbado ou no gozo incestuoso de seu leito. Aí derruba-o, pra que seus calcanhares dêem coices no céu, e sua alma fique tão negra e danada quanto o inferno, pra onde ele vai.

VOZ OFF - Televisão

HAMLET-MÁQUINA- A nojeira nossa de cada dia nojeira

VOZ OFF - Na verborreia preparada

HAMLET-MÁQUINA - Pela alegria prescrita

VOZ OFF - Como se escreve

HAMLET-MÁQUINA - ACONCHEGO

VOZ OFF - Dai-nos hoje a morte nossa de cada dia

HAMLET-MÁQUINA- Pois teu é o Nada Náusea

VOZ OFF - Pelas mentiras em que se acredita

HAMLET-MÁQUINA - Nojeira

VOZ OFF - Dos mentirosos e de mais ninguém

HAMLET-MÁQUINA - Asco

VOZ OFF - Pelas mentiras em que se acreditam

HAMLET-MÁQUINA - Nojeira

VOZ OFF - Pelos rostos marcados dos hipócritas

HAMLET-MÁQUINA - Pela luta por postos, votos, contas bancárias

VOZ OFF - Nojeira

HAMLET-MÁQUINA - Um carro de assalto que faísca com as suas graças. Passo por ruas galerias fisionomias

VOZ OFF - Com as cicatrizes da batalha de consumo

HAMLET-MÁQUINA - Miséria

VOZ OFF - Sem dignidade

HAMLET-MÁQUINA - Miséria sem a dignidade

VOZ OFF - Da faca do boxe do punho

HAMLET-MÁQUINA - Os ventres humilhados das mulheres

VOZ OFF - Esperança das gerações

HAMLET-MÁQUINA- Sufocadas em sangue covardia estupidez

VOZ OFF - Gargalhadas vindas de ventres mortos

HAMLET-MÁQUINA - Heil para a COCA-COLA

VOZ OFF - Um reino

HAMLET-MÁQUINA - Para um assassino

VOZ OFF - Na solidão dos aeroportos Eu respiro aliviado

HAMLET-MÁQUINA - Eu sou

VOZ OFF - Um privilegiado

HAMLET-MÁQUINA - O meu nojo é um privilégio

VOZ OFF - Protegidos por muralhas

HAMLET-MÁQUINA - Arame farpado

VOZ OFF - Prisão
(Vozes com eco)

CENA 4

(Ophelia olhando para o riacho, delirante, apoiada num galho de árvore)
OPHELIA - E meu pai não voltará nunca mais? Não. Ele está morto. Num leito de paz e conforto. Tinha a barba branca como a neve e foi embora. É inútil o nosso pranto. Que Deus o proteja agora...
(O galho se quebra e Ophelia cai no riacho.)

CENA 5

(Cemitério. Coveiro abre uma cova. Entra Hamlet)
HAMLET - Pra que homem está cavando esse túmulo?

COVEIRO - Pra homem nenhum, senhor.

HAMLET - Pra qual mulher, então?

COVEIRO - Nenhuma, também

HAMLET- Então, o que você vai enterrar aí?

COVEIRO - Alguém que foi mulher, senhor. Mas, já morreu.

HAMLET - Quanto tempo um homem pode ficar debaixo da terra sem apodrecer?

COVEIRO - Olha, se não tiver podre antes de morrer uns oito ou nove anos. Vê esse crânio aqui? Está enterrado aí há 23 anos. Este é o crânio de Yorick, o bobo do rei.

HAMLET - Deixa eu ver. (Pega o crânio) Pobre Yorick, onde andam suas piadas? Tuas cambalhotas? Tuas cantigas? Mil vezes me carregou nas costas e agora me causa horror só de lembrar. Daqui pendiam os lábios que beijei não sei quantas vezes...
(Entram Laertes, Cláudio, Gertrudes e o corpo de Ophelia)
GERTRUDES - (Espargindo flores) Esperava que fosse a esposa do meu Hamlet. Pensava adornar teu leito de noiva, não florir sua sepultura.

HAMLET - O quê? Ophelia? (salta na sepultura) Parem um momento a terra para que eu a aperte uma última vez em meus braços. Cubram agora de pó o vivo e a morta. Esse sou eu, Hamlet, o Príncipe da Dinamarca.

LAERTES - Que o demônio carregue tua alma.

HAMLET - Eu amava Ophelia. Quarenta mil irmãos não poderiam, somando o seu amor, equipará-lo ao meu. O que fará por ela? Vai chorar, lutar, jejuar? Beber um rio, comer um crocodilo? Eu farei isso. Eu te peço. Tire teus dedos da minha garganta. Por esta causa eu lutarei com você até que minhas pálpebras parem de pestanejar. (sai)

CLÁUDIO - (para Laertes) Fortalece a tua paciência com a nossa conversa de ontem a noite. Vamos dar continuidade à nossa decisão. (saem)

CENA 6

(Mar profundo. Ophelia numa cadeira de rodas enrolada em alvas ataduras. Passam peixes, ruínas e pedaços de cadáveres).

OPHELIA PUTA - Aqui estou. No coração das trevas. Sob o sol da tortura. Rejeito todo o esperma que recebi. Transformo o leite dos meus seios em veneno mortal. Sufoco o mundo que pari entre as minhas coxas. Eu o enterro na minha buceta. Viva o ódio, o desprezo, a insurreição, a morte. Quando ela atravessar os vossos dormitórios com facas de carniceiro, conhecerão a verdade.
(Ophelia puta permanece em cena. SE MASTURBA com um pequeno globo terrestre. sua vagina está descoberta e quando goza, escorre veneno pelas suas pernas. FICA imóvel).

CENA 7

(Castelo. Hamlet, Laertes, Gertrudes e Cláudio)
HAMLET - Da-me o teu perdão, senhor. Eu te ofendi. Foi Hamlet que ofendeu Laertes? Hamlet, jamais. Quem ofende, então? Sua loucura!

CLÁUDIO - Coloquem os jarros de vinho nesta mesa; O Rei está brindando a Hamlet. Hamlet, esta pérola é tua. (envenena a taça) A tua saúde!

GERTRUDES - A Rainha brinda à tua fortuna, Hamlet. (pega a taça envenenada)

CLÁUDIO - Gertrudes, não beba!

GERTRUDES - Vou beber, meu senhor. (bebe)

HAMLET - Eu te peço, ataca com mais violência.
(Lutam)
LAERTES - Toma esta agora.
(Laertes fere Hamlet. As armas são trocadas. Hamlet fere Laertes)
GERTRUDES - Hamlet, a bebida... Fui envenenada!!! (morre)

HAMLET - Traição... Tranquem as portas. Procurem o traidor.

LAERTES - Está aqui, Hamlet. Hamlet, nenhum remédio poderá salvá-lo. Você está morto. Você não tem meia hora de vida. O instrumento está em sua mão. Estou morto também. O Rei é o culpado!

HAMLET - Então, veneno, termina a tua obra. (fere o rei) Toma, rei maldito, assassino, incestuoso, acaba essa poção! Engole tua pérola. Segue minha mãe.
(Cláudio morre)
LAERTES - Teve o que merecia: o veneno que ele próprio preparou. Troca o teu perdão com o meu, Hamlet. Que minha morte e a de meu pai não pesem sobre você. Nem a tua em mim. (morre)

HAMLET - O céu te absolva. Vai e eu te sigo. Mas que seja assim. O poderoso veneno domina o meu espírito. O resto é silêncio. (morre)
(No outro plano)
HAMLET-MÁQUINA - Não quero mais comer, beber, respirar, amar uma mulher, um homem, uma criança, um animal. Não quero mais morrer. Não quero mais matar. Quero habitar nas minhas veias, na medula dos meus ossos, no labirinto do meu crânio. Sento-me na minha merda, no meu sangue. Meus pensamentos são chagas em meu cérebro. O meu cérebro é uma cicatriz. Hamlet, o príncipe dinamarquês é alimento dos vermes tropeçando de buraco em buraco até o último buraco.
(ENTRA NO CAIXÃO E TIRA O CHIP QUE O ALIMENTAVA, FICANDO PARALISADO)
ATOR(ES) - (tiram os figurinos ficando nus) Não sou Hamlet. Não represento mais nenhum papel. Minhas palavras já não me dizem mais nada. Meu drama não se realiza mais. Por pessoas às quais o meu drama não interessa, para pessoas às quais ele nada importa. A mim ele também já não interessa. A esperança não se concretizou. O meu drama, se ainda tivesse lugar, realizaria-se na época da revolta. O meu drama não teve lugar. O texto perdeu-se. Os atores penduraram seus rostos no gancho do vestiário. Como uma corcunda vou carregando o meu pesado cérebro.

VOZES EM OFF - Silêncio! Silêncio! Silêncio!

FIM



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Qui, 13 de Março de 2008

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Última atualização em Sex, 14 de Março de 2008 05:43
 
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